25.5 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, março 6, 2026
spot_img

“O Estado é responsável por essas mortes”, afirma dirigente do Sindsprev-RJ sobre chacinas do dia 28/10

A ‘Operação Contenção’, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na última semana, resultou na morte de mais de 120 pessoas e assombrou a população da cidade. Da intervenção participaram mais de 2.500 policiais civis e militares e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ação gerou grande impacto, mas, a exemplo das realizadas anteriormente em outras comunidades, não atingirá o objetivo de conter a violência.

Segundo especialistas, ações como esta apenas aumentam a reação por parte de organizações criminosas. Numa declaração oportunista e eleitoreira, o governador Cláudio Castro apontou suas críticas para o governo federal que, segundo ele, não apoiou a ação.

Osvaldo Mendes, diretor da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev/RJ, comparou a ação da PM e da Polícia Civil com uma carnificina. “Eles foram para matar mesmo e mataram bastante. Achamos que tem inocentes no meio dessa mortandade. Foi uma carnificina, evidentemente. E nós somos contrários a isso. Até porque essas operações só acontecem em favelas. Só acontecem onde o povo negro está situado porque não tem condições de morar em outro local melhor. São pessoas que morrem porque são pessoas negras. Por isso, somos contrários a esse tipo de ação”, criticou.

Ele também ressaltou que as ações das polícias precisam ser inteligentes. “Eles têm condição de fazer ação inteligente para prender bandidos e não fazer como foi nessas comunidades, onde mataram pessoas inocentes. Por conta disso, somos contrários a esse posicionamento da polícia. O estado é responsável por todas essas mortes. Não adianta o secretário de segurança dizer que precisava fazer a ação”, comentou.

Oswaldo Mendes lembrou ainda a mobilização do dia 31 de outubro, que foi esvaziada pelo governo. “Fizemos um ato dia 31/10, no campo do Cruzeiro, onde ocorreu a matança. Estávamos todos de branco e o objetivo era fazer uma passeata até o Palácio da Guanabara, mas os ônibus foram impedidos, provavelmente pelo governo”, apontou.

Julio Cesar Condaque, professor de história e funcionário do Sindsprev-RJ, destacou que tem acompanhado várias ações da polícia militar e civil desde 2009. “Somos contra essas operações policiais. Logo no início da Covid 19, houve um massacre no Jacarezinho, onde estivemos junto com a Anistia Internacional para liberar os corpos, e percebemos ali que havia jovens que foram do crime, mas não tinham mais envolvimento, e mesmo assim foram alvejados. O saldo foi de 24 jovens mortos”, relatou Júlio, que denunciou haver, na época, um processo de destruição da organização social em comunidades. “Bandidos e milicianos tinham quebrado uma associação da Juventude. Eles não gostam que os jovens aprendam balé, música, esporte, reforço escolar. E é o que a comunidade precisa, de infraestrutura, saneamento básico, saúde e educação. Nessa operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, eles chegaram atirando. Várias casas alvejadas por armas de grosso calibre, atingindo até militantes do Movimento Negro Unificado. Existe um saldo de 132 pessoas mortas, sendo quatro policiais. O governo e o secretário [de segurança] provocam a sociedade, anunciando que somente quatro morreram. Essa provocação é a mesma do Sergio Cabral, quando disse que as mães negras são fabricas de fazer bandido”, lamentou.

NOticias Relacionadas

spot_img

Noticias