Francisco Araújo, agente de combate às endemias (ACE) e integrante do Departamento de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Sindsprev/RJ (DPSATT), elogiou a realização da 5ª Conferência Estadual de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, ocorrida dias 13 e 14 de junho. Ele destacou o interesse no empoderamento da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora (CISTT).
Segundo ele, uma das principais propostas aprovadas e encaminhadas para a Conferência Nacional foi “desenvolver Campanha Nacional e Interministerial de conscientização que promova a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora em parceria com a CISTT, sindicatos e associações de classe, para fiscalizar, monitorar e coibir práticas abusivas nas relações de trabalho”.
Francisco Araújo ressaltou também que essas práticas ocorrem especialmente em setores de alta informalidade, responsabilizando empresas por danos à saúde do trabalhador. O agente de saúde acrescentou a importância da articulação das instâncias de controle social na saúde do trabalhador, criando um fluxo de comunicação e informação para garantir a efetivação das propostas encaminhadas pela CISTT e aprovadas pela Conferência.
Francisco Araújo destacou ainda a oportunidade de conhecer as CISTTs de outros municípios.
“Quem não tem CISTT tem PST (Programa de Saúde do Trabalhador). Foi a oportunidade de conhecer a forma como eles trabalham. Ver como alguns estão engessados, deixando de fazer muitas políticas públicas para o trabalhador devido a interferências do gestor e congelamento de verbas porque não apresenta projeto. Tem esses entraves. Foi também a oportunidade de conhecer a regionalização das CISTTs. E também a importância do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST)”, comentou.
– CISTT significa Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora. É um grupo dentro do Conselho Municipal de Saúde que atua na área da saúde do trabalhador, promovendo ações de prevenção, tratamento e controle de doenças relacionadas ao trabalho.
A CISTT busca integrar ações de saúde do trabalhador entre diferentes setores, como saúde, trabalho e meio ambiente, além de acompanhar o desenvolvimento de políticas e programas relacionados à saúde do trabalhador, avaliando sua efetividade.
A CISTT é fundamental para garantir que a saúde do trabalhador seja uma prioridade no SUS, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e saudável.
A Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora (CISTT) trabalha em conjunto com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) para desenvolver e implementar ações de saúde do trabalhador.
– CEREST é um serviço especializado do Sistema Único de Saúde (SUS) que atua na prevenção, promoção e atenção à saúde dos trabalhadores, tanto urbanos quanto rurais, de setores públicos ou privados, incluindo aqueles com vínculos formais ou informais. Esses centros são parte da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) e visam reduzir a morbimortalidade relacionada ao trabalho.
O CEREST oferece atendimento especializado a trabalhadores com doenças ou agravos relacionados ao trabalho, buscando a recuperação e reabilitação, além de monitorar e investigar as condições de trabalho, identificando riscos e realizando ações de prevenção e controle.
O CEREST promove ações educativas para trabalhadores, empregadores e profissionais de saúde sobre saúde do trabalhador.
O CEREST realiza consultas, exames, acompanhamento e tratamento de trabalhadores com problemas de saúde relacionados ao trabalho. E mais:
Realiza inspeções, avalia riscos e propõe medidas de prevenção e controle de acidentes e doenças ocupacionais;
Apura as causas e circunstâncias de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, visando à prevenção de novos casos;
Desenvolve e implementa projetos e campanhas de prevenção e promoção da saúde do trabalhador;
Contribui para a redução de doenças e acidentes de trabalho.
– A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) é uma estrutura essencial no Sistema Único de Saúde (SUS) dedicada à promoção, prevenção, assistência, e reabilitação da saúde dos trabalhadores. Constituída a partir de Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), unidades de saúde, controle social, academia e outros, a RENAST se organiza territorialmente, visando a integração e coordenação entre diferentes níveis de atenção à saúde. Ela emerge como resposta às demandas por uma atenção integral à saúde do trabalhador, articulando-se diretamente com a política nacional dedicada a esta área, em busca de efetivar práticas de saúde que considerem as peculiaridades do ambiente laboral e seus impactos na saúde.
Francisco Araújo considera fundamental o fortalecimento e monitoramento do CEREST.
“São programas que devem ser instituídos e precisam do controle social presente: população, profissionais de saúde e gestores têm que estar unificados nesse momento para poder avançar na saúde do trabalhador”, analisou.
Mesmo elogiando o conteúdo da Conferência de Saúde, o agente sentiu falta de uma discussão maior em torno da Inteligência Artificial.
“A Inteligência Artificial é uma realidade e vem ocupando seu espaço. Temos que fazer uma análise de como serão esses impactos daqui para frente. Em relação aos profissionais de saúde, o que vai ajudar, no que pode prejudicar. Não vi muita ênfase nessa questão. É necessário uma análise mais profunda”, avaliou.
Francisco Araújo elogiou o debate sobre saúde mental na Conferência.
“A saúde mental deve estar sempre em pauta. A saúde mental não afeta só o servidor concursado. Afeta o celetista, o terceirizado, o pejotizado. Afeta todo mundo. Se não tiver políticas de enfrentamento vai ter sempre a rotatividade e não vai resolver o problema do trabalhador que será cobrado sobre metas, assédio moral, sexual. Várias situações que levam ao adoecimento desse trabalhador”, apontou.
Francisco Araújo acrescentou que, diante disso, o trabalhador procura a porta de entrada no município que é a unidade de saúde, que vai avaliar se o problema condiz com a saúde do trabalhador.
“Dentro do município tem a rede que vai dar suporte ou não. O trabalhador tem que saber como é esse fluxo. Esse trabalho é da CISTT e do CEREST. Orientar o trabalhador, qual é o fluxo do município, o que fazer. Parece simples, mas não é. Os municípios têm suas particularidades. Tem município que implanta bem o trabalho, mas têm outros que deixam muito a desejar. Essa questão da saúde mental foi bom debate e acredito que tenham boas propostas para chegar à Conferência Nacional e melhorar essa demanda. Passa por estudo, aprimoramento e capacitação”, enfatizou.
Outra discussão que chamou a atenção do agente foi sobre acidente de trabalho.
“Você não pode só caracterizar o acidente grave como acidente de trabalho. Tem acidente que não é tão grave, mas deve ser colocado dentro do sistema. Esses acidentes são catalogados, mas um acidente que é mais grave tem que ter um olhar diferenciado. Acidentes sempre irão existir, mas não pode colocar um na vitrine e o outro não. Tem que sempre tratar de forma igual de investigação, procurar que o acidente não se torne tão frequente. Isso é papel da CISTT, das Cipas (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). As Cipas são uma forma de controle. São ferramentas que muitas vezes o trabalhador não usa porque falta capacitação que não chega e o trabalhador sofre todo tipo de assédio, de adoecimento e não sabe que uma Cipa seria uma forma de amenizar esse ambiente agressivo do trabalho”, explicou.
– Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) é um grupo formado por representantes do empregador e dos empregados, com o objetivo de prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, promovendo um ambiente laboral mais seguro e saudável. A Cipa atua na identificação de riscos, na elaboração de medidas de proteção e na conscientização dos trabalhadores sobre segurança e saúde no trabalho.


