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sexta-feira, março 6, 2026
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Sindsprev/RJ assina convênio com Instituto Anjos da Liberdade para atender mulheres vítimas de violência

O Sindsprev/RJ firmou um convênio importante e pioneiro com o Instituto Anjos da Liberdade (IAL) para a prestação de serviços de advocacia a mulheres vítimas de violência. O trabalho é feito por advogados especializados de forma gratuita. Para ter acesso a este apoio fundamental, basta entrar em contato com a coordenadora da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindicato, Cristiane Santos, através do telefone, ou aplicativo de mensagens, pelo número (21) 99020-5933.

As agressões impostas por homens (com diferentes tipos de relação – maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados e mesmo parentes) a mulheres, chegando ao feminicídio, vêm aumentando em todo o Brasil. Cristiane frisou que sendo as mulheres a maioria entre os profissionais da saúde, sobretudo na Enfermagem, os números alarmantes das pesquisas sobre violência, se refletem no setor.

O Instituto Anjos da Liberdade é uma organização social que atua na defesa dos direitos humanos no Brasil, entre outros, em projetos voltados para o sistema prisional e a cidadania de pessoas em situação de vulnerabilidade. Fundado em 2002, oferece assistência jurídica gratuita, apoio psicossocial e projetos educacionais.

Iniciativa pioneira – “Além de acolherem as mulheres que chegam às unidades de saúde, estas profissionais também sofrem a violência doméstica. É bom lembrar que, além da violência psicológica e física, as mulheres também sofrem a violência financeira com o seu companheiro se apossando do salário. Com o convênio com o IAL queremos apoiar as mulheres filiadas ao Sindsprev/RJ a denunciar, mas, também, mover ações contra os agressores. É uma iniciativa pioneira, com o Sindicato saindo na frente na batalha contra todo o tipo de violência contra a mulher”, explicou Cristiane.

A denúncia é o primeiro e mais importante passo para interromper o ciclo de violência. O sigilo e a segurança da vítima são garantidos.

A Lei Maria da Penha (11.340/2006) é o principal instrumento de combate à violência doméstica no Brasil, prevendo medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor e a proibição de contato. A Lei do Feminicídio (13.104/2015) tipificou o crime como homicídio qualificado e o incluiu na lista de crimes hediondos, aumentando as penas de reclusão para 20 a 40 anos.

Situação alarmante – Pesquisa do Instituto DataSenado sobre violência doméstica, que entrevistou cerca de 22 mil brasileiras (21.641) este ano, mostra dados alarmantes. Cerca de 71% das violências são testemunhadas por alguém, sejam crianças ou adultos. O coordenador do Instituto DataSenado, Marcos Ruben de Oliveira, ressalta que grande parte dessas testemunhas são os próprios filhos da mulher agredida. Outro dado chocante é que 40% das testemunhas adultas não tomam nenhuma atitude para ajudar no momento da agressão.

A pesquisa também evidencia uma mudança na percepção das agressões. Até 2021, a maioria dos casos declarados era de violência física. Contudo, a violência psicológica passou a ser a mais relatada e percebida desde então. No resultado mais recente, 88% das mulheres relataram ter vivido violência psicológica em algum momento da vida. Cerca de 70% das vítimas buscam ajuda primeiro na família, enquanto apenas três em cada 10 procuram uma delegacia (comum ou da Mulher), geralmente quando a violência atinge um patamar insuportável.

Ligue e denuncie – O Ligue 180 é a principal porta de entrada para a denúncia e o acolhimento. Em duas décadas, a Central prestou mais de 16 milhões de atendimentos. Nos dez primeiros meses de 2025, o número de ligações para o serviço subiu 33% em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a coordenadora-geral do 180, Ellen Costa, esse aumento demonstra que muitos casos estavam subnotificados. Aponta que mulheres que sofriam violência há mais de cinco ou dez anos conseguiram força para romper com o ciclo e confiar no serviço.

“Quando ela decide ligar e fazer uma denúncia, é um grande passo que ela está dando para sair dessa situação de violência. E a partir do momento que ela deu esse passo, nós aqui do outro lado precisamos estar preparados para atender, para acolher, para não julgar, para dizer que aqui do outro lado tem mulheres que vão ser como se fossem suas amigas”, conta Ellen Costa, coordenadora-geral do 180.

Central 180 – A Central Ligue 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de Brasília. O número é gratuito. Qualquer pessoa pode ligar para denunciar ou buscar informações sobre todos os tipos de violência. A vítima que liga é acolhida por outras mulheres qualificadas em violência de gênero, como conta a coordenadora Ellen Costa. O objetivo é atender de forma humanizada, acolhedora e sem julgar.

Para proteger quem cuida, o Ligue 180 dispõe de oito psicólogas que se revezam em turnos, oferecendo apoio psicológico para as atendentes. Muitas delas são sobreviventes de violência de gênero, como uma atendente que sofreu violência patrimonial e psicológica do ex-marido. Além disso, o serviço protege os dados das mulheres, depoimentos e denúncias.

A partir de julho de 2024, o 180 implementou a tecnologia blockchain, adicionando uma nova camada de proteção que torna extremamente difícil, impossível de você hackear, invadir e mudar as informações, relata a gerente-geral Jaqueline Sutarelli.
A hotline encaminha as denúncias, principalmente as que envolvem violência doméstica e familiar (Lei Maria da Penha), para os órgãos de apuração nos estados. A Central busca as delegacias especializadas ou as delegacias comuns, caso as primeiras não existam. O serviço também cobra uma resposta e acompanha o fluxo da denúncia junto ao Ministério Público, verificando se a mulher conseguiu medida protetiva, atendimento psicológico ou serviços de autonomia econômica. O objetivo é garantir que a vítima não seja perdida na trajetória de rompimento do ciclo de violência.

A violência contra a mulher é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das crises de direitos humanos mais persistentes e negligenciadas do mundo. O relatório indica que o índice de agressões não cai há 20 anos, e que uma em cada três mulheres já sofreu violência sexual por parte de um parceiro íntimo ao longo da vida. O Ligue 180 é a porta para a liberdade, mas é crucial lembrar: se a vítima estiver sendo ameaçada de morte ou for uma emergência, é necessário ligar para o 190, a Central de Atendimento da Polícia Militar.

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