Sílvio José da Silva Marques, conhecido no mundo das lutas como Sílvio Pantera, condenado injustamente por roubo seguido de tentativa de latrocínio, foi declarado inocente. A Justiça reconheceu que o lutador tem direito a receber indenização por ter passado quase seis anos, de 2016 a 2022, preso por um crime que ele não cometeu.
No último dia 3, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou o pedido de indenização por danos morais feito pelo lutador. Pantera chegou a ouvir do relator do caso, o desembargador Marco Antônio Ibrahim, que ele passou apenas por um “dissabor”. No último dia 6, o desembargador reconheceu que a decisão anterior tinha contradições e não estava de acordo com a Constituição, e por isso voltou atrás.
A decisão faz parte de uma história que envolve erro judicial, reconhecimento equivocado e os impactos que uma condenação injusta pode provocar na vida de uma pessoa. Silvio Pantera foi condenado a 16 anos pelo crime de tentativa de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.
Atualmente, Silvio Pantera trabalha como entregador por aplicativo e dá aulas de boxe para crianças de comunidades da Zona Oeste do Rio.
Osvaldo Sérgio Mendes, da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ, elogiou o desembargador por ter reconhecido o erro.
“A decisão do desembargador foi uma vitória salutar para o movimento negro, para os negros e a sociedade. A maioria dos negros do Brasil são tratados desse jeito: Condenados injustamente e mortos injustamente. Parabéns ao desembargador por reconhecer a inocência de um cidadão do bem”, exaltou.
Entenda o caso
Em novembro de 2015, um assalto aconteceu em Irajá, na Zona Norte do Rio. A vítima foi esfaqueada e o carro levado pelos criminosos. Testemunhas contaram à polícia que uma mulher e dois homens cometeram o crime.
No momento do roubo, a 30 quilômetros dali, Sílvio chegava para mais um dia de treino. Nem o registro da catraca da academia foi suficiente para livrar o lutador da acusação.
O nome de Sílvio José da Silva Marques entrou na investigação por um simples motivo: ele conhecia a mulher acusada pelo crime e no celular dela a polícia encontrou fotos do lutador.

