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terça-feira, julho 21, 2026
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Pesquisa: maioria dos brasileiros quer fim da jornada 6×1

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira passada, 15 de julho, mostrou que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, contra 22% que se dizem contrários. O percentual a favor variou pouco desde julho de 2025 (69%), passando por 72% em dezembro de 2025 e 68% em maio de 2026.

A proposta, que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de folga, já é conhecida pela maioria da população. 75% dos entrevistados disseram saber que a Câmara aprovou o fim da escala 6×1 e que o texto agora tramita no Senado, enquanto 25% ficaram sabendo apenas ao responder à pesquisa.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-07181/2026.

Entenda melhor – A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de autoria da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), acaba com a atual escala de seis dias de trabalho por um de descanso, fixando como regra a jornada 5×2, cinco dias de trabalho e dois de folga. O projeto já passou na Câmara, mesmo com a pressão contrária das empresas e bancos, em função das mobilizações de rua em todo o país.

No Senado se repete o mesmo, com os patrões fazendo de tudo para impedir que a PEC seja aprovada. Os partidos de direita e os de extrema-direita, como o PL da família Bolsonaro, agem em conjunto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que se nega a colocar a proposta em votação.

Barrada por Alcolumbre – Alcolumbre acabou não colocando em votação a matéria antes do recesso. Em pronunciamento feito de forma remota na feira (13.jul.2026), o senador Paulo Paim (PT-RS) disse ter esperança de que a PEC 221 de 2019, que extingue a chamada escala 6 X 1, seja votada e aprovada em agosto. Aprovada em maio pela Câmara, a proposta, que também reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, aguarda votação no Senado.

“Eu tenho muita esperança de que ela vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que ele não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero sinceramente que isso não aconteça. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão”, afirmou o senador.

O Congresso Nacional entrou de recesso neste sábado (18) e a proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 ainda não começou a tramitar no Senado.

Jornada desumana – O texto, que reduz a jornada de trabalho desumana de 44 horas para 40 horas por semana em até 14 meses, foi aprovado pela Câmara há quase dois meses e, desde então, o projeto não passou por nenhuma fase necessária da tramitação no Senado.

A primeira etapa é o envio do texto para ser analisado pela principal comissão da Casa, a de Constituição e Justiça (CCJ).
Esse encaminhamento só ocorrerá agora após o recesso, que, oficialmente, termina dia 31 de julho. Contudo, por ser ano de eleição, os parlamentares se concentram nas suas bases eleitorais no segundo semestre para fazer campanha.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou na quarta-feira (15) que, por conta do pleito, o parlamento só vai funcionar efetivamente, para votações relevantes, por duas semanas antes das eleições- de 10 a 14 de agosto, e de 31 de agosto a 3 de setembro.

O senador não deu qualquer sinalização de quando pretende despachar a PEC para a CCJ. Na quarta-feira, ao ser questionado sobre quando encaminhará a PEC ao colegiado e qual senador será o relator da proposta, ele não quis responder.
Ela disse ao g1 nesta sexta (17) acreditar na possibilidade de votação da matéria antes das eleições de outubro. “Eu acredito que teremos condições sim de enviar para a CCJ e, uma vez enviando para CCJ, a tramitação será rápida [antes da eleições]”, pontuou.

O que diz o texto – A proposta altera a parte da Constituição Federal que trata sobre os Direitos e Garantias Fundamentais e deixa expresso que a “duração do trabalho normal” não será superior a oito horas diárias e quarenta horas semanais. O artigo prevê exceções ao permitir compensações de horários e a redução da jornada conforme acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Conforme a proposta, a redução das quatro horas na jornada de trabalho será concretizada em duas etapas: as primeiras duas horas em até dois meses após a promulgação da PEC; as quatro horas restantes em até 12 meses após a redução das primeiras duas horas. O fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

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