O fim da jornada desumana de seis dias de trabalho com um de folga (jornada 6X1) é um dos itens mais comentados pelas pessoas que participam do plebiscito popular realizado em todo o país e coordenado pela Frente Povo Sem Medo e pela Frente Brasil Popular. A diretoria do Sindsprev/RJ vem participando da coleta de votos com banquinhas nos locais de grande movimento.
Nesta sexta-feira (18/7) a banquinha com urnas de votação e panfletos foi colocada no Largo da Carioca. Desta vez, o que chamou a atenção foi o interesse da maioria dos votantes em relação à proposta de extinção da jornada 6X1. Outros itens do plebiscito são a isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil e redução até R$ 7 mil; e a taxação dos milionários que hoje não pagam nada.

Matheus Gomes, morador do Rio de Janeiro, disse que a escala 6X1 é uma escravidão para os trabalhadores, que ficam exaustos e sem ter lazer ou dar atenção à família. “Acho que temos que nos posicionar para que este Congresso Nacional aprove o fim desta jornada absurda. O plebiscito tem esta função e merece o nosso apoio”, acrescentou.
Jornada é pior ainda para as mulheres – Sobre a taxação dos milionários Matheus foi direto: “Poxa, não sabia disso. Mas tenho certeza que tem que mudar. Quem ganha mais tem que pagar mais”, argumentou. Vivian Mello, moradora de Niterói, disse que ia do Rio para a sua cidade, quando viu a banquinha do Sindsprev/RJ e decidiu voltar para votar.

“Essa escala 6X1 é uma das coisas mais absurdas que já vi. E ela é pior ainda para nós, mulheres, que temos jornada tripla: trabalhamos, e trabalhamos cuidando da casa e dos filhos. Quando chega o domingo não temos folga como os homens, porque deixamos para fazer em casa o que não deu tempo durante a semana”, disse.
Congresso defende os ricos – Gislaine Souza, de Realengo, também criticou a desumanidade da jornada 6X1. “Eles (os patrões) fazem isso porque assim aumentam os seus lucros, com uma exploração que vai além do razoável para o ser humano. O problema é que o Congresso Nacional defende os ricos e por isso não quer o fim da 6X1. O plebiscito ajuda a pressionar estes deputados e senadores”, frisou. “Tem que ter mais disso aí (plebiscito)”, sugeriu.
Já Paulo Roberto ironizou lembrando que a escravidão acabou. “Tem que avisar estes deputados que a escravidão terminou. É brincadeira: eles vão ao congresso um dia ou dois e não querem aprovar que tenhamos tempo para descansar, para cuidar da nossa saúde e dos nossos filhos. Anota aí: a maioria das empresas não abonam nosso dia quando levamos nosso filho doente a um hospital. Esse desrespeito tem que acabar”, reivindicou.
Ano que vem tem eleição – A servidora pública Teresa Figueiredo condenou deputados e senadores que votam sempre contra os trabalhadores. E lembrou que ano que vem tem eleição, e que todos devem acompanhar como votam os parlamentares para nunca votar de novo naqueles que se colocam contra o povo.
“Não podemos permitir que esses caras (congressistas) continuem a votar contra nós, contra a nossa vida. É importante que o povo se manifeste nas ruas, participando de protestos e de iniciativa populares como é o caso deste plebiscito”, frisou. Confessou não saber que os milionários pagavam menos imposto que os trabalhadores e que o Congresso rejeitou a proposta de taxação deste segmento da população.
“Quem ganha mais tem que pagar mais. Que país é esse onde nós que ganhamos muito menos, pagamos tributos mais altos do que os milionários? O Congresso tem a obrigação de corrigir essa injustiça tributária, isentar os que ganham até R$ 5 mil e taxando os ricos”, opinou.
Os diretores Neusa Beringui, Simone Ferreira e Osvaldo Mendes participaram da coleta de votos do plebiscito no Largo da Carioca. Neusa falou sobre a aprovação da isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, na terça-feira (16/7) numa Comissão Especial da Câmara dos Deputados. “Na minha opinião tem a ver com a pressão das manifestações e do plebiscito. Isso porque os deputados e senadores têm medo de não serem eleitos e sabem que estas manifestações abrem os olhos da população”, avaliou.
Já Osvaldo, falou sobre o maior interesse demonstrado pela população. “Tem sido em relação ao fim da jornada 6X1. Algo em torno de 70% aproximadamente tem falado conosco sobre a importância de ter um período de trabalho que seja mais humano”, afirmou.




