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sexta-feira, março 6, 2026
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Sindsprev/RJ promove debate sobre a exclusão do negro na sociedade

A Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, completou 137 anos, na última terça-feira (13). A data representa a luta do povo negro por liberdade e dignidade, mas, sobretudo para representantes de movimentos negros e de luta contra o racismo, faltaram políticas públicas de reparação e inclusão ao longo dos anos, o que continuou gerando e aprofundando desigualdades no país. O Sindsprev/RJ apoia a representatividade negra em todos os níveis da sociedade. O sindicato realizou no dia 13, na sede da entidade, no Centro do Rio, debate sobre discriminação e exclusão dos negros no Brasil.

Osvaldo Sergio Mendes, diretor do Sindsprev/RJ, aprovou a reativação do Setorial de Negros e Negras do sindicato. Segundo ele, a política é discutida no Setorial e levada para a Secretaria de Gênero, Raça e Etnia, da qual ele é um dos titulares.

“A iniciativa foi a melhor possível porque a discussão é feita em alto nível e propagada para a categoria como um todo”, destacou o dirigente.

Convidada para o encontro entre representantes e profissionais negros, Leninha Souza, coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU) no Estado do Rio de Janeiro, elogiou o Sindsprev/RJ por ceder espaço e estrutura para debater questões raciais envolvendo negros e negras. Ela lembrou que, muitas vezes, o resultado de um debate não agrada a todo mundo, mas incentiva a luta.

“O setorial é mais um mecanismo de luta na questão racial. Quero saudar a todos e todas e dizer que será muito importante essa reativação do processo de nossa construção”, avaliou.

Sebastião José de Souza, também dirigente do Sindsprev/RJ, disse que a reativação do Setorial chega em um momento importante.

“A reativação dos setoriais é importante para a política que o Sindsprev-RJ defende e sempre defendeu. Nesse momento em que a gente vê a classe trabalhadora ser atacada, quem são os trabalhadores mais prejudicados? Somos nós, pretos e pretas. O setorial estará na base da categoria, discutindo e levando o debate para dentro da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia, com a presença dos companheiros pretos e pretas, para deslanchar melhor as nossas políticas”, explicou.

O dirigente apontou ainda a importância de discutir com a sociedade a situação do negro no país.

“O que se vê hoje é uma cortina de fumaça, haja vista que o racismo está generalizado em qualquer parte dessa sociedade”, enfatizou.

A diretora do Sindsprev/RJ Maria Ivone Suppo chamou a atenção para a discriminação que os negros continuam sofrendo no Brasil.

“Qual foi a Abolição que aconteceu no Brasil? Para nós negros teve uma abolição, na minha visão, entre aspas. Ocorreu a assinatura de uma carta da Lei Áurea, e os negros foram mandados para onde? A maioria dos negros não tem uma casa decente, não tem um trabalho decente. São os que mais sofrem discriminação racial nesse país. Isso em todos os setores. E qual a reparação que nós tivemos após a Abolição? Nenhuma. São 137 anos em que o negro ainda não tem o devido valor. Ele não foi valorizado”, lamentou.

Maria Ivone Suppo também acrescentou que o negro continua sendo escravo entre aspas porque o que ganha é o menor salário no mercado de trabalho, seja ele homem ou mulher.

“O negro não consegue entrar na universidade porque não tem acesso a um ensino de qualidade. Muitos não conseguem concluir o ensino médio. Que abolição é essa? O que falta para que tenha de fato uma reparação racial nesse país?”, indagou.

Júlio Cesar Condaque, professor e historiador, comentou que o movimento negro ainda conscientiza porque há quilombos no país que apontam um avanço no 13 de maio.

“Antes eles podiam nos chibatar. O 13 de maio simboliza uma vitória parcial de não ter mais essa violência por parte do dono da fazenda, do próprio estado brasileiro. Mas, em contrapartida, o estado não integrou os negros na sociedade. Não colocou na República, que é uma República inconclusa, não deu uma identidade para a nação brasileira. Não incluiu o índio, não o incluiu negro dentro da identidade racial do pais”, criticou.

O professor acrescentou que, por conta dessa exclusão, persiste o racismo.

“Persistem todas essas mazelas junto com o capitalismo, nos explora e nos oprime. O 13 de maio é um momento de denúncia do movimento negro e de reconquistar a identidade racial para o nosso povo que o estado brasileiro nos roubou”, concluiu Júlio Cesar Condaque.

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