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sexta-feira, março 6, 2026
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Ato unificado no Rio denuncia agressão imperialista dos EUA contra Venezuela

Servidores públicos, categorias de trabalhadores de estatais e do setor privado, sindicatos, militantes de movimentos sociais e de partidos políticos de esquerda repudiaram nesta segunda-feira (5/1) a agressão militar promovida pelos Estados Unidos (EUA) contra a Venezuela. Agressão que, no último sábado (3 de janeiro), resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e de sua esposa, Cília Flores, levados à força para “julgamento” nos EUA.

A concentração para o ato unificado começou às 16h, em frente às escadarias da Câmara Municipal do Rio (Cinelândia). Do alto de um carro de som, militantes das organizações presentes se revezaram em discursos que repudiaram amplamente a inaceitável ação imperialista promovida pelo governo de Donald Trump. Por volta de 18h, os manifestantes seguiram em passeata até a sede do Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, na Av. Presidente Wilson (Centro), onde o ato foi encerrado com a queima da bandeira norte-americana.

“Repudiamos o sequestro e a prisão do presidente Maduro e exigimos a imediata libertação dele e de sua esposa, a combatente Cília Flores. Estamos aqui, na Cinelândia e em outros lugares, para dizer que não é possível aceitar passivamente que uma nação imperialista entre no solo soberano da Venezuela, sequestre um presidente legitimamente eleito e tome de assalto as riquezas daquele país. Estamos vigilantes porque todas as ocupações promovidas pelos Estados unidos sempre foram realizadas em prejuízo da classe trabalhadora, das mulheres e da juventude. Precisamos unir nossas vozes no mundo inteiro para rechaçar esta agressão”, afirmou Paulo Sergio Farias, presidente da CTB-RJ.

Sindsprev-RJ presente no ato que repudiou agressão imperialista à Venezuela. Foto: Magá.

Críticas à política conciliatória do governo Lula com os EUA

A manifestação também teve falas de críticas à política externa do governo Lula (PT), considerada por muitos militantes como subserviente ao governo dos Estados Unidos.  “O que aconteceu no último dia 3 de janeiro, com o sequestro criminoso de Nicolas Maduro, legítimo presidente da Venezuela, foi indicativo de uma nova etapa do imperialismo em nível mundial. O que se trata é de uma nova política de acumulação primitiva para apropriação de riquezas, promoção de genocídios e massacres, que são a saída encontrada pelo imperialismo diante da gravidade de sua crise econômica. Na realidade, não há mais tempo para proclamações abstratas, como ‘autodeterminação dos povos’ ou ‘soberania nacional’, uma mentirada do século XVII que faz parte do vocabulário burguês. Precisamos desenvolver ações concretas de combate de luta de classe, o que implica denunciar a política do governo brasileiro por sua conivência diante das ações do imperialismo contra a Venezuela”, frisou Leovegildo Leal, militante do Movimento Marxista 5 de Maio (MM5).

Ação militar dos EUA na Venezuela foi criminosa

Além de criminosa, a ação militar norte-americana que resultou no aprisionamento e sequestro de Maduro e sua esposa foi uma óbvia violação do território venezuelano e de todas as regras do direito internacional. Uma ação que demonstra toda a arrogância imperialista dos EUA em sua pretensão de recolonizar a América do Sul e transformar o continente numa espécie de “quintal” norte-americano. Tanto é assim que, durante entrevista que concedeu à imprensa na tarde do mesmo sábado (3/1), o próprio Donald Trump manifestou textualmente sua intenção de se apropriar do petróleo venezuelano e entregá-lo a companhias norte-americanas.

País com as maiores reservas de petróleo do mundo — estimadas em 300 bilhões de barris —, a Venezuela vem há quase duas décadas sofrendo fortes sanções econômicas dos EUA e países europeus, após o então presidente Hugo Chávez ter expropriado e estatizado instalações de petrolíferas norte-americanas que, durante muitos anos, obtiveram lucros estratosféricos com a conivência de governos venezuelanos entreguistas. A questão do petróleo é uma das motivações centrais dos EUA para sua agressão imperialista à Venezuela, mas não a única. A outra motivação está na aproximação da Venezuela com países como China, Rússia e Irã. O que resultou em vários intercâmbios nos campos econômico e militar.

Passeata rumo ao Consulado dos EUA para reafirmar apoio à Venezuela. Foto: Magá.

Acusações falsas e mentirosas contra Maduro e Cília Flores

Como “pretexto” para o aprisionamento e sequestro de Maduro e Cília Flores, o governo Trump acusa o presidente venezuelano e sua esposa de supostamente liderarem o narcotráfico junto ao chamado Cartel de los Soles. Acusação totalmente falsa, mentirosa, fabricada e sem qualquer base nos fatos, como sempre foi a prática imperialista dos Estados Unidos. A mentira e a fraude contidas nesta acusação são tão grandes que, nesta terça-feira (6/1), o próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos teve que recuar da mesma.

O sequestro de Maduro e Cília Flores foi antecedido por agressões militares norte-americanas iniciadas em outubro do ano passado na região do Caribe, próximo à costa venezuelana, para onde os EUA enviaram o porta-aviões Gerald Ford, maior embarcação do mundo desta categoria, e dezenas de navios de guerra. Durante 60 dias, a frota norte-americana bombardeou e afundou inúmeras embarcações civis, sob acusação (sem provas) de que “praticavam narcotráfico”. Os ataques a essas embarcações resultaram em mais de 80 mortes.

Além do Rio de Janeiro, houve ato público semelhante em São Paulo, com amplo repúdio às agressões promovidas pelos EUA na Venezuela. Do ato do Rio de Janeiro participaram Unidade Popular, Federação Internacional dos Sem-Teto (Fist), UNE, UJS, MST, Movimento de Pequenos Agricultores, Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Comitê de Defesa da Palestina, CTB, CUT, CSP Conlutas e partidos como PT, PSOL, PCBR e PCdoB.

Solidariedade à Venezuela marcou início de mobilizações contra imperialismo dos EUA. Foto: Magá.

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