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quinta-feira, março 5, 2026
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Paralisação no Cardoso Fontes protesta contra falta de pessoal e obras inúteis

Os servidores do Hospital Federal Cardoso Fontes (HCF), em Jacarepaguá, fizeram nesta sexta-feira (15/8) uma paralisação de 24 horas, acompanhada de ‘aula pública’ sobre ética da profissão de enfermagem, ministrada pela vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren/RJ), Rosimere Maria. A conselheira falou sobre os direitos e deveres da categoria.

Categoria que, na unidade hospitalar, vive uma situação de pressão por parte dos novos gestores privados e falta total de condições de trabalho.

Entregue pelo governo Lula ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no ano passado, e, em seguida, para a organização social SPDM, o Cardoso Fontes vive hoje uma situação caótica. Segundo informações, a organização social SPDM recebeu um orçamento federal de cerca de R$ 460 milhões, que está gastando em obras inúteis; não cumpriu o compromisso de contratar 1.200 trabalhadores; e dispensou profissionais com contratos provisórios (CTU), causando um aumento da sobrecarga de trabalho para os servidores federais.

Durante a aula pública, os servidores denunciaram estar recebendo tratamento desrespeitoso da SPDM, o que pode ser caracterizado como assédio moral; sendo remanejados sistematicamente de seus setores para outros onde, em muitos casos, nunca trabalharam, situação que compromete a qualidade do serviço prestado, a segurança dos pacientes e submete os profissionais a uma situação de estresse e pressão constante.

Paralisação protestou contra desmandos da SPDM no Cardoso Fontes, onde a situação é precária e o dimensionamento de pessoal está sobrecarregando os profissionais. Foto: Magá.

Ao mesmo tempo em que piorou as condições de trabalho e atendimento, a gestão privada da SPDM gastou em uma construção onde funcionará a diretoria do hospital e o Centro de Estudos, logo na entrada da unidade. A obra não é prioridade, já que tanto a diretoria quanto o Centro de Estudos já tinham um local de funcionamento, em boas condições.

Contratou uma empreiteira, também, para obras de embelezamento da fachada da unidade e das passarelas internas. Por todo o hospital podem ser vistas placas de obras, com o nome do governo federal, do Ministério da Saúde, do SUS, da Prefeitura do Rio e da empresa contratada, a Irmãos Haddad. A maior de todas é a de transformação do estacionamento numa emergência.

A diretora do Sindsprev/RJ Christiane Gerardo disse que a Prefeitura e a SPDM estão mudando o perfil do Cardoso Fontes. A unidade deixará de ser um hospital de alta complexidade, como são todos os federais, atendendo, sobretudo, a pacientes oncológicos, passando a ser de atendimento geral, como acontece na rede da Prefeitura do Rio, como o Souza Aguiar e o Miguel Couto. Por isto a construção de uma emergência. Com a mudança, não os pacientes que sofrem com câncer e outras doenças graves ficarão sem atendimento.

A dirigente denunciou que, com a mudança de perfil, a empresa privada já mandou embora, além dos CTUs, cinco médicos oncologistas. O atendimento dos casos de oncologia (consultas), cirurgias, exames e tratamentos como quimioterapia), continuam, só que com menos profissionais. Outra denúncia é a de que tanto a Prefeitura quanto a SPDM anunciaram a abertura de leitos, sem a contratação de profissionais.

Rosimere Maria, do Coren-RJ, fez palestra sobre questões éticas envolvendo as atividades da enfermagem. Foto: Magá.

“É tudo uma maquiagem para dizer que o hospital está funcionando melhor. Mas os pacientes e nós servidores sabemos que não é verdade, porque estamos sentindo isso na pele”, afirmou a dirigente.

Remanejamentos arbitrários – Durante a aula sobre ética, servidoras e servidores federais, quase todos da área da enfermagem, denunciaram os constantes remanejamentos, feitos de forma açodada e desrespeitosa para tentar compensar a falta de pessoal. Foi denunciada, também, a falta de resposta do Ministério da Saúde em relação aos pedidos de transferência para outras unidades.

Rosimere Maria disse que o Coren/RJ vai apurar as denúncias. Ela e as conselheiras Hellen Senna e Isabela Nanubia entraram no hospital, na tentativa de conversar com a chefia da Enfermagem para verificar as situações denunciadas. Apesar de não ter conseguido encontrar quem procurava, Rosimere visitou os setores críticos que foram citados, forneceu seu contato particular aos presentes e se comprometeu a criar um grupo de Whatsapp junto com os profissionais presentes e o Sindsprev RJ para trocas, orientações e manter um canal de diálogo e suporte.

“Quero que anotem meu telefone, que é público. Senti muita angústia entre os profissionais de saúde durante a visita e me coloquei à disposição. Fomos à emergência e vimos a obra do tomógrafo. Por isso é muito importante mantermos o nosso grupo de contato. Estamos aqui falando sobre condições de trabalho, sobrecarga e também sobre questões éticas. Estou aqui para fortalecer a ética profissional no exercício da função base ao nosso código e não estou quebrando nenhuma legislação porque estou aqui também com a minha categoria profissional, que eu represento, que é minha obrigação, e falarmos de ética e de sobrecarga também é algo que está incluído na legislação. Quero agradecer a vocês por esse retorno, por esse feedback, e dizer que me coloco à disposição”, afirmou Rosimere, logo após a visita a setores do hospital.

A pedido do Sindsprev/RJ, o Coren/RJ vai solicitar reunião com a Comissão de Ética do Ministério da Saúde, que funciona no prédio do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), para buscar um canal de diálogo que possa colaborar com a solução dos problemas encontrados.

Mobilização vai continuar. Foto: Magá.

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