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terça-feira, junho 23, 2026
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Debatedores do Abril Verde também frisam importância de mobilizar contra precarização do trabalho

Após a fala da procuradora Gisela Nabuco Majela Sousa, os debatedores do Abril Verde realizado nesta terça-feira (29/4), no auditório do Sindsprev-RJ, abriram espaço para que o presidente da CTB no Rio de Janeiro, Paulo Farias, fizesse uma saudação ao evento em nome da central sindical. “Na próxima sexta-feira, dia 1º de maio, dia do trabalhador, vamos para Copacabana e reafirmar a nossa luta pelo fim da escala 6×1, em defesa da soberania nacional, contra a violência sobre as mulheres e contra a pejotização. O dia 28 de abril é em memória das vítimas de acidentes de trabalho, mas o Brasil é campeão de acidentes de trabalho. Por isso que o movimento sindical tem de retomar esse debate com muita força. Afinal, foram as lutas do passado que trouxeram o acervo de proteção que conquistamos. Foi depois de muita luta que conseguimos banir o amianto da indústria brasileira e o jateamento de areia. Os mesmos setores que na época foram contra o fim daquelas práticas são os que hoje se opõem ao fim da escala 6 x 1. Então, precisamos construir uma maioria parlamentar para garantir os nossos direitos. O 1º de maio é dia de luta e parabéns ao Sindsprev-RJ”, discursou, sob aplausos gerais.

Presidente da CTB no Rio, Paulo Farias saudou o evento em nome da central sindical. Foto: Mayara Alves.

Em seguida, foi a vez de Dany Moretti (Secretária Nacional de Saúde da CTB, conselheira nacional e estadual de saúde) falar como uma das convidadas do evento Abril Verde. Ao abrir seu discurso, ela destacou a importância de as entidades sindicais não se limitarem a cobrar fiscalizações apenas da parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “Temos que pensar também no SUS e no Ministério da Saúde. Então, nós precisamos estar nesses espaços, e o sindicato tem que atuar nisso. Quero lembrar a conferência estadual de gestão do trabalho e educação na saúde do RJ, que teve participação deste sindicato. Na época, aquela conferência aprovou diretrizes para fortalecer a gestão do trabalho com acesso exclusivo por concurso público, vínculo estável, remuneração isonômica, garantia do trabalho da saúde como carreira de estado e contra todas as formas de precarização, com uma força de trabalho bem dimensionada e carreira ascendente. É por isto que precisamos lutar”, frisou ela, para concluir: “as normas regulamentadoras [NRs] são boas, mas limitadas. No caso da NR1, por exemplo, o que conseguimos foi um anexo, e os empregadores ainda disseram não estar preparados para modificar os processos de trabalho. Temos que ir pra dentro das comissões intersetoriais de saúde do trabalhador (CISTs) e mostrar que nenhuma fiscalização do trabalho pode ser feita sem nós, trabalhadores. Nós é que sabemos onde está o fator de adoecimento, não é o gestor. Também temos que cobrar dos nossos parlamentares que exijam o cumprimento da lei que nós aprovamos”.

Deputada Dani Balbi (PCdoB) frisou que acidentes do trabalho não são eventos fortuitos. Foto: Mayara Alves.

Deputada estadual pelo PCdoB, Dani Balbi iniciou sua fala lembrando a necessidade de não se considerar os acidentes de trabalho como eventos fortuitos ou isolados. “Os acidentes — afirmou Dani — são a manifestação concreta das desigualdades estruturais entre capital e trabalho. De um lado, trabalhadores. De outro, a burguesia, o patronato. A desigualdade é mais aguda em países marcados por desenvolvimento tardio e industrialização intermitente, além de uma cultura frágil e precária de prevenção. Quem mais sofre são trabalhadoras e trabalhadores. Então, não há como pensar a fragilidade da nossa saúde descolada dos processos históricos que mencionei. A primeira legislação de proteção dos trabalhadores foi em 1919, há mais de 100 anos, e a CLT foi consolidade em 1943, após muitas greves e manifestações que fortaleceram o poder dos sindicatos e pressionaram instituições como parlamento, governos e judiciário”. A deputada também criticou o fato de algumas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho não estarem sendo aplicadas no serviço público e concluiu seu discurso com um apelo ao plenário do Abril Verde. “É pelo fortalecimento dos mecanismos coletivos de mobilização que conseguiremos medidas efetivas em relação a esses direitos”.

