25.3 C
Rio de Janeiro
terça-feira, julho 7, 2026
spot_img

CTB-RJ destaca importância das convenções coletivas durante transição para nova jornada de trabalho

A divulgação pelo Ministério do Trabalho e Emprego do mapeamento de 17 áreas profissionais que necessitarão de regulamentação específica, caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso seja aprovada no Congresso, acendeu um alerta nas entidades sindicais. O levantamento serve como ponto de partida para estruturar a transição para a nova carga horária de, no máximo, 40 horas semanais.

Paulo Farias, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), comentou que o mapeamento do governo mostra a complexidade do mercado de trabalho. O dirigente sindical chamou a atenção para o tema:

“A nossa posição é clara e intransigente: as especificidades dessas 17 áreas devem ser debatidas e organizadas onde o trabalhador tem voz, que é através das convenções coletivas mediadas pelos sindicatos. Não aceitaremos portarias unilaterais ou canetadas que enfraqueçam o espírito da PEC. No Rio de Janeiro, o setor do comércio, que emprega milhares de pais e mães de família em jornadas desgastantes, terá na CTB-RJ um escudo. A redução da jornada é para trazer dignidade, e os sindicatos são o único instrumento capaz de blindar a categoria contra tentativas de precarização disfarçadas de ‘regulamentação’”, declarou Paulo Farias, presidente da CTB-RJ.

O sindicalista ressaltou que o texto da PEC aprovado pela Câmara abre um espaço fundamental para que as especificidades e as escalas especiais de trabalho sejam organizadas e adaptadas por meio dos acordos e convenções coletivas de trabalho. Segundo ele, essa previsão legal é a maior garantia de que a transição preservará os direitos já conquistados. Paulo Farias acrescentou que a CTB assume uma postura de defesa intransigente para que os sindicatos de cada categoria façam essa mediação diretamente nas mesas de negociação.

Segundo a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), entre as 17 áreas listadas pelo governo, divididas entre legislações especiais e regramentos específicos da CLT, o setor do comércio (comerciários) desponta como um dos que mais exigirão atenção e firmeza sindical. Trata-se de uma das categorias mais afetadas pela rotina exaustiva da escala 6×1 e que sofre forte pressão do patronato.

Veja a lista das 17 áreas mapeadas pelo Ministério do Trabalho:

Categorias com Legislações Especiais:

  1. Comerciários
  2. Vigilantes
  3. Aeronautas (tripulantes de voo)
  4. Radialistas
  5. Atletas profissionais
  6. Mães sociais (casas de acolhimento institucional)
  7. Empregados domésticos
  8. Trabalhadores avulsos
  9. Trabalhadores rurais
  10. Trabalhadores em turnos de revezamento

Categorias com Jornadas Específicas na CLT:

  1. Quem trabalha na escala 12×36 (muito comum na saúde e segurança)
  2. Telefonistas e atendentes de telemarketing
  3. Trabalhadores de minas de subsolo
  4. Motoristas profissionais
  5. Jornalistas
  6. Trabalho da mulher (regramento de descanso aos domingos)
  7. Menores de 18 anos (veto à prorrogação da jornada)

Em debate na sociedade e em votação no Congresso Nacional, a proposta que diminui a carga de trabalho dos empregados brasileiros divide opiniões e gera perguntas sobre seus impactos econômicos e sociais. O texto reduz as horas máximas trabalhadas na semana e extingue a escala 6×1.

Enquanto sindicatos e juízes trabalhistas argumentam que a mudança é necessária para garantir saúde e qualidade de vida aos trabalhadores, empresários afirmam que a medida vai aumentar os custos de produção e prejudicar a economia do país, inclusive com risco de recessão.

Caso a mudança na carga horária seja aprovada, o Brasil atenderá a uma recomendação internacional feita há mais de 90 anos. Em 1935, diversos países assinaram uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) comprometendo-se a limitar a jornada a 40 horas semanais. O Brasil assinou a convenção, mas depois não a ratificou, o que significa que ela nunca ganhou força de lei no país.

Nooticias Relacionadas

Stay Connected

0FãsCurtir
3,912SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever

Ultimas Noticias