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terça-feira, outubro 6, 2026
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Flávio e Lula lutam pela vitória no segundo turno

Ao contrário do que mostravam todas as pesquisas, o presidente Lula não vai para o segundo turno na frente do senador Flávio Bolsonaro. O número recorde de eleitores que não foram às urnas, que se abstiveram, foi um dos principais fatores que levaram a definição da eleição para presidente para o segundo turno, em 25 de outubro.

A diferença entre os dois foi pequena: com 100% das urnas apuradas, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente teve 45,16%, uma distância de 1,87 ponto percentual, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É a menor diferença já registrada em um primeiro turno de eleição presidencial desde a redemocratização.

Em número de votos, a diferença entre Lula e Flávio nestas eleições foi de cerca de 2,2 milhões. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois disputarão o segundo turno. O número de abstenções chegou a mais de 32 milhões de votos, cerca de 21% do total.

Na chamada “terceira via”, Augusto Cury (Avante) teve 2,89% dos votos válidos, enquanto Renan Santos (Missão) somou 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%. Além deles, também disputaram as eleições Romeu Zema (Novo, com 0,27% dos votos), Samara Martins (UP, com 0,10%), Hertz Dias (PSTU, com 0,04%), Clariana Barão (DC, com 0,03%), Edmilson Costa (PCB, com 0,02%), Rui Costa Pimenta (PCB, com 0,01%) e Wilson Grassi (Democrata, com 0,01%).

Os candidatos da direita Cury, Renan e Caiado, ao contrário do que se esperava, pela proximidade ideológica, anunciaram que não vão apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Liberaram os seus eleitores para decidirem em quem votar. Outro da direita, Romeu Zema, declarou o seu voto em Bolsonaro.

Projetos se opõem – O programa dos principais candidatos – Lula e Flávio – são opostos. A coordenadora econômica da campanha do filho de Jair Bolsonaro, Daniela Marques, disse em entrevista que o candidato da extrema-direita seguirá o projeto econômico de Javier Milei, presidente que jogou a Argentina num caos econômico e social.

Flávio promete cortar recursos para o setor público, sobretudo nas áreas sociais, suspender o contrato dos servidores com menos de um ano de contrato, aprofundando o ajuste fiscal. Para isto, Milei com seu programa econômico, que apelidou de “Motosserra”, cortou o valor de aposentadorias e de programas sociais. Flávio deverá acabar com o aumento real para o salário mínimo e aposentadorias com este valor, além de privatizar as estatais. Se eleito, retomará a PEC 32, de autoria de Jair Bolsonaro, a chamada reforma administrativa, que retira direitos dos servidores federais, estaduais e municipais, desmantelando e privatizando o serviço público.

Daniela disse que Flávio vai voltar o seu olhar para a reforma da Previdência. O que significaria retomar os pontos da reforma já feita por Jair, não aprovados pelo Congresso Nacional, como o fim da contribuição patronal e dos trabalhadores para a Previdência Social, e a criação do regime de capitalização, em que somente o trabalhador descontaria para uma conta individual administrada pelos bancos, em que o tempo de pagamento da aposentadoria e pensões dependeria do resultado final da aplicação financeira destas contas.

O objetivo é enriquecer ainda mais os banqueiros e drenar recursos públicos para o pagamento dos juros da dívida interna que o governo tem com os bancos. Visa atender os interesses do mercado financeiro e dos demais grandes especuladores nacionais e estrangeiros. Foi este motivo que fez com que a Bolsa de Valores atingisse recorde de negócios e de valorização das ações a partir do anúncio dos resultados da eleição do primeiro turno e o real se valorizasse fortemente.

Como candidato do mercado financeiro, ele deverá colocar em ação o projeto chamado de “Nova Previdência” que vem sendo proposto por economistas neoliberais, grandes empresários e banqueiros. A proposta unifica em 67 anos a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres. Pela regra geral atual, a idade é de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. Veja mais no fim deste texto.

O programa de Lula prevê o aumento dos investimentos públicos, principalmente nas áreas da educação e da saúde. A ampliação de importantes programas sociais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Fies, o Pé de Meia, o Pró-Uni (Universidade para Todos), Farmácia Popular e o Desenrola, entre outros. Promete, ainda, fazer mudanças importantes como a reforma do Judiciário e a reforma política.

A divergência também é total na proposta de política externa: Flávio propõe a submissão total do Brasil aos Estados Unidos, com o controle das riquezas naturais, terras raras e petróleo, principalmente, pelo governo Trump. O que transformaria o país numa nova Venezuela.

Já Lula defende um Brasil independente dos EUA, que amplie a educação da população, a criação de tecnologia nacional, sobretudo na área da Tecnologia da Informação, além de fortalecer a independência comercial com escolha de diversos parceiros internacionais, ampliando a sua importância mundial, sobretudo no grupo de países que formam o Brics (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul).

Alguns pontos da nova reforma da Previdência

– Aumento da idade para 67 anos tanto homens, quanto mulheres.
– Retirada de idosos que não contribuíram durante a vida do BPC (esses passariam a receber apenas 60% do valor do salário mínimo).
– Inserção da proposta da capitalização.
– Desindexar o reajuste do BPC do salário mínimo.

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