26 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, março 6, 2026
spot_img

Protesto denuncia: entrega do Hospital Federal dos Servidores à Ebserh é desmonte do SUS

Funcionários do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) participaram nesta quarta-feira (19/11) pela manhã, de um protesto, convocado pelo Sindsprev/RJ, contra a passagem da gestão da unidade do Ministério da Saúde para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), prevista para 12 de dezembro. A mudança faz parte do fatiamento da rede federal de saúde do Rio de Janeiro e prevê a transformação deste hospital de alta complexidade em uma extensão do Hospital Universitário Gafrée e Guinle, da UniRio, significando, na prática, a extinção do HFSE, deixando milhares de pacientes do Rio de Janeiro e de outros estados, sem atendimento.

Servidores acompanham discursos feitos durante a manifestação. Foto: Mayara Alves.

A diretora do Sindsprev/RJ, Roberta Santiago, denunciou que a iniciativa é um ataque ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Há em curso um processo de fatiamento e desmonte do SUS, através da terceirização, não só do Hospital dos Servidores, mas de toda a rede federal. No caso do HFSE este desmonte se dá através da Ebserh, que não tem expertise em hospitais de alta complexidade e administra mal hospitais universitários, sendo subordinada ao Ministério da Educação. Ou seja, um patrimônio histórico da saúde, uma unidade importante do SUS, na prática, vai ser extinta, ao mudar de perfil, deixando de atender à população mais vulnerável”, disse no carro de som do Sindicato, durante a manifestação.

A diretora do Sindsprev/RJ, Carla Oliveira, afirma que governo não apresentou justificativa técnica para a extinção do hospital. Foto: Mayara Alves.

Também diretora do Sindsprev/RJ, Carla Oliveira lembrou da incompetência da gestão da Ebserh, acrescentando que o governo federal não apresenta qualquer justificativa técnica para que a empresa terceirizada passe a administrar o HFSE. “A Ebserh aprofundou os problemas dos diversos hospitais universitários entregues a ela pelo Ministério da Educação, precarizando os contratos de trabalho e o atendimento. E, mesmo assim, o governo quer entregar para esta empresa o controle do HFSE que passará a ser apenas uma extensão do Gafrée e Guinle, uma hospital-escola, deixando sem assistência seus atuais pacientes. Então, qual o motivo real desta mudança?”, afirmou.

Cristina Venetilho, também dirigente do Sindicato, frisou que fatiamento e terceirização da rede passou por cima do controle social do SUS. Foto: Mayara Alves.

Cristina Venetilho, também diretora do Sindsprev/RJ, denunciou aos pacientes que paravam para assistir ao protesto, que tudo isto está sendo feito, passando por cima do chamando controle social, previsto na lei do SUS, formado por conselhos distritais, municipais, do estado e do Conselho Nacional de Saúde. “O governo atropelou o controle social. Fez pior: além de não consultar os conselhos em toda as suas instâncias, manteve o processo de fatiamento, terceirização e privatização, mesmo após estes conselhos terem se colocado contra o projeto imposto à rede federal”, frisou.

O diretor do Sindicato, Luiz Henrique dos Santos, lembrou que a luta em defesa do HFSE tem que ser de todos. “Além dos estatutários, tem que participar dela, os contratos temporários e os terceirizados”, afirmou.

A paciente Rosa Veiga retirou um tumor do intestino e faz acompanhamento no HFSE: “Como vai ser agora?”. Foto: Mayara Alves.

Pacientes ficam indignados – Muitos pacientes paravam para ouvir as denúncias feita pelos dirigentes no carro de som do Sindicato. E ficavam revoltados. “Não pode ser verdade! É o melhor hospital que conheço! Me trato aqui desde 2022, na clínica médica e fiz cirurgia para retirar um tumor no intestino. Venho a consultas de avaliação sempre. Como vai ser agora se o hospital fechar?”, indagou Rosa Veiga.

Rosicler de Moraes, quando questionada sobre a extinção, disse não acreditar. “Estou sem palavras. Tenho comorbidades graves, várias sequelas no pulmão que impedem qualquer cirurgia, por representar risco de vida. O (Hospital dos) Servidores me acolheu e está me tratando. Estou até tremendo só de pensar que não poderei continuar este tratamento. Como é que eu e os outros pacientes vão ficar?”, perguntou.

Rosicler de Moraes diz que treme só de pensar na suspensão do tratamento dos pulmões. Foto: Mayara Alves.

Célio Pacheco também ficou surpreso. “Isso é horrível! Tudo que funciona eles querem acabar. Onde vamos parar?”, questionou. Ao saber que este é um projeto do governo federal, ficou surpreso: “É o Lula que quer acabar? O que é isso? “O senhor tem certeza?”, indagou, indignado, sem acreditar.

Veja abaixo imagens do protesto.

https://youtu.be/zpKCkjNNgNg

NOticias Relacionadas

spot_img

Noticias