Autora de projeto que assegura direitos aos trabalhadores de home care, a deputada Enfermeira Rejane reforçou o apelo à mobilização. Foto: Mayara Alves.

Autora de um projeto de lei que regulamenta e estabelece direitos para os trabalhadores de home care, a deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB) fez a última fala do debate. “Eu começo com a mesma frase da Dani Balbi. O que enfrentamos no país é a luta de classe. A questão da doença nas áreas públicas ou privadas acontece há muito tempo e é fruto da exploração do trabalhador. Então, temos que romper essa correlação de forças em todos os espaços. Temos que encarar isto de frente e avançar na defesa do interesse da classe trabalhadora. Estamos ainda mais fragilizados na área da saúde. Não é só revogar as reformas trabalhista e previdenciária, mas avançar em políticas que garantam melhorias para a classe trabalhadora, plano de cargos e carreiras, jornada de trabalho decente e fim da escala 6 x 1 para todos os trabalhadores”, disse Rejane, para quem é preciso vencer a correlação de forças desproporcional no parlamento, onde a hegemonia ainda é de setores empresarial. No Senado a correlação de forças é muito mais desigual. Então, em 2026 temos que mostrar compromisso de fazer este debate”, concluiu.

Servidores da ativa, aposentados e pensiionistas também participaram do Abril Verde no Sindsprev-RJ. Foto: Mayara Alves.

Após todos os integrantes da mesa do Abril Verde terem falado, foram abertas inscrições para perguntas do plenário. A servidora Ivone Suppo, dirigente da Secretaria de Imprensa do Sindsprev-RJ, parabenizou o evento e lembrou que, no Abril Verde realizado ano passado, os servidores aprovaram a criação de um Observatório de Saúde do Trabalhador no movimento sindical. “Queremos um observatório estadual porque aqui nós temos representações de outras entidades sindicais. Então, está na hora de referendar o que aprovamos no ano passado, que é um observatório para acompanhar políticas de saúde e levar informações a todos os trabalhadores”, explicou Ivone.

Assista ao vídeo sobre o Abril Verde, com depoimentos dos participantes do evento, clicando no link abaixo. Imagens e edição do repórter cinematográfico Fernando Gonçalves.

Falando em nome do Departamento de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Sindsprev-RJ (DPSATT), o dirigente Enilton Felipe saudou o Abril Verde. “Temos que insistir na questão de estarmos juntos e unidos nessa luta pela saúde do trabalhador. É preciso mais fiscalização e implementarmos essa proposta do observatório aprovado ano passado. Que a gente faça valer isto, em nome do controle social, visitando locais de trabalho, incluindo o INSS. Seguimos em frente com a luta”, frisou.

A também dirigente do Sindsprev-RJ Cristiane Gerardo enfatizou a importância do processo eleitoral deste ano para os trabalhadores. “Precisamos ter muita atenção porque o nosso voto vai ser o instrumento da nossa representatividade. Precisamos ter a certeza de que vamos fazer o certo em outubro, na defesa dos trabalhadores”, disse ela.

Como ato final do Abril Verde, a organização do evento entregou, a cada integrante da mesa de debate, um certificado de participação no evento.

Deputada Enfermeira Rejane (ao centro) e participantes da mesa de debates foram agraciados com o certificado entregue ao final do evento. Foto: Mayara Alves.

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