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sexta-feira, março 6, 2026
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Evento no Sindsprev-RJ tem críticas ao custeio e qualidade do atendimento oferecido pela Geap

A Secretaria de Aposentados e Terceira Idade do Sindsprev-RJ está promovendo hoje (29/10) um encontro especialmente dedicado a sanar dúvidas dos servidores quanto aos planos e o funcionamento da Geap. A atividade está sendo realizada no auditório nobre do Sindsprev-RJ e começou pela manhã, com palestra de Patroclus Medeiros (Coordenador de Relacionamento da Geap no Rio).

Patroclus começou sua fala com a apresentação de um powerpoint contendo informações básicas sobre a história de fundação Geap, suas formas de funcionamento e o papel que, em 80 anos de existência, a fundação vem desempenhando como seguradora. Entre outros pontos, o coordenador explicou que a Geap Saúde funciona sob o modelo de autogestão, o que a diferencia de planos como cooperativas médicas, medicina de grupo ou outras seguradoras especializadas em saúde. “A autogestão possibilita reduzir custos de intermediação de empresas de plano de saúde que funcionam na lógica do mercado. Por isso a nossa orientação vai no sentido de aproximar cada vez mais a seguradora dos sindicatos e entidades associativas, e é assim que vamos definir diretrizes para atendermos melhor os segurados”, explicou.

Em seguida, Patroclus Medeiros apresentou números da Geap, que atualmente possui mais de 380 mil segurados no Brasil e 43 mil, no Rio de Janeiro. Em todo o país, a maioria dos segurados é composta por mulheres. Quanto à variável faixa etária, a Geap possui 670 beneficiários com mais de 100 anos de idade. Em relação aos prestadores de serviço, são 16 mil em nível nacional e 2 mil no Estado do Rio.

Em relação ao atendimento, o representante da Geap afirmou que a Fundação está oferecendo telemedicina em mais de 21 especialidades, além de atenção primária à saúde.

Patroclus Medeiros, representante da Geap, fala no evento. Foto: Mayara Alves.

Servidores criticam qualidade do atendimento e valor do custeio

Após a fala de Patroclus, a palavra foi aberta ao plenário para que os servidores formulassem perguntas e avaliações em relação à Geap. A maioria das intervenções foi de críticas à demora do atendimento oferecido pelos prestadores de serviço, à desatualização do cadastro de prestadores e ao custeio da Geap Saúde.

Reclamações sobre cobranças adicionais durante internações hospitalares também foram comuns nas falas dos servidores, que inclusive denunciaram uma dupla cobrança do custeio ocorrida em junho deste ano. Cobrança efetuada sem que a Geap apresentasse qualquer explicação aos segurados. A denúncia da cobrança em duplicidade foi recentemente encaminhada por segurados ao setor de cadastro do Sindsprev-RJ, que hoje apresentou o problema aos representantes da Geap. Outra importante informação trazida pelo cadastro é de que atualmente a maioria dos filiados ao Sindsprev-RJ já não participa mais da Geap.

“Na época da patronal, o governo custeava 80% e nós servidores custeávamos 20%, mas isto acabou. Quando a patronal se tornou Geap, ela passou a ser um plano de saúde com coparticipação. Até o governo FHC, a participação governamental era de 70% na Geap. Desde então a situação começou a piorar. Precisamos reduzir o valor da nossa coparticipação, pois hoje pagamos muito”, protestou Maria Celina de Oliveira, dirigente da Secretaria de Aposentados e Terceira Idade que compôs a mesa de abertura do evento.

Sindsprev-RJ pede redução no custeio da Geap Saúde

Também dirigente da Secretaria de Aposentados do sindicato, Marta Meirelles informou que, em recentes conversações com o Sindsprev-RJ, o governo federal informou sobre um aumento do repasse dos valores da saúde suplementar em abril de 2026. “Ainda estamos negociando qual será o valor dessa participação. Importante destacar que nós também pleiteamos, junto à Geap, a redução nos valores das mensalidades, sobretudo para pessoas idosas acima de 65 anos, e a Fundação confirmou o impacto da saúde suplementar sobre o custeio”, disse.

Maria Celina de Oliveira, dirigente da Secretaria de Aposentados do Sindsprev-RJ. Foto: Mayara Alves.

“Sinceramente, os representantes da Geap não me convenceram nem a muitos da plateia aqui presente. Quem tem 80 anos está hoje praticamente fora da Geap. Além disso, a Geap coloca os segurados numa condição em que são sempre solicitados a pagar mais. A verdade é que, além do custeio muito alto, a grande maioria saiu da Geap por conta da demora nos atendimentos. Infelizmente, a Geap ainda não está boa. Para nós interessa estarmos na Geap, mas não nesta condição”, criticou Luiz Henrique dos Santos, dirigente do Sindsprev-RJ lotado no HFSE.

Para Geap, governo tem que aumentar participação no plano

Em suas respostas aos questionamentos sobre custeio, Patroclus Medeiros responsabilizou o governo e defendeu que a participação deste ente federado seja majorada, de forma a reduzir o impacto sobre os segurados da Geap.

Sobre a demora e os prazos muito longos de atendimento, ele disse que é uma situação a ser regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No entanto, pediu que as queixas de segurados sejam também encaminhadas à Geap, para que se busque uma solução. Pedido semelhante foi feito para reclamações contra prestadores de serviço que, embora constem como parceiros da Geap, não estão mais nesta condição. Segundo Patroclus, isto ocorre quando prestadores de serviço se desligam da Geap, mas não informam a seguradora sobre o fim da parceria.

No caso da reclamação sobre dois reajustes do custeio em 2025, o representante da Geap não soube explicar o ocorrido e pediu informações adicionais, comprometendo-se a estudar o assunto e apresentar uma resposta aos segurados.

Perguntado se a Geap possui auxílio-funeral, Patroclus Medeiros respondeu que ainda não, mas frisou que esta é uma possibilidade que poderá ser estudada.

Também dirigente da Secretaria de Aposentados, Marta Meirelles informou sobre negociação sobre saúde suplementar. Foto: Mayara Alves.

Mais questionamentos ao Plano Geap Saúde

Pouco antes do final, o servidor Crispim Wanderley, que participava o evento de forma remota, também apresentou questionamentos à Geap. Segundo ele, em gestões anteriores os segurados foram tratados com muita agressividade, o que levou à saída de muitos servidores. “É uma situação muito grave, marca também pelos altos custos dos serviços que a Geap adquire junto ao setor privado. O resultado foi que muitos segurados ficaram endividados. Eu mesmo já não tenho mais Geap porque fiquei sem condições de pagar. Hoje sou integralmente SUS. Um SUS que devemos lutar para melhorá-lo”, disse.

Pergunta de Crispim Wanderley (por canal remoto) – sobre empréstimo da patronal. Audiência de Paulo Paim sobre problemas financeiros e corrupção na Geap. Ele criticou a agressividade de gestões anteriores da Geap, que levou à saída de muitos segurados. Ele criticou os custos altos dos serviços, o que atribui ao fato de a Geap comprar tais serviços no setor privado. Mais transtornos. Endividamento de segurados. “A Geap tem que reformular a sua forma de atuação no atendimento”, disse ele, que afirmou não ter tido mais condições de pagar a Geap. “Hoje sou integralmente SUS, e devemos lutar para melhorá-lo”.

Na parte da tarde, o evento de hoje está apresentando os diferentes planos e coberturas oferecidos pela Geap Saúde.

Na parte da manhã, além de Patroclus Medeiros, a Geap foi representada por Fabiane Aglio (assistente administrativa da Geap no Rio de Janeiro).

 

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