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sexta-feira, outubro 23, 2026
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Ato em São Paulo protesta contra censura da Meta sobre Lula e seus apoiadores

Manifestantes protestaram na segunda-feira (20/10), contra a censura que a Meta vem impondo à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, seus apoiadores e canais jornalísticos que denunciam o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro. Organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, o ato levou às ruas o alerta: “Meta, não se meta na nossa eleição”.

A mobilização ocorreu após uma sucessão de perfis banidos, publicações removidas, quedas repentinas de alcance e bloqueios de funcionalidades sem explicações claras, além de impulsionamentos negados diversas vezes à campanha do presidente Lula. Para os organizadores, a atuação da empresa, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, é visto como uma interferência direta nas eleições do Brasil e uma ameaça o debate público e as condições de igualdade na disputa eleitoral ao restringir o acesso da população a conteúdos políticos.

Além de representantes de sindicato, centrais sindicais, diversas entidades da sociedade civil da manifestação participaram jovens, ativistas digitais e influenciadores. A diversidade dos participantes e os relatos de censura demonstraram que os questionamentos à empresa alcançam diferentes setores da sociedade.

Meta apoia abertamente Donald Trump e seus aliados – O uso dos dados da população por empresas estrangeiras para manipular o debate público exige uma resposta da sociedade. Estas empresas estão fora do Brasil, apoiam abertamente o Donald Trump, estão usando os dados da população brasileira contra ela mesma.

Presente no ato, Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, também denunciou o bloqueio do canal da entidade no WhatsApp. Segundo ela, o sindicato questiona a medida, mas não recebe uma resposta concreta sobre os motivos da restrição.

Para Neiva, a mobilização ultrapassa o caso dos bancários e expressa solidariedade às entidades e pessoas que tiveram seus perfis punidos, censurados ou banidos sem explicações. “Nós não podemos permitir que uma empresa, qualquer que seja, interfira nas eleições”, afirmou. “As eleições no Brasil são livres, a gente não aceita interferência externa, é uma questão do povo brasileiro.”

Meta se recusa a receber notificação – Durante o protesto, as entidades tentaram entregar uma notificação extrajudicial dirigida a Conrado Leister, diretor da Meta no Brasil. Segundo os organizadores, a empresa se recusou a receber o documento. A previsão é encaminhá-lo digitalmente, em uma ação de massa.

A notificação cobra transparência sobre as decisões de moderação, reparação dos danos atribuídos à empresa e canais efetivos de contestação para pessoas e organizações atingidas. Também exige o fim da redução seletiva de alcance sem aviso aos usuários, prática conhecida como shadowban.

Os participantes questionaram ainda a falta de proteção a grupos minoritários, a circulação de discursos de ódio e o favorecimento de conteúdos de direita pelos sistemas de recomendação.

As denúncias colocam em discussão o poder de uma empresa privada de definir, sem transparência suficiente, quais vozes conseguem alcançar a população. Durante uma eleição, bloquear perfis, reduzir a circulação de publicações e impor obstáculos à divulgação de propostas pode comprometer a participação política e o acesso às informações necessárias à escolha do voto.

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