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sábado, março 7, 2026
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Sob protestos de servidores, Conselho da UniRio abre caminho para fusão do Gaffrée e Guinle com HFSE

Iniciada na manhã desta quinta-feira (5/6) e com final previsto para as 17h, a sessão conjunta dos conselhos Universitário (Consuni) e de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRIo) aprovou que os conselheiros coloquem em votação ainda hoje a proposta da reitoria que propõe a fusão do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle HUGG) com o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). A aprovação do encaminhamento para votação da proposta governista foi recebida com vaias pelos segmentos contrários à fusão das duas unidades, como servidores da rede federal do Rio, estudantes, técnico-administrativos e parte dos docentes da UniRio. A postagem desta notícia no site do Sindsprev-RJ foi realizada logo após a suspensão da sessão no Consuni para o almoço. Portanto, não cobriu os acontecimentos posteriores do Consuni na parte da tarde.

Antes de aprovado o encaminhamento defendido pela reitoria, os segmentos contrários à fusão lançaram uma proposta alternativa: deliberar primeiro sobre o fechamento (ou não) do Hospital Gaffrée e Guinle para então só posteriormente decidir sobre a possível fusão.

O encaminhamento proposto pela reitoria foi também questionado pelos servidores da rede federal e da UniRio porque, além do exíguo tempo para debater o tema, um gestor da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) teria participado como conselheiro votante. Para os servidores, o fato configura conflito de interesses, uma vez que a Ebserh é parte diretamente interessada no processo de fusão das duas unidades hospitalares.

Logo na entrada do Consuni, o protesto dos servidores da UniRio contra a fusão. Foto: Magá.

Outros questionamentos foram quanto à presença de conselheiros não eleitos e ocupantes de cargos de confiança distribuídos pela reitoria e também sobre a representatividade do próprio Consuni, onde o número de conselheiros representantes dos segmentos estudantil e técnico-administrativo são hoje minoritários, embora tais segmentos perfaçam a maioria da comunidade universitária.

“Não há democracia nem transparência”, diz servidora

“O que está acontecendo é um completo absurdo. Não há democracia nem transparência. É um jogo de cartas marcadas. Uma medida que trará graves consequências para a saúde pública no Rio de Janeiro”, protestou a servidora Cristina Venetilho, que também é dirigente do Sindsprev/RJ lotada no HFSE.

Pouco após o início do Consuni, os servidores da rede federal já haviam aberto uma faixa com a inscrição: “não ao fatiamento”. Em seguida, gritaram palavras de ordem como “plebiscito já”, “não queremos a fusão” e “fora Ebserh”, para constrangimento geral da mesa da sessão presidida pelo reitor José da Costa Filho.

Professor da Escola de Serviço Social da UniRio, Rodrigo Castelo criticou a metodologia de discussão do assunto imposta pela reitoria. “A matéria não se resume apenas à fusão ou não. Achamos que se trata de debate sobre a total reconfiguração do HUGG, uma discussão que deveria ser feita de forma conjunta”, disse.

Falando em nome do segmento técnico-administrativo e da Associação de Servidores da UniRio (Asunirio), Rodrigo Ribeiro também criticou a metodologia imposta pela reitoria. “É preciso entender que há uma discussão que precede a da fusão, que é a de saber se o Hospital Gaffrée e Guinle será ou não fechado”, ponderou.

Servidores da rede federal marcaram presença para repudiar a proposta de fusão. Foto: Magá.

Projeto do governo acaba com HFSE e descaracteriza o HUGG

Antes de a sessão ser suspensa para o horário de almoço, o pró-reitor de planejamento da UniRio, Sidney Lucena, apresentou um conjunto de slides de powerpoint com um breve resumo da proposta de gestão defendida pelo governo Lula e pela reitoria.

Com um discurso apologista em relação ao projeto, Sidney afirmou que o objetivo é promover a incorporação do HFSE ao patrimônio da UniRio. Assim, o Hospital Universitário da UniRio funcionaria como hospital geral dentro das instalações que atualmente pertencem ao HFSE. Tudo sob gestão da Ebserh. Outro ponto da proposta, segundo o discurso do pró-reitor, prevê que a unidade atue como hospital geral adulto e pediátrico de alta complexidade, com 541 leitos e 170 consultórios, incluindo serviços de apoio terapêutico e diagnóstico. Quanto a recursos humanos, o plano é contratar 1258 trabalhadores pelo regime celetista e vínculo com a Ebserh. Para contratação de estatutários serão reservadas apenas 32 vagas de nível superior e 14 de nível médio.

O pró-reitor concluiu sua explanação informando que será de 12 meses o tempo para implementação do projeto. Sobre o Hospital Gaffrée e Guinle, Lucena disse que será transformado em unidade ambulatorial, com clínica da família e Centro de Atenção Psicossocial.

Servidores denunciam discurso fantasioso sobre a fusão

O “otimismo” completamente fabricado e artificial do discurso da reitoria sobre o projeto foi recebido pelos servidores com sarcasmo e certa dose de deboche. Do plenário, foi possível ouvir inúmeros servidores denunciarem, em alto e bom som, o caráter absolutamente fantasioso do discurso da reitoria sobre a fusão dos dois hospitais. E não poderia ser diferente. Afinal de contas, a realidade tem desmentido todos os discursos otimistas produzidos pelo atual governo em defesa de supostas “melhorias” decorrentes do fatiamento. Ao contrário, a realidade vem demonstrando a continuidade do sucateamento e da precarização nas duas unidades municipalizadas (Cardoso Fontes e Andaraí) e na unidade entregue ao Grupo Conceição (Hospital de Bonsucesso), onde servidores convivem com autoritarismo de gestores e ataques ao legítimo direito de organização sindical.

Além da faixa levada contra o fatiamento, levada pelos servidores da rede federal, a sessão do Consuni foi tomada por vários cartazes com críticas à proposta de fusão e à gestão do reitor José da Costa.  “Reitor da Costa. Fechar o HUGG é um crime contra a saúde pública!”; “Conselho sem legitimidade: comissionados não eleitos votam pelos interesses da Reitoria!”; “Exigimos que o reitor Da Costa realize plebiscito sobre a fusão do HUGG” e “Por uma universidade 100% estatal” foram alguns dos dizeres.

“Fora Ebserh” foi uma das frases dominantes durante o Consuni. Foto: Magá.

 

 

 

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