28 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, março 6, 2026
spot_img

Sindsprev/RJ: agressão a indígenas em Santa Catarina é crime de ódio

A onda de ataques a estudantes indígenas no campus Trindade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), entre os dias 5 e 7 de julho, fez com que o direito de acesso à educação se transformasse em medo e insegurança. O alerta foi feito em matéria do site ND+.nesta sexta-feira (11/7).

O texto informa que segundo a UFSC, o primeiro ataque, ocorrido na manhã de sábado (5), próximo ao prédio onde funciona o DCE (Diretório Central dos Estudantes), foi causado após uma abordagem de policiais militares não identificados. A entrada dos agentes da força pública teria acontecido sem solicitação da SSI (Secretaria de Segurança Institucional).

No episódio, seis indígenas sofreram agressões. Uirahu Xavier Araujo Guajajara, estudante do curso de Direito, de 26 anos, estava no grupo e afirmou à reportagem do ND Mais que, desde o início, a abordagem policial foi truculenta.

Os estudantes indígenas relataram que o segundo ataque, agora realizado por civis, ocorreu na madrugada de domingo (6), por volta das 2h. Guajajara estava confraternizando com outros dois colegas em frente ao alojamento onde residem, após um churrasco de despedida de um “parente” — termo usado para designar outro indígena — que iria viajar.

A Polícia Militar foi chamada, mas não entrou no campus, dirigindo-se apenas à entrada da universidade, o que impossibilitou o registro da ocorrência.

O terceiro e mais recente ataque ocorreu na segunda-feira (7), por volta das 20h. O mesmo grupo de patinete teria retornado ao alojamento com mais pessoas, promovendo novos ataques. Novamente, os agressores gritavam “fora, índios” e “seus vagabundos”.

Para Osvaldo Mendes, diretor da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia o episódio é um crime de ódio que mostra que os agressores não admitem que os estudantes indígenas possam estudar na Universidade Federal. “Isso tem que ser repudiado, pois se trata de crime de ódio, de racismo. A forma como a polícia agiu, inclusive sem identificação, evidencia que são bandidos”, disse.

O dirigente acrescentou que mais este caso confirma que o Estado brasileiro vê negros e indígenas como um inimigo a ser combatido. “Tanto os negros como os povos indígenas são vistos como pessoas que não podem ter acesso a nada. As primeiras agressões foram a estudantes de Direito. As pessoas que promoveram esta covardia não admitem que estudantes indígenas possam ter acesso a esta especialização, ou a qualquer outra disciplina do ensino superior”, acrescentou.

Advertiu que este tipo de comportamento covarde é algo que tem que ser denunciado e combatido arduamente. “É uma luta diária para que o Estado deixe de ser racista, machista e homofóbico. Tudo fizeram para matar os indígenas. Mesmo para registrar a queixa houve inúmeras dificuldade, o que mostra que o poder público se esforça para ignorar episódios truculentos como este”, salientou.

NOticias Relacionadas

spot_img

Noticias