Com expectativa de 15 mil pessoas de vários municípios, a 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro será realizada no próximo domingo (26), em Copacabana. A concentração terá início às 10h, na altura do Posto 2, integrando a programação do Julho das Pretas com o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver”.
O ato público integra o calendário nacional em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
Maria Ivone Suppo, da Secretaria de Organização do Sindsprev-RJ, convocou todas as mulheres para a Marcha das Mulheres Negras.
“Fundamental essa participação porque é uma forma de denunciar tudo que vivenciamos nesse país. Nós, enquanto mulheres negras, não temos o lugar que deveríamos ter. Somos discriminadas no dia a dia. Se você pesquisar onde tem o maior número de feminicídio são de mulheres negras que são mortas. Essa marcha é para mostrar que nós fazemos parte da democracia. Porque essa democracia que tanto falamos, tanto defendemos, nós, enquanto mulheres negras estamos dizendo basta de racismo, basta de feminicídio, basta de desigualdade. Temos direito a reparação, temos direito ao bem viver. Temos direito de ocupar o nosso espaço nessa sociedade de forma justa, digna e igualitária”, comentou a dirigente sindical.
A escolha do bairro de Copacabana tem um significado especial para o movimento. Segundo o Fórum Estadual de Mulheres Negras, organizadora do evento, o local é historicamente marcado por desigualdades, onde muitas mulheres negras trabalham como empregadas domésticas. Marchar na orla é uma forma de reconfigurar o espaço público e disputar visibilidade no território.
Entre as bandeiras da marcha estão a defesa da PEC da Reparação, o fim da escala de trabalho 6×1, a oposição à redução da maioridade penal e o acesso à saúde, à educação e ao trabalho digno. As pautas são construídas pelas próprias mulheres negras a partir de suas experiências cotidianas com o racismo.
Além do caráter político, a programação inclui manifestações culturais como jongo, samba, feira de artesãs, atividades infantis e expressões ligadas às religiões de matriz africana, sendo elementos que, segundo a organização, reforçam a ancestralidade que sustenta o movimento.
A marcha estadual existe desde 2015, um ano depois da primeira edição nacional do ato, realizada em Brasília com a participação de cerca de 100 mil mulheres. O movimento já virou tradição no município do Rio de Janeiro. O movimento nunca deixou de ocupar as ruas, mesmo durante a pandemia, quando duas edições foram realizadas de forma virtual. A continuidade da marcha está diretamente ligada à persistência do racismo estrutural no país.

