Ar-condicionado sem funcionar, banheiros em estado precário, bebedouro quebrado e um calor insuportável para servidores e segurados. Menos de dois meses após o Sindsprev/RJ ter visitado a APS Nilópolis do INSS, foi esta a lamentável situação que o sindicato novamente encontrou ao voltar à mesma agência, na manhã desta quarta-feira (26/3). Sem janelas para circulação do ar e com apenas uma porta de entrada e saída, a APS Nilópolis é hoje o mais completo retrato do sucateamento de instalações e infraestruturas na autarquia.

A situação da APS Nilópolis é hoje semelhante à de várias outras agências do INSS, o que na prática desmente promessa feita em 27 de fevereiro deste ano por Alessandro Stefanutto. Na ocasião, em resposta a cobranças feitas pelo Sindsprev/RJ, o presidente do INSS chamou para si a responsabilidade de solucionar os graves problemas de infraestrutura das APS no Estado do Rio de Janeiro. Stefanutto também disse que, quando não houvesse condições de atingir metas por causa de deficiências nas condições de trabalho e equipamentos, seria possível que tal situação fosse justificada sem acarretar penalidades ao servidor no âmbito do novo PGD. “Nada do que foi prometido foi efetivamente implementado. É hora de mudar esta situação, e para isto precisamos questionar o Alessandro Stefanutto e também o titular da Superintendência Regional Sudeste III do INSS, Marcos Fernandes. É preciso uma imediata campanha pelo fora Stefanutto”, disse Irineu Santana, dirigente do Sindsprev/RJ que acompanhou a visita a Nilópolis.

Grande sofrimento para segurados e servidores da APS Nilópolis
A exemplo da anterior — realizada em fevereiro deste ano —, na visita desta quarta (26) o calor no interior da agência continuava insuportável, apesar de já estarmos no outono. O desconforto causado pela falta de climatização é tão grande que, recentemente, os médicos peritos lotados na APS Nilópolis suspenderam o atendimento presencial, passando a exercer suas funções por meio de canais remotos.
Durante a visita desta quarta (26), foram constantes as reclamações de segurados, muitos obrigados a se abanar como forma de amenizar o intenso calor. Em fala direcionada a eles, Carlos Vinícius Lopes, dirigente do Sindsprev/RJ que também esteve na APS Nilópolis, explicou o objetivo da visita do sindicato, frisando que objetivo é lutar pela melhoria geral das condições gerais de atendimento.

“Aqui são péssimas as condições. Tem muito calor, a agência é sem janela, sem água e com muita gente passando mal. Eu mesma já passei mal hoje”, disse a segurada Vera Lúcia Alvim, há mais de 25 dias aguardando benefício de aposentadoria por idade.
“Vamos propor paralisação de 24h”, afirma dirigente do Sindsprev-RJ
A reportagem do Sindsprev/RJ contou 8 ventiladores utilizados pelos servidores da APS Nilópolis. Enquanto isto, continuavam no chão, encaixotados, os mesmos aparelhos de ar-condicionado já identificados pelo sindicato durante a visita ocorrida em fevereiro. Aparelhos ainda não instalados devido à não-contratação emergencial, pela administração pública, de uma empresa especializada nesse tipo de serviço.
“O que está acontecendo em Nilópolis é inaceitável e um verdadeiro absurdo. É impossível que os servidores continuem exercendo suas atribuições sob tamanhas precariedades. O que também prejudica todos os segurados. Vamos em breve propor paralisação de 24h para sinalizar à gestão do INSS o descontentamento dos trabalhadores da autarquia com esta situação. Também vamos denunciar esta situação ao Ministério Público do Trabalho e ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador [Cerest]”, frisou Carlos Vinícius Lopes.

Visita a Irajá também mostrou grandes precariedades
No último dia 13/3, dirigentes do Sindsprev/RJ e a equipe de reportagem do sindicato estiveram na APS Irajá, uma das maiores e mais importantes do INSS no Estado do Rio. Como ocorrido nas duas visitas a Nilópolis, em Irajá também constatou-se grande precariedade: ar-condicionado funcionando apenas parcialmente, mobiliário quebrado ou inadequado para os servidores exercerem suas atividades, infestação de baratas e quedas constantes nos sistemas de gerenciamento e concessão de benefícios, os chamados ‘incidentes’.
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“A precariedade do INSS e o sofrimento da população são resultado de uma política equivocada do governo e a APS Nilópolis é o caos do caos, com bebedouros que não funcionam e muito calor. O governo diz que vai resolver os problemas, mas não é verdade. Queremos que os servidores entendam como o governo não pratica aquilo que ele vem prometendo. Em Irajá e outras agências, por exemplo, estamos recolhendo todas as denúncias encaminhadas pelos servidores, para pressionar o governo por uma solução. Veja que os peritos não aguentaram esta situação e partiram para o trabalho remoto. Vamos propor uma paralisação para que o governo entenda o quanto ele vem destruindo o INSS”, ressaltou Sidney Castro, dirigente do Sindsprev/RJ que acompanhou a visita à APS Nilópolis.
