Levantamento da Secretaria de Imprensa do Sindsprev/RJ mostrou que 25 dos 40 cargos da diretoria, 62,5%, são ocupados por mulheres. O dado é significativo e mostra que é possível ganhar espaço em meio a um ambiente tradicionalmente ocupado por homens, como o movimento sindical. O percentual é maior que a presença de mulheres na população brasileira: 108 milhões, ou 51,1%; e, no mercado de trabalho, onde ocupam 46,4% do saldo dos empregos formais (levantamento de 2024).
Outro dado relevante mostra que no Sindsprev/RJ as mulheres ocupam a maioria dos cargos executivos. Cada secretaria tem três diretores, sendo um deles, o coordenador. São 10 coordenações, das quais 7 têm mulheres à frente. Ou seja, 70% da diretoria colegiada. Este levantamento é importante para evidenciar o protagonismo feminino, no Mês da Mulher.
Para a diretora da Secretaria Nacional de Mulheres da central sindical CTB (a qual o Sindicato é filiado), Kátia Branco, a presença significativa de mulheres é importante para valorizar a gestão e mostrar a importância de ter mulheres em cargos de direção. “É um exemplo dado pelo Sindicato para mostrar o entendimento de que o movimento sindical deve caminhar sempre no sentido de ter mais mulheres nas diretorias. A presença em cargos executivos nas coordenações é mais importante ainda por mostrar a nossa competência política na gestão”, avaliou.
Recorte racial – Cristiane Santos, diretora da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia comentou o levantamento. “Estamos fora da curva, quando olhamos para outros sindicatos e para a sociedade. Temos 62,5% de mulheres à frente, na direção das secretarias e, destas, um percentual considerável de coordenadoras das mesmas. Tendo mulheres decidindo em pastas consideradas de grande importância no momento das decisões, como organização, imprensa e finanças”, avaliou Cristiane.

A dirigente, no entanto, fez uma crítica relacionada ao recorte racial. “Temos um longo caminho ainda a percorrer. Eu, como representante da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia, não poderia deixar de trazer a ausência de mulheres pretas nesse cenário. Das secretarias que fazem o sindicato voar, não foi dada a nenhuma mulher preta um papel de destaque. Mas confio no projeto. Confio que estamos indo no caminho certo. E que, em breve, esse recorte racial, também há de ser enfrentado com a seriedade e competência que é de saltar os olhos nesse mandato”, ponderou.
Resistência – Neusa Beringui, diretora da Secretaria de Organização, avaliou os dados sobre a diretoria do Sindsprev/RJ. “Mais que números, esse avanço expressa um compromisso político: valorizar, fortalecer e garantir o protagonismo das mulheres em nossa organização. É um exemplo da coerência entre discurso e prática; sobre construir dentro de casa aquilo que defendemos para toda a sociedade. Nossa luta é por representação, mas também por justiça, igualdade e dignidade. Porque quando as mulheres avançam, toda a classe trabalhadora avança junto. A mulher sempre foi símbolo de resistência”, afirmou.
A diretora da Secretaria de Imprensa, Maria Ivone, disse que embora a mulher seja maioria no mercado de trabalho da Enfermagem, isso ainda não tinha se espelhado no espaço sindical. “O Sindsprev/RJ faz história, mais uma vez, dando o exemplo, colocando 62,5% de mulheres na sua diretoria, e mostrando o caminho a outras entidades sindicais”, disse.




