Na noite desta quinta-feira (30/4), o plenário da antiga Alerj – Palácio Tiradentes – foi palco da cerimônia de entrega da Comenda Minervino de Oliveira a representantes da classe trabalhadora. Iniciativa da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), a homenagem teve a participação de centenas de lideranças sindicais, movimentos sociais e populares do Rio de Janeiro. Três dirigentes do Sindsprev-RJ foram agraciados com a Comenda Minervino de Oliveira: Cristiane Gerardo, Rolando Medeiros e Maria Celina de Oliveira.
Além do Sindsprev-RJ, foram homenageados dirigentes e representantes dos sindicatos de comerciários, petroleiros, trabalhadores dos serviços de saneamento, trabalhadores da educação, metalúrgicos, frentistas, enfermagem, estivadores, trabalhadores dos correios, professores, jornalistas, compositores e fisioterapeutas, entre outras categorias. Representantes de conselhos profissionais e pesquisadores da Fiocruz, Uerj e UFRJ também foram agraciados.

As deputadas federais Enfermeira Rejane e Jandira Feghali, do PC do B, foram homenageadas com o diploma Anna Nery. O diploma foi um reconhecimento à incansável atuação das duas parlamentares em defesa da saúde pública e dos trabalhadores e trabalhadoras do SUS.
Assista ao vídeo com depoimentos dos dirigentes do Sindsprev-RJ homenageados, clicando no link abaixo:
Operário de formação, Minervino de Oliveira foi militante do Partido Comunista do Brasil com longa trajetória de lutas em defesa da classe trabalhadora contra a exploração capitalista. Ele foi o primeiro negro a ser eleito como vereador do Rio de Janeiro e também o primeiro operário negro e comunista a se candidatar à presidência do Brasil. Minervino nasceu no Rio de Janeiro em 1º de outubro de 1891, apenas três anos após a abolição da escravatura. Ainda criança, tornou-se aprendiz de tecelagem na Fábrica São João. Trabalhou também como lavrador e carvoeiro. Iniciou sua atuação política em 1911, ao participar de greves operárias e campanhas salariais. Faleceu em 2 de março de 1977.
A mesa do evento realizado na Alerj foi composta por Dani Balbi (deputada estadual – PC do B), Elias Jabbour (professor de economia da UFRJ), Nelson de Paula Ferreira (bisneto de Minervino, historiador e pedagogo), Paulo Sergio Farias (presidente da CTB-RJ), Enfermeira Rejane (deputada federal – PC do B) e Jandira Feghali (deputada – PC do B).

Ao abrir a cerimônia, Dani Balbi afirmou que a homenagem visava lembrar e cristalizar a memória de Minervino de Oliveira. “Resgatar a memória dele é reconhecer o quanto ele participou e se destacou na formação de nossa tradição sindicalista. Minervino foi um dos fundadores do movimento sindical brasileiro e um dos primeiros parlamentares eleitos pelo PC do B. Para nós, a formação da classe trabalhadora no Brasil está ligada à luta pela superação do legado de 400 anos de escravidão. Nada mais potente, portanto, do que resgatar a memória de Minervino de Oliveira e seu legado. Fico muito feliz por contar com todos vocês aqui. Avante, camaradas”, frisou, sob aplausos gerais do plenário.
Representando a CTB-RJ, Paulo Sergio Farias também fez sua saudação. “Nesta sexta-feira se comemora o dia internacional do trabalhador, que representa o legado de Minervino de Oliveira. Existiu sim um negro, trabalhador que ousou ser candidato à presidência da república. Ele representava o sonho de muitos que acreditavam ser possível se libertar do jugo do capitalismo e construir uma pátria justa e com liberdade”, disse.

O pedagogo e historiador Nelson de Paula Ferreira fez um relato emocionado. “Sou bisneto de Minervino de Oliveira, um camarada pobre, negro e comunista que venceu o preconceito da época e as eleições para vereador no ano de 1928. Ele também foi o primeiro candidato comunista à presidência do Brasil, na eleição de 1930. Desde que ingressou no movimento sindical e operário, Minervino se engajou no 1º de maio, uma data importante para os trabalhadores. Minervino foi perseguido, violentado, agredido e preso por defender o proletariado. Não tenho dúvida de que agora o meu bisavô estaria nas ruas lutando pelo fim da escala 6 x 1, como também lutou por habitação popular, voto secreto, educação pública, contra o imperialismo e as leis de exceção. Meu bisavô defendia que só os ricos deveriam pagar impostos. Muito obrigado”, concluiu.
O professor de economia da UFRJ Elias Marco Khalil Jabbour reforçou o chamado à mobilização dos trabalhadores. “Hoje nós lutamos pela democracia no Brasil. No dia 1º de maio veremos ainda mais explícita a contradição entre capital e trabalho, que nos assola diariamente. No momento, existe uma tarefa de interesse da classe trabalhadora, que é o fim da escala 6 x 1. Também precisamos fazer um movimento semelhante em defesa da civilização brasileira e da nacionalidade contra a tentativa de neocolonização do Brasil representada pela candidatura de Flavio Bolsonaro. Que o sonho de Renato Rabelo, de João Amazonas e de Jandira Feghali se realize. Um forte abraço em todos”.

A entrega do diploma Anna Nery às deputadas Rejane e Jandira Feghali também foi marcada por discursos de grande densidade política. “Estou muito orgulhosa de receber o prêmo Anna Nery, que ajudei a instituir. É um legado e uma memória pela justiça de Minervino e também de Anna Nery, uma das precursoras da enfermagem em nosso país. Nos últimos dois dias vivemos no Congresso Nacional um misto de vergonha e muita frustração. Foi um ataque à justiça, à nossa democracia e ao nosso país. Nesta sexta, dia 1º de maio, é dia de estarmos na rua gritando e fortalecendo a democracia. Por isso queremos o fim da escala 6×1, mas também a revogação das reformas trabalhista e previdenciária. Parabéns e muito obrigada”, disse ela, após fazer menção à derrubada dos vetos do presidente Lula ao projeto de lei que reduz as penas aplicadas aos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
De sua parte, Jandira começou sua fala lembrando os legados de Minervino e Anna Nery. “Ele foi um operário que representou a nossa força política na disputa eleitoral. E também tivemos a ousadia de Anna Nery, que marcou a escola de enfermagem. Quero saudar a enfermeira Rejane, que merece o nosso reconhecimento pela luta em defesa da enfermagem brasileira e do Rio de Janeiro. Este plenário foi o da constituinte de 1946, que teve participação da maior bancada dos comunistas, com Prestes, Mauricio Grabois, Jorge Amado e tantas outras pessoas. O que vimos nestes últimos dias no Congresso Nacional foi uma luta rebaixada, algo assombroso. Enterraram a CPI do Banco Master. A nossa resposta tem que ser um grande levante do 1º de maio e a derrota dos bolsonaristas. O nosso centro é o fim da escala 6×1 e também a defesa da democracia, que está sendo atacada. Tem que haver pressão sobre o Congresso Nacional para não ter retrocesso”, disse.




