A CNS enviou na última terça-feira (15) quatro ofícios a entidades sindicais que representam servidores públicos federais pedindo apoio institucional para pressionar a operadora Geap a regularizar pagamentos atrasados à rede de prestadores, segundo reportagem do Pipeline, site de negócios do Valor Econômico. Os ofícios endereçados ao Sindsprev-PB, ao Sinssp, à Fenasps e à Condsef/Fenadsef apontam “iminente risco de colapso no atendimento” aos beneficiários da operadora.
Os ofícios, assinados pelo presidente da CNS, Breno Monteiro, relatam que a confederação vem recebendo de forma “crescente e reiterada” queixas de hospitais, clínicas e laboratórios vinculados sobre inadimplência da Geap. A reportagem aponta que os conteúdos convergem para atrasos prolongados nos repasses, pagamentos parciais de faturas vencidas, descontos não previstos em contrato e alta anormal nas glosas — recusas de pagamento por procedimentos já realizados —, usadas, segundo os prestadores, como forma de adiar obrigações já líquidas.
Em julho, hospitais de referência em ao menos 10 estados suspenderam, encerraram ou limitaram o atendimento a beneficiários da Geap por causa dos atrasos e do aumento das glosas, incluindo o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Rede D’Or.
A reportagem cita ainda que o percentual de recusas de pagamento pela Geap saltou de 5,8%, no primeiro semestre de 2025, para mais de 14% no segundo semestre, segundo a ANS.
Procurada, a CNS confirmou os ofícios. “Chamar a atenção de um sindicato é alertar os beneficiários, aos quais não temos acesso diretamente, sobre informações preocupantes que não param de chegar da rede da Geap no país todo”, diz Monteiro, presidente da confederação. Segundo ele, a união dos sindicatos tem poder para pressionar a operadora sobre regularizações com a rede, sob alternativa de portabilidade das carteiras.
“A gente tem recebido esses relatos de atrasos de pagamento e recusas de atendimento ao longo último ano, e nos preocupa pelo perfil do beneficiário da Geap e também porque há regras para substituição de prestadores de serviço, que devem ser equivalentes ao que o paciente já tinha acesso”, emenda Monteiro.
A carteira da Geap é composta, em proporção expressiva, por aposentados e beneficiários de faixas etárias mais altas, incluindo pacientes crônicos e oncológicos, para os quais a interrupção de acesso representa risco à continuidade do tratamento, destaca a confederação. Os ofícios mencionam o art. 17 da Lei nº 9.656/1998, que condiciona a substituição de prestadores da rede à equivalência do substituto, como base para o alerta sobre o risco de descontinuidade assistencial.
“Não resta alternativa que não o enfrentamento emergencial à crise posta, sob pena de que o cenário se deteriore a tal ponto de não haver mais chance de retorno à normalidade, impactando o funcionalismo e suas famílias como jamais vista antes”, escreveu a CNS nas cartas.
A Geap é uma entidade de autogestão criada em 1945 para atender servidores do sistema de seguridade social, hoje acessível por meio do Convênio por Adesão nº 001/2024, firmado com a União via Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Procurada pela reportagem, a Geap refutou crise financeira ou falta de compromisso com os beneficiários e com a rede credenciada, que afirma estar em expansão e na maior base histórica. “A Geap informa que sua operação e atendimento aos seus mais de 420 mil beneficiários segue normalmente em todo o Brasil e reafirma o seu cumprimento contratual com a rede credenciada de fornecedores, informando que os serviços prestados e comprovados, de acordo com os contratos de parceria, têm sido pagos regularmente”, afirma a companhia.
“A solidez operacional garantiu à Geap Saúde realizar, nos últimos meses, a maior expansão de rede de sua história. Com mais de 80 anos de atuação, a Operadora, por meio de parcerias estratégicas e de reciprocidade com Unimed Nacional (CNU), CASSI, Amil Total Care e Hapvida, passa a contar com mais de 160 mil prestadores credenciados em todo o país — entre clínicas, médicos, laboratórios e hospitais —, o que a torna, hoje, uma das maiores redes de atendimento do Brasil, com a maior capilaridade de toda a sua história”, afirma a operadora.
Segundo a Geap, o crescimento da rede credenciada chegou a 334% na região Norte, 512,1% no Nordeste, 1.181% no Centro-Oeste, 1.522% no Sudeste e 1.770% no Sul. “A Geap reforça ainda que sua rede é aceita em 78 dos 120 melhores hospitais do Brasil listados no ranking World’s Best Hospitals 2026 — o equivalente a 65% da lista —, reafirmando o compromisso da operadora com o acesso a atendimento de alta complexidade e qualidade em todo o território nacional”, complementa a empresa em nota.

