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quinta-feira, março 5, 2026
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Pacientes se revoltam contra desativação do Hospital da Lagoa, durante o plebiscito

No segundo dia do plebiscito sobre o que pensam servidores e pacientes em relação ao projeto do governo Lula de extinção das atividades do Hospital Federal da Lagoa – que passaria a ser comandado pelo Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e voltado para a saúde da mulher, da criança e do adolescente –, o que se viu foi uma grande revolta por parte dos participantes da consulta feita pelo Sindsprev/RJ nas dependências do HFL. O plebiscito teve início na terça-feira (24/6) e terminará na quinta (26). A votação é sempre das 8 às 12 horas e das 19 às 20h30. A apuração deverá acontecer na sexta-feira (27/6).

“É um absurdo. Extinguir as atividades de um hospital importante como este é fechar uma porta para a vida. Ainda mais se tratando de uma estrutura bem montada e que funciona. Isso é uma insanidade!”, criticou, indignada, Socorro Brasil, servidora aposentada e paciente do Hospital da Lagoa. “Tudo o que tem construído no Brasil, esta corja está destruindo”, disse, numa menção ao governo federal, cujo projeto de extinção das atividades do HFL faz parte do fatiamento, terceirização e privatização da rede de hospitais federais.

Outro paciente, Marcos Felipe Cardoso, faz tratamento no hospital há quatro anos. Irritado, questionou: “E se fechar, toda essa gente que é tratada com extrema competência, vai para onde? Tudo isso é péssimo!. Um hospital de tanta importância não pode deixar de funcionar”, opinou.

Fila de votação do plebiscito, onde servidores também manifestaram indignaão com a possível extinção do HFL. Fotograma: Fernando Gonçalves.

Péssimo para a população – Geraldo Clemente, que se trata de um câncer, fez a mesma indagação, acrescentando que só na unidade da Lagoa as pessoas conseguem um atendimento de verdade. “Faço tratamento em outras especialidades. Agora, me diga: vou ter que mudar de um hospital federal para um da Prefeitura que nem médico tem?”, indagou.

Já a paciente Diva Soares classificou a mudança que o governo federal quer impor como péssima para a população. “Os hospitais, de uma maneira geral, estão uma bagunça, aqui é organizado e funciona. As clínicas da família não funcionam. Minha mãe e eu nos tratamos aqui. Quem foi o maluco que inventou esta história (de desativação das especialidades da Lagoa)?”

A diretora do Sindsprev/RJ Cida Vaz, uma das dirigentes do Sindicato e servidora do HFL que participa da realização do plebiscito, lembrou que, caso o governo consiga impor o seu projeto, todas as especialidades da unidade serão desativadas. Entre elas citou algumas: oncologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, endocrinologia, pediatria, ortopedia, neurologia, ginecologia, mastologia, urologia, psiquiatria, além de cirurgias e exames de imagem.

Plebiscito vai na contramão do autoritarismo do Ministério da Saúde, que quer impor uma proposta rejeitada por servidores e pacientes. Foto: Mayara Alves.

“O ataque a este importante e histórico hospital faz parte do processo de desmonte que pretende acabar com o serviço público e os servidores. É uma investida direta sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e seu caráter de atendimento gratuito e universal. É preciso envolver os servidores, mas também a população que está sendo atacada em seus direitos, já que a Constituição Federal garante que a saúde é direito do cidadão e dever do Estado, mas o que está se vendo no projeto de desmonte da rede federal é o governo abrindo mão desta obrigação constitucional, terceirizando, desativando e privatizando as unidades federais”, afirmou.

Lagoa atende a todo o estado – O HFL atende a pacientes de todo o estado do Rio de Janeiro. O menino Brian, de Nova Friburgo, é um deles. Morador da cidade serrana, fez nesta terça-feira a sua primeira consulta no Hospital da Lagoa, a fim de realizar exames complexos e ter o acompanhamento de um bom especialista para o seu problema de crescimento abaixo do normal. Com oito anos, ele tem a aparência de uma criança de apenas quatro anos.

Brian estava acompanhado da avó, Maria de Fátima, que tomou um susto ao saber da desativação das atuais atividades do HFL. “Nossa, que notícia ruim. Logo agora que a gente pensava que tinha encontrado um hospital para solucionar o problema do meu neto! Onde é que eu posso votar contra esta extinção?”, indagou, impaciente.

Morador de Friburgo, o menino Brian teve sua primeira consulta no HFL, acompanhado da avó, que foi supreendida pela possível extinção do hospital. Foto: Mayara Alves.

Para o diretor do Sindsprev/RJ Osvaldo Sérgio Mendes, a desativação será um verdadeiro genocídio. “Onde todas estas pessoas que tratam doenças graves vão se tratar? Este projeto é um ataque irresponsável à vida humana”, afirmou.

Segundo outra diretora do Sindicato, Carla Letícia, já havia mil votos até a manhã de terça-feira (24). Sendo a perspectiva chegar a 3 mil votantes. “A participação está sendo intensa, tanto de servidores quanto de CTUs, residentes e pacientes”, disse. O voto da consulta pergunta se a pessoa é contra ou a favor da extinção do Hospital da Lagoa, como é hoje.

Apuração dos votos será prevista para a sexta-feira (27/6). Foto: Mayara Alves.

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