Tradicionalmente tratado como “descobrimento”, o episódio de 1500 (21 de abril), com a chegada da expedição portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral, vem sendo reinterpretado por diversos historiadores como um processo de invasão. O território já era habitado por milhões de indígenas, que constituíam sociedades organizadas, com sistemas próprios de produção, relações sociais, crenças e formas de organização política. Longe de serem “primitivos”, esses povos possuíam complexas estruturas sociais e profundo conhecimento do território.
A presença europeia inaugurou um ciclo de violência, expropriação de terras e destruição desses modos de vida. Nesse contexto, a atuação da Igreja Católica foi central. A catequização não se limitou à evangelização, mas implicou imposição cultural, apagamento de identidades e, muitas vezes, práticas coercitivas. Ao mesmo tempo, a Igreja foi beneficiada com amplas concessões de terras e privilégios pela Coroa portuguesa, consolidando seu poder na colônia.
Assim, o chamado “descobrimento” expressa uma visão eurocêntrica, enquanto “invasão” traduz de forma mais fiel a experiência histórica dos povos originários.
Marcos Aurélio Gomes Ribeiro – Professor de História contemporânea do Brasil



