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sexta-feira, março 6, 2026
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Dirigente do Fonasefe fala sobre as expectativas da Campanha Salarial dos SPFs deste ano

O jornalista Olyntho Contente, da Secretaria de Imprensa do Sindsprev/RJ, entrevistou Ivanilda Reis, Coordenadora da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil), e integrante do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe). A dirigente falou sobre o descontentamento dos servidores públicos federais com a falta de negociações efetivas por parte do governo federal nas Campanhas Salariais. Não descartou a possibilidade de uma greve geral da categoria na campanha deste ano, que começou com a entrega da pauta de reivindicações ao Ministério da Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI) no dia 30 de janeiro. E explicou os motivos da greve das universidades e outras instituições federais da educação, marcada para 23 de fevereiro. Confira a seguir.

Imprensa Sindsprev/RJ – Nas campanhas salarias anteriores, o governo optou por não analisar, ou responder à pauta de reivindicações apresentada. E decidiu impor a sua própria pauta. Qual a expectativa do Fonasefe em relação às negociações da campanha deste ano?

Ivanilda Reis – Toda vez que o Fonasefe entrega a pauta da Campanha Salarial dos Servidores Públicos Federais (SPFs) tem a expectativa de que seja respeitada a negociação. Até aqui não aconteceu isto. As mesas de negociação não refletiram o papel que deveriam ter que era o de discutir ponto a ponto cada item da pauta. As reuniões eram chamadas pelo MGI que colocava a pauta que ele queria sem dar conhecimento com antecedência sobre o que seria discutido, o que é lamentável, ainda mais se tratando do governo Lula, que fala da importância destas mesas de negociação, que nós queremos que sejam mesas de negociação de verdade, e não mesas de enrolação. A nossa expectativa é a de que sejamos chamados para discutir de verdade a pauta do conjunto dos servidores.

Imprensa Sindsprev/RJ – Ouvimos muito dizer que a única maneira de impedir que o governo use a política de transformar a MNNP (Mesa Nacional de Negociação Permanente) de mesa de negociação em mesa de enrolação é os servidores entrarem em greve. Você concorda?

Ivanilda – Há um descontentamento muito grande dos servidores. Em 2025 a Mesa Nacional de Negociação Permanente não deu conta de atender nada do que foi apresentado. Esse descontentamento pode resultar em greve, como aconteceu em 2025. Fortes greves, importantes. O que esperamos é que não precisemos chegar a este ponto. Outra questão é que estaremos, na campanha, discutindo a reforma administrativa, que ainda é uma ameaça concreta. Mas é possível que tenhamos greves setorizadas, além das que já vão acontecer como as da Fasubra e do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica). No Fonasefe ainda não tem uma discussão sobre uma greve geral, mas existe um descontentamento do conjunto dos servidores com esta política do governo não atuar na mesa de negociação discutindo a pauta entregue. Hoje não está colocada a discussão de uma greve geral da categoria, o que não significa que não ocorrerá diante do grande descontentamento existente.

Imprensa Sindsprev/RJ – O fato de ser este um ano eleitoral, pode levar o governo a adotar uma postura mais proativa de buscar um acordo para evitar desgastes?

Ivanilda – Já colocamos (as entidades sindicais da educação) na mesa de negociação, por diversas vezes, que estamos num ano eleitoral e deveria ser uma preocupação do governo a movimentação dos trabalhadores e trabalhadoras da educação que fizeram muita luta dentro das universidades e dos institutos para eleger o governo Lula, com vários comitês pelo país para enfrentar o bolsonarismo e eleger o atual governo. Neste momento em que o governo faz uma campanha importante pela educação, deveria valorizar estes trabalhadores, o que não está acontecendo. O MGI desconsidera a importância da educação e com isso desvaloriza os trabalhadores técnico-administrativos. E isso é muito preocupante, porque provoca um descontentamento geral. A postura do governo deveria ser de respeito às nossas demandas. Mas a gente vai para uma mesa de negociação com o MGI e eles sequer tomam conhecimento das nossas reivindicações. Simplesmente não se interessam, não avaliam a importância do que fazemos dentro das universidades e institutos federais. Isso é uma desvalorização total de uma categoria aguerrida que faz um esforço imenso para manter estas instituições funcionando, mesmo com todas as dificuldades causadas pela falta de investimento. A cobrança dos servidores num ano eleitoral será muito grande. O governo precisa respeitar os acordos que foram fechados. Têm itens sem repercussão financeira, ou pouca repercussão. Um problema que não é só dos da ativa, mas dos aposentados também, que têm defasagem salarial muito maior que os ativos. E o governo desconsidera isso. O governo deveria se preocupar e rever esta postura para evitar o desgaste que nós teremos para fazer uma campanha nas universidades e nos institutos, o que vai se refletir na hora do voto.

Imprensa Sindsprev/RJ – Na sua opinião, quais os 10 principais itens da pauta entregue no dia 30 ao governo federal?

