Trabalhadores do Hospital Federal da Lagoa (HFL) realizaram uma Assembleia nesta segunda-feira (14), na unidade, para debater a jornada de 30horas semanais, previstas na Portaria nº 260/2014, e o ponto dos servidores. A mobilização discutiu ainda as tentativas da atual gestão do HFL de obrigar os servidores a trabalharem 40h semanais. O encontro foi mediado pela diretora do Sindsprev-RJ, Christiane Gerardo.
Para completar as 40 horas, a direção do Hospital obriga os servidores a trabalhar 30 horas e complementar as 10 horas com cursos de capacitação implementados pela Fundação Oswaldo Cruz, atual gestora do Hospital.
O Hospital Federal da Lagoa é administrado pelo Ministério da Saúde em um processo de transição e integração gradual com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

Aparecida Vaz, diretora do Sindsprev-RJ, destacou a importância da Assembleia para esclarecer várias dúvidas dos trabalhadores. Segundo ela, as pressões realizadas pela atual gestão estão abalando psicologicamente e emocionalmente os trabalhadores.
“A pressão é grande em cima dos trabalhadores. A princípio, eles queriam que fizéssemos as 40 horas sendo 10 horas em forma de curso. Porém, nenhum funcionário ficou de acordo com essa imposição porque não saberíamos o que iria acontecer no dia de amanhã. Hoje, a complementação seria curso. Amanhã, poderia ser para trabalhar”, criticou.
A dirigente sindical ressaltou que foi feito um movimento interno no hospital. As chefias das unidades foram conversar com o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) e, devido a essa pressão, o DGH e a Fiocruz entraram em um acordo e estabeleceu-se que seria mantido 30 horas semanais.
“Foi uma vitória. Porém, agora, a preocupação maior e a nossa luta ficará focada mais na Gratificação Temporária de Execução e Apoio a Atividades Técnicas e Administrativas (GTATA) que saiu para algumas unidades, alguns funcionários e alguns órgãos, sendo que o nosso Hospital da Lagoa, que está sendo gerido pela Fundação Oswaldo Cruz, pela Fiotec, não foi contemplado. Isso gerou um descontentamento geral porque está ferindo o princípio da isonomia. É uma injustiça muito grande”, comentou.
Aparecida Vaz destacou que o foco no momento é tentar essa isonomia.
“O que dá para um, tem que dar para todos. Não tem porque fazer isso. Todos nós somos oriundos do mesmo órgão embora de gestões diferentes”, comentou.
A dirigente lembrou dos três meses sem a insalubridade e do ponto dos grevistas ainda em aberto.
“Estamos sem receber a insalubridade e sofrendo desconto há mais de um ano e meio por conta do ponto em aberto. Conversamos em Brasília e conseguimos um acordo, mas, efetivamente, nada foi resolvido”, lamentou.
Christiane Gerardo, diretora do Sindsprev-RJ, ressaltou que o não pagamento da Gratificação Temporária de Execução e Apoio a Atividades Técnicas e Administrativas (GTATA) para alguns trabalhadores é uma quebra de isonomia.
“Não tem critérios objetivos. Você tem o critério especifico no papel, mas na prática o que a gente vê são outros critérios sendo adotados, portarias sendo citadas e a gente não consegue acesso ao conteúdo. Todo processo que tinha perseguimento dos servidores da rede federal foram alvos visados com esse processo de concessão da GTATA que não foi para todos. Não teve transparência, não teve publicidade. A tendência é que a gente tenha um processo de judicialização em massa. Porque vamos judicializar em massa para todos os servidores. Não vamos permitir que seja feito este tipo de distinção”, enfatizou a dirigente sindical.
Christiane Gerardo acrescentou que o não pagamento da GTATA para todos os servidores aprofunda um processo de desigualdade.
“Está todo mundo indignado. Passamos quatro anos do Governo Bolsonaro sem reajuste. Mesmo com a composição que o Governo Lula deu, não supriu o que era necessário”, avaliou a dirigente sindical.

