“É um por todos, e todos por um. Queremos o fim da escala 6 x 1”. Na tarde desta sexta-feira (1º de maio), em Copacabana, este cântico já anunciava que seria expressiva a manifestação convocada por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos como PT, PSOL, PSTU, PCdoB, Unidade Popular, PCR e PCB. No dia internacional do trabalhador, não podia ser diferente. E não foi.
Concentrados em frente ao posto 5, os manifestantes iniciaram o ato às 14h30. Do alto de um carro de som, revezaram-se numa sucessão de discursos para exigir a principal reivindicação do momento: o fim da desumana escala 6 x 1 (6 dias de trabalho por apenas um dia de folga). Uma escala que hoje sobrecarrega a classe trabalhadora brasileira com uma das mais altas taxas de exploração do mundo. Uma escala que impede os trabalhadores de se dedicarem a suas famílias ou ao estudo. Uma escala que piora (e muito) a qualidade de vida de todos os trabalhadores a ela submetidos.
A reivindicação das centrais sindicais é que a escala 6 x 1 seja extinta e, em seu lugar, se estabeleça uma jornada máxima de 36 horas semanais, sem redução salarial ou compensação financeira em benefício de empresas e patrões.

“A escala 6 x 1 é desumana porque não contribui em nada para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, sob nenhum ponto de vista. É um absurdo que ela continue sendo praticada no Brasil, e por isso estamos aqui, no feriado dia 1º de maio, para exigir que o Congresso Nacional aprove a proposta enviada pelo governo federal, que acaba com essa jornada desumana”, explicou Maria Isabel Mariano, dirigente da Secretaria de Comunicação do Sindsprev-RJ.
Na última quarta-feira (29 de abril), a Câmara dos Deputados instalou a comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue a escala 6 x 1. O colegiado será composto por 38 membros titulares e presidido pelo deputado Alencar Santana (PT-SP). A PEC, no entanto, vem sendo boicotada por setores empresariais, que falam em um “período de transição” para implementá-la e querem uma “compensação financeira” do Estado brasileiro. Comportamento semelhante ao dos senhores de engenho que, após a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, também cobraram “indenização” por conta da Lei Áurea.
No ato desta sexta-feira (1/5), em Copacabana, o que mais se viu foram faixas e cartazes em alusão ao fim da escala 6 x 1. Um dos motes adotados pelos manifestantes foi de que “há vida além do trabalho”. Ou seja: é preciso trabalhar menos para viver mais e com mais qualidade. O mote foi repetido à exaustão pela imensa maioria dos oradores que, até o final da tarde, se revezaram no carro de som em frente ao posto 5. “O fim da escala 6 x 1 é mesmo a principal reivindicação que desejamos ver atendida neste momento. Há uma mobilização da classe trabalhadora, que já entendeu a importância de melhorar a sua qualidade de vida”, frisou Claudio Oliveira, dirigente do Sindsprev-RJ e servidor da rede federal de saúde do Rio.

Embora o fim da escala 6 x 1 tenha sido a reivindicação mais citada neste 1º de maio, outras importantes pautas também foram mencionadas, como o fim da precarização do trabalho (pejotização) e a denúncia do alarmante índice de feminicídios pratricados no Brasil. Uma das faixas que mais chamaram a atenção teve a seguinte mensagem: “Feminicídio é violência bruta. Chega de silêncio. Chega de impunidade. Nenhuma a menos”.
Participaram do ato de 1º de maio, em Copacabana, dirigentes e representantes de CUT, CTB, NCST, Sindicato dos Petroleiros do Rio, Sindicato dos Jornalistas do Rio, Sindicato dos Comerciários do Rio, Sintrafrio, Fist, Fasubra, União Estadual dos Estudantes (UEE) e parlamentares do campo democrático-popular.
Além dos dirigentes Maria Isabel Mariano e Claudio Oliveira, o Sindsprev-RJ foi representado na manifestação pelos também dirigentes Marcelo Pereira da Silva, Ivanilda Ferreira e Neusa Beringui.




