“Só haverá mais Estado Democrático de Direito a partir de uma outra universalidade, que considere as lutas e demandas da comunidade LGBT, pessoas trans, pessoas negras e mulheres, para fortalecermos a consciência de que a sociedade é diversa”. Com esta ideia, a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) encerrou a plenária sobre seu mandato realizada na noite desta terça-feira (4/8), no auditório do Sindsprev-RJ.
Além de Dani Balbi, participaram do evento as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ), a vereadora de Niterói Benny Prioli (PT-RJ), dirigentes e servidores da base do Sindsprev/RJ, representantes da UFRRJ, do Município do Rio e da Unegro, entre outras entidades.

Na mesa de abertura, Jandira Feghali fez o principal discurso de saudação à plenária. “Esse movimento é de ousadia para questionar os paradigmas de normalidade. É por isso que, no Congresso Nacional, batalhamos por todas as pautas LGBT. E Dani Balbi é expressão de luta que nos estimula a nos enxergarmos como sujeitos de direitos. O Brasil é o país que mais mata LGBTs e precisamos enfrentar isto”, frisou, sob aplausos.
A pró-reitora de assuntos estudantis da UFRRJ, Joyce Alves da Silva, primeira mulher trans a ocupar um cargo desta magnitude na universidade pública brasileira, reconheceu o apoio do mandato de Dani Balbi à implementação de cotas nas universidades, incluindo cotas para pessoas trans. No entanto, estabeleceu uma diferenciação. “Trabalhamos com pautas sociais, e não identitárias. Por isso queremos cotas nos concursos públicos, pela empregabilidade da população trans, cotas na graduação e pós-graduação”, afirmou.

Em sua fala, a deputada Enfermeira Rejane homenageou a trajetória de Dani Balbi. “Essa mulher potente [Dani Balbi] transformou o Rio de Janeiro. Ela faz a diferença. Um mandato que faz reflexão sobre a situação do país, e não apenas sobre pauta identitária. Ela tem um compromisso com a classe trabalhadora, com as mulheres e a população negra. Nossa pauta é de enfrentamento aos neoliberais e ao governo Trump, que quer impor a retirada de direitos e recolonizar os países da América Latina. A população trans está morrendo. Uma população que não está somente nas áreas mais valorizadas das cidades, mas também está na periferia. LGBTQIAPN+ é um movimento pró-vida e pró-amor”, completou.
Num discurso em que tentou sintetizar as principais linhas de seu mandato, Dani Balbi fez a fala mais esperada do evento. “Desde 2018, vivemos um retrocesso e temos reafirmado a necessidade de reunirmos forças para lutar pelos nossos direitos. Não há contradição entre a luta contra o Capital e o neoliberalismo e a luta em defesa das pessoas trans, negras e mulheres. Não há como lutar por um sistema de segurança que não nos extermine se não pensarmos na população em toda a sua diversidade. E o mesmo vale para a questão da saúde”, ressaltou a parlamentar.


