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sexta-feira, julho 24, 2026
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Marcha das Mulheres Negras reforça luta contra racismo estrutural e sexismo

A Marcha das Mulheres Negras, movimento previsto para o próximo domingo (26), na praia de Copacabana, com concentração no Posto 2, às 10h, chama a atenção por querer mostrar a luta antirracista, feminista e pela defesa da democracia. Entre as pautas estão o combate à violência e ao racismo estrutural, a busca por reparação histórica e a defesa do “bem viver”, uma existência digna, sem opressão e em harmonia social e ambiental.

Ana Paula Soares, diretora da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev/RJ, destaca que o evento é para dar voz às demandas específicas das mulheres negras, que historicamente sofrem na base da pirâmide social com os impactos cruzados de racismo, sexismo e desigualdade de classe.

Qual a importância da Marcha das Mulheres Negras, que será realizada na praia de Copacabana, no próximo domingo?

Ana Paula Soares: O nível de importância da Marcha e suas pautas para democracia e reparação é incalculável. As esferas políticas, jurídicas e educacionais não podem ignorar quando essas mulheres se levantam e fecham Copacabana. É um movimento histórico, político e social de suma importância e relevância para sociedade brasileira. Combate o racismo estrutural ao pautar a intersecção de raça, gênero e classe, esferas essas que mais acumulam as opressões. A marcha dá visibilidade a um grupo historicamente ignorado e invisibilizado e o coloca no centro do debate político.

Você aponta alguém que seja símbolo dessa luta?

Ana Paula Soares: Vou citar Angela Davis: ” Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. O movimento é para emancipar, revigorar, alicerçar e impulsionar às mulheres negras a transformar as estruturas de poder que às oprimem em qualquer lugar que elas estejam.

Angela Davis é uma filósofa, escritora e ativista americana, sendo um dos maiores ícones globais na luta contra o racismo, o machismo, o sistema prisional e o capitalismo. Famosa por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos.

Quais são as pautas mais urgentes da atualidade?

Ana Paula Soares: Seria a PEC da Reparação, com foco em ações concretas de reparação histórica, fundiária e econômica; Direitos Trabalhistas: Fim da escala de trabalho 6×1;  Políticas Públicas: Ampliação do acesso à saúde integral e à educação de qualidade;  e Segurança e Justiça: Oposição firme à redução da maioridade penal e ao feminicídio.

O que significa, na prática, a reivindicação por “reparação e bem-viver”

Ana Paula Soares: A reparação é reconhecer que escravidão e o colonialismo deixaram marcas destrutivas para raça, que geraram consequências graves que nos mantém em crime continuado, pois às mazelas (escravidão) que ocorreram no passado permaneceram no decorrer da história,  como péssimos salários, piores habitações, conduzidos a lugares de subserviência e exclusão. Enfim, é uma luta constante, exaustivamente realizada pela própria sobrevivência. Por isso, para o meu entendimento, falar do Bem-Viver é um direito de viver, de existir, de ter educação, saúde, segurança, transporte digno e moradia. Mas também creio que o Bem-Viver, inclui um trabalho de conscientização e de despertamento da população negra em reconhecer a nossa origem africana e sua extrema importância na contribuição histórica mundial para a raça humana.  Que possamos desacelerar e não sermos nossos próprios algozes.

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