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terça-feira, junho 16, 2026
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Tiroteios motivados por ações da força policial aumentaram 14% no Rio de Janeiro

Os tiroteios motivados por ações e operações policiais aumentaram no mês de maio. Ao todo, 82 registros foram contabilizados, um aumento de 14% em comparação com os 72 casos acumulados em maio de 2025. O levantamento foi feito pelo Instituto Fogo Cruzado.

Dos 166 tiroteios mapeados na região metropolitana do Rio de Janeiro ao longo do mês, quase metade (49%) ocorreu nesse contexto. O número de baleados nesses episódios (62 vítimas) equivale a 54% dos baleados ao longo do mês de maio: 115 atingidos, sendo 66 mortos e 49 feridos.

Os dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado também mostram aumento de 340% nos casos de pessoas baleadas em assaltos ou tentativas de assalto. Ao todo, 22 pessoas foram atingidas em maio deste ano, sendo 10 mortas e 12 feridas. Em maio de 2025, cinco pessoas foram baleadas durante crimes desse tipo: três morreram.

Maio registrou ainda 20 tiroteios motivados por disputas entre grupos armados, o segundo maior número do ano, atrás apenas de janeiro, que teve 21 registros. Ao menos 19 pessoas foram atingidas durante esses episódios. Entre os casos registrados está o tiroteio ocorrido em Costa Barros, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que deixou um homem morto e duas mulheres, além de um bebê de 1 ano e 3 meses, feridos.

Ao menos 13 pessoas foram vítimas de balas perdidas na região metropolitana do Rio de Janeiro durante o mês de maio. O número equivale a uma vítima a cada três dias e representa um aumento de 160% em relação ao mesmo período de 2025, quando cinco pessoas foram atingidas. Entre os baleados deste ano, três morreram.

Entre os casos registrados está o de Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos. O adolescente morreu no dia 31 após ser atingido por uma bala perdida no Morro da Quitanda, no Complexo da Pedreira, na Pavuna.

“O que os números de maio revelam é um retrato do colapso na segurança pública. Balas perdidas atingindo moradores em plena rotina, pessoas baleadas durante roubos, disputas territoriais entre grupos armados e tiroteios em operações policiais. Tudo isso compõe um mosaico de violência que sufoca a vida da população. Nenhum desses fenômenos pode ser tratado isoladamente. O poder público precisa de uma resposta integrada, que vá além do confronto e alcance as causas que alimentam esse ciclo”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

Dados detalhados

Municípios

Com 111 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 67% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

Rio de Janeiro: 111 tiroteios, 46 mortos e 30 feridos
São Gonçalo: 17 tiroteios, 7 mortos e 7 feridos
Duque de Caxias: 10 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
Niterói: 6 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
Nova Iguaçu: 5 tiroteios e 1 morto

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

Tijuca (Rio de Janeiro): 10 tiroteios e 3 feridos
Maré (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Jacarepaguá(Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 5 mortos
Costa Barros (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
Jardim catarina (São gonçalo): 4 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
Cascadura (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
Taquara (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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