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sexta-feira, março 6, 2026
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Pacientes e profissionais temem pela saúde mental com a extinção do Hospital da Lagoa

O plebiscito iniciado nesta terça-feira (24/6) e organizado pelo Sindsprev/RJ sobre a proposta de extinção do Hospital Federal da Lagoa (HFL), referência em atendimentos e exames de alta complexidade, atraiu um número expressivo de servidores e população usuária. Com o lema “HFL fica!”, servidores efetivos, residentes, CTUs e cedidos do HFL, além de usuários (pacientes) atendidos na unidade, procuraram os locais de votação para expressar o seu repúdio contra a decisão do governo Lula.

A medida do governo inclui ceder a unidade ao Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz. Neste caso, o Instituto utilizaria as instalações do Hospital da Lagoa para atender pacientes na especialidade materno-infantil.

A médica Bárbara Leão comentou o clima entre seus pacientes oncológicos. Segundo ela, quase a totalidade dos usuários não têm condições de arcar com tratamento particular.

“A notícia sobre a extinção do hospital afetou o psicológico dos pacientes. Todos estão muito preocupados com o futuro, pois não têm ideia onde se tratar e temem pela demora no atendimento. Isso afeta o psicológico. O Hospital da Lagoa oferece toda uma estrutura, com exames de alta complexidade”, comentou a médica.

Iracema da Silva fez questão de ser uma das primeiras a assinar o plebiscito. A dona de casa é paciente oncológica e ficou abalada com a notícia da extinção do Hospital da Lagoa. Ela contou que se trata desde 2010 no HFL.

“Fiz duas cirurgias bem-sucedidas e estou precisando fazer outra ainda este ano por conta de outros problemas que surgiram. Se o Hospital da Lagoa for extinto, terei que entrar na fila do SUS. O estado do Rio de Janeiro não tem outro hospital de referência como este. Mais uma atitude do governo que não acolhe o pobre e o desassistido”, reclamou a usuária.

Profissionais de saúde e pacientes participaram do plebiscito contra a extinção do Hospital Federal da Lagoa. Foto: Mayara Alves

Amelita de Jesus não escondeu a emoção ao assinar o plebiscito. Preocupada com o futuro, a usuária já imaginava entrar na fila do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) para conseguir outra unidade hospitalar para tratamento oncológico e exames de alta complexidade.

“Estou aqui há quatro anos e tive uma melhora surpreendente. Tudo devido ao atendimento, acolhimento e estrutura do hospital. Milhares de pacientes ficarão abandonados e esperando morrer com essa medida do governo de acabar com o hospital. A saúde nunca esteve tão desvalorizada em nosso país”, lamentou.

A professora Edna dos Santos Ferreira, conhecida como Tia Edinha, comentou que melhorou sua autoestima quando começou a se tratar no Hospital da Lagoa.

“Passei por uma fase muito difícil, com graves problemas de saúde, até começar a me tratar no Hospital da Lagoa. Os médicos são de alto nível e foram fundamentais para eu recuperar a minha alegria pela vida e voltar a dar aula. A extinção do Hospital da Lagoa significa acabar com o sonho de milhares de pacientes que dependem deste hospital para continuar vivendo”, disse, emocionada.

Sandra Helena, paciente oncológica, moradora de Iguaba Grande, comentou que todos os meses vem ao Rio de Janeiro para dar continuidade ao tratamento de câncer. Ela disse que ficou revoltada com a notícia sobre a extinção do hospital.

“Demorei a acreditar. Como pode acabar com um hospital que é referência no tratamento de alta complexidade? Para onde vão os pacientes que dependem desse hospital para sobreviver? Medida desastrosa e absurda desse governo”, criticou.

Usuários do Hospital Federal da Lagoa participaram do plebiscito contra a extinção da unidade. Foto: Mayara Alves

Natália do Espírito Santo, técnica de Laboratório do HFL, comentou que os pacientes do hospital têm demostrado muita preocupação com o futuro da unidade. Ela observa que a saúde mental da maioria ficou abalada com a notícia de extinção do Hospital.

“Muitas pessoas não têm ideia para onde ir. Não sabem para onde serão transferidas. Milhares de pacientes dependem de tratamento de alta complexidade. Acabar com o Hospital da Lagoa é tirar a esperança dessas pessoas na cura de suas doenças. Isso mexe muito com a saúde mental. Até mesmo os profissionais do hospital vivem um clima ruim de incerteza. Todos perguntam: até quando estarei empregado ou para onde serei transferido?”, lembrou.

 

 

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