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sexta-feira, março 6, 2026
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Servidores do INSS tentam superar o sucateamento das unidades e a precarização do trabalho

O sucateamento das unidades do INSS, uma das maiores autarquias de previdência da América Latina, atinge não só milhões de segurados, mas também os trabalhadores da instituição. Para evitar o pior, muitos servidores tentam superar as adversidades do dia a dia com dedicação, além de orientar e incentivar outros companheiros a lutar por melhorias das condições de trabalho. O caos no ambiente de trabalho pode afetar a saúde mental dos trabalhadores, segundo especialistas.

Carlos Vinícius Lopes, diretor do Sindsprev-RJ e servidor do INSS, ressaltou que defender a instituição é defender a soberania do Brasil.

“O INSS não é mero prestador de serviço. A instituição é responsável por um orçamento que ultrapassa 1 trilhão de reais, garante proteção social de milhões de brasileiros, inclusive fazendo a economia de mais de quatro mil municípios girar em torno do orçamento advindo das aposentadorias e pensões dos benefícios do INSS. É uma autarquia estratégica que sustenta muito significativamente a economia do pais, principalmente as regiões mais pobres”, analisou.

O dirigente sindical acrescentou que, apesar de toda a importância para o país, o INSS é alvo de constantes ataques. Ele destacou que o agravo visa, primeiramente, a desestruturação e, posteriormente, a privatização.

“Houve uma mudança na gestão que, na nossa percepção, tem dado a transparência necessária da realidade em que se encontra o INSS. Sabemos que o corte no orçamento, a falta de concurso público, adoção de metas irreais e desvalorização dos servidores fazem parte de um processo como um todo. Não é só do governo atual. São ataques externos também. Os servidores do INSS não são devidamente reconhecidos. Por isso é preciso dizer com clareza que os trabalhadores do INSS, que são altamente qualificados, não precisam de privilégios. A gente pede apenas que o servidor seja reconhecido, valorizado e que trabalhe em condições dignas”, comentou.

Para o diretor do Sindsprev-RJ, o governo Lula deveria dar atenção necessária à instituição.

“Importante retirar o INSS dos cortes orçamentários para que a gente não perca o INSS para o setor privado. Porque a tendência no contexto de médio prazo e longo prazo, caso os ajustes não sejam feitos, é que o INSS vai se transformar em uma autarquia privada. É preciso defender a instituição como um patrimônio da classe trabalhadora. Os servidores também devem dar mais ênfase à unidade e à organização para fazer frente às reformas que estão por vir e que têm no paralelo a Reforma Administrativa. Temos que fazer com que os servidores também reconheçam essa importância e valorizem o trabalho para não ficar no experimentalismo das gestões, como programa de gestão e meta de trabalho. A classe trabalhadora deve defender o INSS como um patrimônio nacional”, enfatizou.

Especialistas indicam que trabalhadores em condições precárias têm maior probabilidade de desenvolver transtornos mentais e emocionais. Psicólogos destacam que a falta de perspectivas de futuro, a dificuldade em conciliar vida pessoal e profissional, e a sensação de desvalorização podem levar ao isolamento, à perda de autoestima e ao desenvolvimento de transtornos como a depressão.

A precarização do trabalho pode afetar as relações sociais e familiares, agravando o sofrimento psíquico.

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