Neste 11 de setembro de 2026, lembramos um triste acontecimento ocorrido há exatos 53 anos: o golpe militar que, em 11 de setembro de 1973, derrubou o governo do presidente Salvador Allende. Golpe apoiado pelos Estados Unidos e países europeus. Uma longa noite que durou 17 anos e marcou uma das mais sanguinárias e brutais ditaduras da história na América Latina. Regime assassino comandado pelo general Augusto Pinochet.
Durante a ditadura chilena, mais de 3 mil pessoas foram assassinadas sob tortura pelos órgãos de repressão e pelo exército chileno. A ditadura chilena também torturou e matou milhares de outros militantes, dentro e fora do país. No exterior, o regime contou com a colaboração das ditaduras da Argentina, do Uruguai e do Brasil, que montaram a famigerada ‘Operação Condor’, destinada a perseguir militantes de esquerda em outros países.
No dia do golpe militar comandado pelo general Augusto Pinochet, tropas do Exército cercaram e bombardearam o Palácio de La Moneda, que também foi alvo da aviação chilena. Sitiado em La Moneda pelas tropas golpistas, o presidente Salvador Allende, após horas de heroica e brava resistência, cumpriu sua promessa de ‘governar até o fim’ e ‘não renunciar ao mandato que o povo chileno lhe dera’. Suicidou-se na tarde do mesmo dia 11/9, mas sem entregar-se aos fascistas que o combatiam.
Milhares de pessoas foram presas e torturadas nas primeiras horas após o golpe. Transformado em centro de torturas e execuções, o Estádio Nacional do Chile foi palco da destruição, física e psicológica, do cantor e compositor comunista Victor Jara, entre vários outros militantes que tiveram suas vidas ceifadas pela ditadura.
O apoio dos governos dos Estados Unidos e outros países imperialistas ao golpe militar liderado pelo general Pinochet foi motivado pelas políticas econômicas e sociais implementadas por Salvador Allende. Políticas que contrariaram frontalmente os interesses de poderosas corporações norte-americanas e europeias que há séculos exploravam os recursos naturais do Chile e deixavam sua população na mais absoluta miséria.
Entre outras medidas, as políticas econômica e social praticadas pelo governo de Salvador Allende (1970-1973) nacionalizaram as minas de cobre, a Companhia de Aços do Pacífico (CAP), promoveram a reforma agrária e estimularam, em Santiago e outras cidades importantes do país, como Valparaíso, a formação dos chamados ‘cordões industriais’: organismos controlados diretamente por operários, camponeses e militantes com a finalidade de ‘integrar’ e ‘garantir’ a produção do país, constantemente sabotada por locautes (greves patronais) de caminhoneiros e outros setores estratégicos, financiadas por organizações empresariais e pelo governo dos EUA, através da CIA. A produção de alimentos e o abastecimento das cidades e do campo chileno eram constantemente sabotados por empresários, fazendeiros e grandes financistas que também estimulavam a crítica ao governo socialista entre setores da classe média cada vez mais descontente.
Produto de uma coalizão de forças progressistas e de esquerda com segmentos pequeno-burgueses e de parte da classe média chilena, o governo de Salvador Allende ascendeu ao poder pelo voto e tinha como base a chamada Unidade Popular, que incluía os partidos Socialista e Comunista e o Movimiento de Izquierda Revolucionária (MIR), entre outras organizações.
Além dos cordões industriais, o governo Allende estimulava a formação de comunidades agrícolas responsáveis pela discussão, junto aos camponeses, da necessidade de uma reforma agrária controlada pelos trabalhadores e com a produção voltada para as necessidades sociais e econômicas do país.
Uma das principais discussões que se fazia à época do governo Allende era a da ‘via chilena para o socialismo’, segundo a qual era possível, através de sucessivas reformas econômicas e sociais, alterar as estruturas da sociedade chilena sem a necessidade de uma insurreição ou guerra revolucionária.
Três semanas antes do golpe militar, e após mais um locaute de caminhoneiros, Pinochet fora nomeado por Allende comandante do Exército Chileno, seguindo conselhos do general Carlos Prats (posteriormente assassinado pela ditadura), que o considerava ‘um militar leal’ às instituições.
Foi o golpe de misericórdia para o governo Allende. Cada vez mais debilitado econômica e politicamente, o governo foi pouco a pouco sendo minado. À direita, pela preparação do golpe em gestação, e que teve em Pinochet um de seus principais articuladores. À esquerda, pela perda de autoridade ante processos — como os cordões industriais, as assembléias populares e as comunas campesinas — que já não controlava mais. O governo Allende pereceu em 11 de setembro de 1973, sem que pudesse articular uma resistência popular em larga escala.
No plano econômico, após a derrubada de Salvador Allende, a ditadura chilena reverteu todas as principais medidas e políticas nacionalizantes do governo deposto, abriu a economia chilena às multinacionais e estabeleceu relações de total subserviência aos EUA e ao imperialismo. Em certo sentido, muitas das medidas ultraliberalizantes na área econômica, e que posteriormente seriam adotadas em outros países latino-americanos, foram experimentadas no Chile de Pinochet.
Uma das situações mais absurdas sobre a morte de Pinochet é sem dúvida o fato de o ditador não ter ido a julgamento pelas atrocidades que cometeu após ter derrubado Allende.

