A diretoria colegiada do Sindsprev/RJ lamenta o falecimento de Ofélia Maria de Oliveira, ocorrido nesta quarta-feira (16/07).
Servidora do Ministério da Saúde, Ofélia lutava contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva e irreversível que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle dos músculos.
O sepultamento será nesta sexta-feira (18/07), às 16h, no Cemitério Jardim da Saudade Sulacap. O velório será na Capela 4, de 13h às 15h30.
Ofélia Maria de Oliveira sempre teve expressiva presença nas lutas e mobilizações em defesa de uma saúde pública, gratuita, universal e de qualidade para todo o trabalhador.
Sebastião José de Souza, diretor do Sindsprev/RJ, ressaltou que Ofélia contribuiu muito para o Sindicato e todo o movimento social.
“Todo o sentimento em nome da unidade Sindsprev/RJ e Regionais. Ofélia foi importante para o movimento negro, para todo o levante de mulher preta. Foi mulher que, independente dos anos de vida, nunca se curvou perante o estado brasileiro. Tive o prazer de estar sempre com ela em várias frentes de batalha, enfrentando gás de pimenta e fechando rua”, lembrou.
O dirigente acrescentou que Ofélia deixou um legado como assistente social, profissional de saúde, dentro de um Hospital Federal.
“Além do legado como mãe, companheira, militante do campo da esquerda. Não essa esquerda que fala que é progressista. A esquerda que ela queria mudança. Ela queria fazer a coisa cirúrgica. Não cortina de fumaça. Fico aqui emocionado em falar de dona Ofélia. Frequentou a minha casa. Foi lá no morro do Estado dar palestra quando nós tínhamos um braço desse sindicato, o Sindsprev/Comunitário, que deu certo no morro do Estado”, comentou.
Sebastião lembrou de uma passagem triste no morro do Estado que serviu para Ofélia mostrar o seu lado guerreiro. Foi durante uma ação policial, quando um grupo de garotos entre 12 e 13 anos foi assassinado.
“Os moradores do morro estavam transtornados com a morte das crianças e resolveram descer o morro para protestar. A Ofélia estava na frente dessa passeata. Fomos até a porta de prefeitura e a Ofélia, com sua idade, seus cabelos brancos, passando para quela juventude a energia de manter a luta e falar: “Por mais que eles queiram nos matar, nós não vamos nos calar”. Nunca mais esqueci essas palavras. Parece que eu estou vendo ela descer aquela ladeira. Estou vendo ela descer o morro com pessoas que ela jamais conhecia. Com pessoas descendentes daqueles que vieram no navio negreiro como ancestrais dela. E ali foi um encontro. Eu brincava muito com ela, dizendo “Isso aqui foi um encontro do navio negreiro. Aqui tem vários que vieram no navio negreiro”. Que ela descanse em paz. Maria Ofélia sempre presente no coração dessa entidade, a qual ela ajudou a fundar e sustentou”, destacou o dirigente.
O professor e funcionário do Sindsprev/RJ, Júlio Cesar Condaque, também elogiou o legado de lutas de Ofélia em defesa da Seguridade Social.
“Ofélia entendia muito bem o papel dessa instituição e sua função. Primeiro de formação e a construção de uma organização dos servidores públicos na área de Seguridade Social. Ela me incentivou a fazer graduação e pós-graduação em História da Saúde. A gente foi parte de um elo bem estreito com a Fiocruz. Ela construiu esse departamento da Saúde do Trabalhador juntamente com o departamento que fazia estudo sobre a história da saúde e a Seguridade Social”, enfatizou.
Júlio Cesar lembrou que Ofélia esbanjava determinação no trabalho.
“A idade avançada não a incomodava em momento algum. Era um exemplo por onde passava. Ela ajudou a Fiocruz a fazer várias conferências de Saúde do Trabalhador. Produziu também um curso básico sobre a formação do servidor público em Saúde do Trabalhador, além de construir os primeiros debates sobre uma escola politécnica em saúde. Ela deixou um legado de luta na Seguridade Social do Rio de Janeiro. E no Brasil, ela era parte de uma equipe nacional de defesa do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). E ela, juntamente com outras pessoas, construiu uma luta coletiva em defesa da Educação e da Seguridade Social e Saúde. A nossa tarefa é dar visibilidade à luta de Ofélia. É importante que o seu legado faça parte da memória de nosso sindicato”, sugeriu.
Osvaldo Sergio Mendes, diretor do Sindsprev/RJ, disse que uma das preocupações diárias de Ofélia era quanto à saúde do trabalhador.
“Era uma mulher exemplar. Acompanhava todo o movimento em relação à saúde do trabalhador. Ofélia participou também da fundação da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev/RJ. Ela participava do coletivo negro do Sindicato, onde fazíamos todo um trabalho de relação ao povo negro, discriminação racial, idosos e homossexuais. A Ofélia foi pioneira nesse trabalho que ela sempre fez no Sindsprev/RJ”, elogiou.
Maria Ivone Suppo, diretora do Sindsprev/RJ, exaltou o trabalho de Ofélia Maria de Oliveira à frente do Sindsprev/RJ.
“Ofélia era exemplo de luta, fé e garra. Sempre lutou em defesa do SUS. Em defesa do conjunto de trabalhadores e trabalhadoras. Hoje temos um Departamento de Saúde do Trabalhador que a Ofélia deu o ponta pé inicial para a construção desse departamento. Ela sempre foi um exemplo a ser seguido e vai deixar saudade. Para mim, ela foi uma grande mestre”, disse emocionada.
A todos os familiares, amigos e colegas de trabalho de Ofélia Maria de Oliveira, nossos sinceros sentimentos. Ofélia Maria de Oliveira, presente!