Ivanilda – Como a gente não vem tendo respostas efetivas à nossa pauta, todos os itens se tornaram muito importantes porque existe uma defasagem muito grande. Problemas que seriam de fácil resolução se agravaram, então, a pauta por si só é extensa pela necessidade de incluir tudo o que o governo não discutiu. Mas, em especial quero falar dos aposentados, que é uma parcela da nossa categoria que está muito prejudicada. Não ter R$ 1 mil no seu contracheque para a alimentação, causa uma grande diferença. Temos uma pauta que trata do auxílio-nutrição e do per capta da saúde desvinculado do plano de saúde. Ter o per capta vinculado ao plano de saúde para uma faixa etária em que o plano é caríssimo, e nem todo mundo pode ter, mas precisa comprar medicamentos, fazer um tratamento, este dinheiro ajudaria. Estes pontos são muito importantes. Cada item da pauta vai fazer diferença para toda a categoria, mas eu destacaria os pontos relativos aos aposentados, que são os mais prejudicados.

Imprensa Sindsprev/RJ – A pauta entregue traz uma questão específica ligada aos direitos da mulher, que já existia nas pautas anteriores e sequer foi analisada pelo governo. O fato da ministra do MGI ser uma mulher não deveria fazer com que este item tivesse sido já aprovado?

Ivanilda – Nós mulheres estamos participando ativamente, não só da construção da pauta, mas à frente das nossas entidades sindicais, das federações, confederações e sindicatos. A Fasubra tem hoje na sua coordenação geral três mulheres. Mas o que nós vivemos hoje no Brasil é o feminicídio, os casos de estupros e de toda a violência que as mulheres sofrem aumentando; o assédio moral e sexual. Essas pautas são muito importantes para todas nós. E para o conjunto dos trabalhadores, porque quando uma mulher é agredida, quando tem os seus direitos não respeitados, isso reflete no conjunto dos trabalhadores. Essa pauta é muito significativa. E queríamos mesmo que, tendo uma mulher à frente do Ministério da Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI) ela também desse a importância que esta pauta tem pra nós. Mas isso não vem acontecendo. Por isso repetimos mais uma vez esta pauta, esperando que a ministra (do MGI, Esther Dweck), por ser uma mulher, tenha essa sensibilidade, assim como todo o governo. O (presidente) Lula faz em suas intervenções, a defesa deste tema, mas queríamos que deixasse de ser um discurso para funcionar na prática. Entendemos que pela pressão das mulheres, o governo avançou alguma coisa relacionada aos direitos das mulheres. Mas ainda é muito pouco frente ao que todas nós reivindicamos. Mais uma vez apresentamos esta pauta, esperando que seja atendida.

Imprensa Sindsprev/RJ – Vocês elaboraram um capítulo que trata exclusivamente da contratação das gigantes de tecnologia digital, as big techs, pelo governo, para guardar os dados sensíveis do Estado brasileiro, em nuvem, como fez a Oracle, na Dataprev. Porque esta preocupação?

Ivanilda – Fizemos uma reunião específica para discutir esta realidade. Hoje, o nosso fazer é administrado pelo sistema. É o sistema que administra, que coordena cada passo que a gente vai dar na nossa vida dentro da instituição. E, por isto, preocupados com o que significa isto para os servidores e servidoras, incluímos a questão da soberania digital, da infraestrutura pública, gestão tecnológica, direitos dos trabalhadores, transparência, vigilância e controle social e a democratização das decisões tecnológicas. Entendemos que estes itens nos dão a dimensão do que vivemos hoje e onde vamos querer chegar com esta realidade. Não estamos propondo barrar o avanço da tecnologia, mas a tecnologia não pode vir sem nenhum controle, o que traria prejuízos aos nossos direitos. A tecnologia precisa ser democrática, precisa ter transparência total, a vigilância do Estado e o controle social.

Imprensa Sindsprev/RJ – Os técnicos-administrativos decidiram em plenária nacional aprovar indicativo de greve nacional das instituições federais de educação a partir e 23 de fevereiro. Quais são os motivos desta greve?

Ivanilda – A greve da Fasubra tem como pauta a luta pelo cumprimento integral do acordo de greve. Em 2025, depois de uma greve histórica, assinamos um acordo com o governo que trazia itens importantes que vão além da questão financeira, como as 30 horas; como o reposicionamento dos aposentados que ficaram prejudicados quando migraram para o plano PCCTAE (Plano de Carreira dos Cargos Técnicos-Administrativos em Educação); além da racionalização dos cargos (cargos com a mesma função com salários diferentes), como auxiliar-administrativo C e assistente administrativo D, que fazem a mesma função; auxiliar de enfermagem e técnico de enfermagem também; e categorias com direito a 30 horas, direito que não é respeitado; escala 12/60 para quem trabalha em hospitais universitários, para vigilantes. Questões importantes que estão pendentes do acordo. Foi isso que fez com que a categoria aprovasse a greve a partir de 23 de fevereiro. E tem agora a questão do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências ) que não conseguimos colocar em projeto de lei, porque o MGI desconfigurou.

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