Neste domingo, Sete de Setembro, em que se comemora o Dia da Independência, protestos do Grito dos Excluídos, em pelo menos 35 cidades, sendo 17 capitais, repudiaram a pressão do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, visando forçar o Supremo Tribunal Federal (STF) a suspender o julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus são acusados de formar uma organização criminosa que comandou a tentativa de golpe de Estado no Brasil. A tentativa culminou com a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro.
A maior manifestação aconteceu em São Paulo, lotando a Praça da República. O presidente da CUT, Sérgio Nobre, destacou que o Dia da Independência de 2025 assumiu um caráter histórico. “Um dia histórico, porque a nossa soberania, o nosso país, nunca foram tão atacados como agora. Atacado por uma extrema direita apoiada pelo governo dos Estados Unidos, por Donald Trump. E é muito importante que a classe trabalhadora entenda o que está acontecendo”, afirmou.

No Rio de Janeiro, o protesto ocorreu na Avenida Presidente Vargas, com Rua Uruguaiana. De lá, os manifestantes seguiram em caminhada até a Praça Mauá. A atividade foi organizada pelas centenas de entidades do movimento social que formam a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, entre elas, centrais sindicais e sindicatos, movimentos dos sem teto e sem-terra, estudantes, movimento negro e de mulheres.
Repúdio ao golpe e à anistia dos golpistas – Todos os que falaram na manifestação do Rio de Janeiro foram unânimes em apoiar o julgamento de Bolsonaro pelo STF e em repudiar o projeto de anistia que os parlamentares golpistas tentar aprovar no Congresso Nacional para beneficiar os executores, financiadores e comandantes do golpe de 8 de janeiro e fortalecer a soberania nacional que está sob o ataque de Trump.

Durante o ato, a diretora do Sindsprev/RJ, Neusa Beringui, disse que o protesto foi muito além de um ato de rua. “Foi um grito coletivo que reafirmou que o Brasil pertence ao seu povo, em toda sua diversidade. Isso foi visto no domingo, em que jovens, adultos, homens, mulheres, trabalhadores e estudantes de diversas camadas sociais, estiveram juntos defendendo a soberania, visando lutar para que todos os brasileiros tenham seus direitos respeitados”, afirmou a dirigente.
“Quando vemos a população junto com o movimento social organizado é que fica evidente que a soberania só tem um sentido real com a presença do povo. Ontem mostramos que não há democracia forte sem participação popular”, ressaltou.
Não à extrema-direita – O também diretor do Sindicato, Sebastião de Souza, frisou que o ato foi muito além do esperado, com a presença massiva de dirigentes de diversas entidades numa unidade fundamental para dizer não à extrema-direita brasileira apoiada por Trump, e cobrar a punição de Jair Bolsonaro e os demais réus organizadores da tentativa de golpe de Estado. Aproveitou para enfatizar que a favela também tem que ser convocada.
Simone Santana, também diretora do Sindsprev/RJ, disse que o Sete de Setembro, no Rio, e nas demais 35 cidades, foi de muita representatividade em defesa da democracia e da soberania brasileira, contra a anistia aos golpistas e a favor dos direitos da classe trabalhadora. “O Dia da Independência, este ano, com várias manifestações por todo o país, foi muito importante para o nosso futuro. O Sindsprev/RJ reforçou a fala sobre a luta e valorização do Sistema Único de Saúde, o SUS. Não podemos admitir que políticos se aproveitem do momento que estamos passando e fiquem tramando contra o Brasil. Queremos o fim da escala 6X1, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e água e saneamento para todos”, afirmou.
“É vergonhoso a gente ver brasileiros com a bandeira dos Estados Unidos, país cujo governo está atacando o Brasil, pressionando pela suspensão do julgamento de Bolsonaro. Em 1964 os EUA mandaram a 4ª Frota no Rio Grande do Norte para apoiar o golpe militar. Desta vez estão usando de mentiras na interne e da pressão econômica via tarifas adicionais”, afirmou.
A extrema-direita fez um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, também no domingo. Ao contrário das manifestações progressistas, a dos fascistas defenderam a anistia para Bolsonaro e demais golpistas, e apoiaram os ataques do governo dos Estados Unidos. A traição ficou evidente com a exibição de uma grande bandeira dos EUA.

Atos pela democracia e contra a anistia
BA – Salvador | Campo Grande, às 9h
CE – Fortaleza | Praia do Futuro, às 8h
DF – Brasília | Praça Zumbi dos Palmares (CONIC), às 10h
ES – Espírito Santo | concentração na Praça Portal do Príncipe, às 8h30
GO – Goiânia | Praça do Trabalhador, às 8h30
MG – Belo Horizonte | Praça Raul Soares, às 9h
MS – Campo Grande | Cruzamento da rua 13 de maio com Dom Aquino, às 8h
PA – Belém | Concentração na Avenida. Mal. Hermes, 3 – Campina (Escadinha do cais do Porto), às 9h
PE – Recife | Parque 13 de maio, às 9h
PR – Curitiba | Rua Desembargador Oscar Carvalho e Silva, Vila Pantanal, às 09h
RS – Porto Alegre | Ponte de Pedra, Largo do Açorianos, 14h
RJ – Rio de Janeiro | Rua Uruguaiana com avenida Presidente Vargas (metrô), Centro, às 9h
RN – Natal | Praça da Flores, Petrópolis, às 9h
SC – Florianópolis | Parque da Luz, às 08h30
SE – Aracajú | Praça da Catedral Metropolitana de Aracajú, em meio ao desfile das escolas, às 09h
SP – São Paulo | Praça da República, às 9h
SP – Aparecida | concentração no porto e segue em caminhada até a basílica, a partir das 7h – (organização: Pastoral da igreja de Aparecida)


