Após a fala da procuradora Gisela Nabuco Majela Sousa, os debatedores do Abril Verde realizado nesta terça-feira (29/4), no auditório do Sindsprev-RJ, abriram espaço para que o presidente da CTB no Rio de Janeiro, Paulo Farias, fizesse uma saudação ao evento em nome da central sindical. “Na próxima sexta-feira, dia 1º de maio, dia do trabalhador, vamos para Copacabana e reafirmar a nossa luta pelo fim da escala 6×1, em defesa da soberania nacional, contra a violência sobre as mulheres e contra a pejotização. O dia 28 de abril é em memória das vítimas de acidentes de trabalho, mas o Brasil é campeão de acidentes de trabalho. Por isso que o movimento sindical tem de retomar esse debate com muita força. Afinal, foram as lutas do passado que trouxeram o acervo de proteção que conquistamos. Foi depois de muita luta que conseguimos banir o amianto da indústria brasileira e o jateamento de areia. Os mesmos setores que na época foram contra o fim daquelas práticas são os que hoje se opõem ao fim da escala 6 x 1. Então, precisamos construir uma maioria parlamentar para garantir os nossos direitos. O 1º de maio é dia de luta e parabéns ao Sindsprev-RJ”, discursou, sob aplausos gerais.

Em seguida, foi a vez de Dany Moretti (Secretária Nacional de Saúde da CTB, conselheira nacional e estadual de saúde) falar como uma das convidadas do evento Abril Verde. Ao abrir seu discurso, ela destacou a importância de as entidades sindicais não se limitarem a cobrar fiscalizações apenas da parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “Temos que pensar também no SUS e no Ministério da Saúde. Então, nós precisamos estar nesses espaços, e o sindicato tem que atuar nisso. Quero lembrar a conferência estadual de gestão do trabalho e educação na saúde do RJ, que teve participação deste sindicato. Na época, aquela conferência aprovou diretrizes para fortalecer a gestão do trabalho com acesso exclusivo por concurso público, vínculo estável, remuneração isonômica, garantia do trabalho da saúde como carreira de estado e contra todas as formas de precarização, com uma força de trabalho bem dimensionada e carreira ascendente. É por isto que precisamos lutar”, frisou ela, para concluir: “as normas regulamentadoras [NRs] são boas, mas limitadas. No caso da NR1, por exemplo, o que conseguimos foi um anexo, e os empregadores ainda disseram não estar preparados para modificar os processos de trabalho. Temos que ir pra dentro das comissões intersetoriais de saúde do trabalhador (CISTs) e mostrar que nenhuma fiscalização do trabalho pode ser feita sem nós, trabalhadores. Nós é que sabemos onde está o fator de adoecimento, não é o gestor. Também temos que cobrar dos nossos parlamentares que exijam o cumprimento da lei que nós aprovamos”.

Deputada estadual pelo PCdoB, Dani Balbi iniciou sua fala lembrando a necessidade de não se considerar os acidentes de trabalho como eventos fortuitos ou isolados. “Os acidentes — afirmou Dani — são a manifestação concreta das desigualdades estruturais entre capital e trabalho. De um lado, trabalhadores. De outro, a burguesia, o patronato. A desigualdade é mais aguda em países marcados por desenvolvimento tardio e industrialização intermitente, além de uma cultura frágil e precária de prevenção. Quem mais sofre são trabalhadoras e trabalhadores. Então, não há como pensar a fragilidade da nossa saúde descolada dos processos históricos que mencionei. A primeira legislação de proteção dos trabalhadores foi em 1919, há mais de 100 anos, e a CLT foi consolidade em 1943, após muitas greves e manifestações que fortaleceram o poder dos sindicatos e pressionaram instituições como parlamento, governos e judiciário”. A deputada também criticou o fato de algumas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho não estarem sendo aplicadas no serviço público e concluiu seu discurso com um apelo ao plenário do Abril Verde. “É pelo fortalecimento dos mecanismos coletivos de mobilização que conseguiremos medidas efetivas em relação a esses direitos”.

Autora de um projeto de lei que regulamenta e estabelece direitos para os trabalhadores de home care, a deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB) fez a última fala do debate. “Eu começo com a mesma frase da Dani Balbi. O que enfrentamos no país é a luta de classe. A questão da doença nas áreas públicas ou privadas acontece há muito tempo e é fruto da exploração do trabalhador. Então, temos que romper essa correlação de forças em todos os espaços. Temos que encarar isto de frente e avançar na defesa do interesse da classe trabalhadora. Estamos ainda mais fragilizados na área da saúde. Não é só revogar as reformas trabalhista e previdenciária, mas avançar em políticas que garantam melhorias para a classe trabalhadora, plano de cargos e carreiras, jornada de trabalho decente e fim da escala 6 x 1 para todos os trabalhadores”, disse Rejane, para quem é preciso vencer a correlação de forças desproporcional no parlamento, onde a hegemonia ainda é de setores empresarial. No Senado a correlação de forças é muito mais desigual. Então, em 2026 temos que mostrar compromisso de fazer este debate”, concluiu.

Após todos os integrantes da mesa do Abril Verde terem falado, foram abertas inscrições para perguntas do plenário. A servidora Ivone Suppo, dirigente da Secretaria de Imprensa do Sindsprev-RJ, parabenizou o evento e lembrou que, no Abril Verde realizado ano passado, os servidores aprovaram a criação de um Observatório de Saúde do Trabalhador no movimento sindical. “Queremos um observatório estadual porque aqui nós temos representações de outras entidades sindicais. Então, está na hora de referendar o que aprovamos no ano passado, que é um observatório para acompanhar políticas de saúde e levar informações a todos os trabalhadores”, explicou Ivone.
Assista ao vídeo sobre o Abril Verde, com depoimentos dos participantes do evento, clicando no link abaixo. Imagens e edição do repórter cinematográfico Fernando Gonçalves.
Falando em nome do Departamento de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Sindsprev-RJ (DPSATT), o dirigente Enilton Felipe saudou o Abril Verde. “Temos que insistir na questão de estarmos juntos e unidos nessa luta pela saúde do trabalhador. É preciso mais fiscalização e implementarmos essa proposta do observatório aprovado ano passado. Que a gente faça valer isto, em nome do controle social, visitando locais de trabalho, incluindo o INSS. Seguimos em frente com a luta”, frisou.
A também dirigente do Sindsprev-RJ Cristiane Gerardo enfatizou a importância do processo eleitoral deste ano para os trabalhadores. “Precisamos ter muita atenção porque o nosso voto vai ser o instrumento da nossa representatividade. Precisamos ter a certeza de que vamos fazer o certo em outubro, na defesa dos trabalhadores”, disse ela.
Como ato final do Abril Verde, a organização do evento entregou, a cada integrante da mesa de debate, um certificado de participação no evento.




