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sexta-feira, junho 5, 2026
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Dirigente do Sindsprev-RJ afirma que pressão e cobrança exaustiva geram a violência policial

Em dezembro de 2015, um jovem de 20 anos foi baleado por um Policial Militar, no bairro do Derby, no Recife. Alisson Campos da Silva seguia na garupa de uma motocicleta quando parou ao lado de um carro policial no semáforo. O jovem tirou o celular da cintura para atender a uma ligação. Um dos policiais que estava na viatura confundiu o objeto com uma arma e disparou contra Alisson. O jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu após dar entrada na emergência de um hospital.

Em junho deste ano, outro policial militar confundiu o celular na cintura de um rapaz com uma arma. Um vídeo de câmera de segurança mostra a perseguição a pé e o PM gritando “vai morrer” para o jovem. Eduardo Ornellas não parou por medo de ter a moto apreendida porque estava com documentos atrasados, segundo a família. Em depoimento, o PM afirmou ter atirado após acreditar que Eduardo estivesse sacando uma arma.

Em junho deste ano, Eduardo Ornellas teve seu celular confundido com uma arma, foi baleado por um PM e não resistiu. Foto: Reprodução TV

Osvaldo Sergio Mendes, dirigente do Sindsprev-RJ e presidente do Conselho Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, apontou a falta de preparo dos policiais nos dois casos.

“São episódios que ocorrem há muito tempo. Os policiais do Estado do Rio de Janeiro e de outros estados vivem sob pressão e cobrança exaustiva antes, durante e depois do combate ao crime. Isso gera estresse de alto nível e prejudica a saúde mental de qualquer cidadão. O Estado precisa urgentemente rever isso pelo bem e segurança da população, evitando que gente inocente seja baleada”, comentou o dirigente sindical.

Especialistas ressaltam que o estresse ocupacional afeta o controle emocional, a capacidade de avaliação de riscos e a tomada de decisões em situações de crise. O resultado são as abordagens violentas ou precipitadas, violações de direitos, afastamentos por adoecimento e, nos casos mais graves, suicídios.

O dirigente sindical acrescenta que o impacto negativo do esgotamento na segurança pública gera um julgamento comprometido.

“A cobrança por resultados e o estado de alerta constante reduzem a capacidade de avaliar se o uso da força é realmente necessário, aumentando a probabilidade de erros e violência. Foi exatamente o que aconteceu com os jovens perseguidos pelos policiais”, frisou Osvaldo Sergio Mendes.

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