Servidora da rede federal aposentada há 8 anos e ex-dirigente do Sindsprev-RJ com firme atuação no Hospital Cardoso Fontes, Célia Maria de Souza (foto) concedeu entrevista ao Jornal do Sindsprev-RJ para falar do significado do Dia do Servidor Público, comemorado em 28/10. Ela também reafirmou a necessidade de os trabalhadores continuarem na defesa dos serviços públicos.
Sindsprev-RJ – Qual é, para você, o real significado do Dia do Servidor Público, tendo em vista que o serviço público vem sendo desmontado e desvalorizado por sucessivos governos brasileiros?
Célia Maria de Souza – Logo quando entrei no serviço público, que foi em 1984, nós ficávamos muito contentes com o dia do servidor porque ele vinha sempre com um ganho e conquistas agradáveis. E de uns anos pra cá, com a desmobilização governamental, o foco passou a ser a acusação de que nós éramos vagabundos e não queríamos trabalhar por termos garantia de permanência no cargo. Mas na verdade tanto a população quanto nós servidores sofremos o sucateamento das redes públicas federais, e com isso perdemos muitos serviços. Agora, a solução do governo foi o fatiamento da rede junto ao município do Rio, que também está mal das pernas. É o resultado da política neoliberal do atual governo. Para nós, servidores aposentados, a situação ficou ainda pior porque fomos excluídos do reajuste no auxílio-alimentação. Por tudo isto, hoje eu digo que, para mim, o dia do servidor público já não tem mais nenhum valor. Virou politicagem.
Sindsprev-RJ – O atual governo está promovendo o fatiamento das unidades da rede federal. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional quer aprovar uma reforma administrativa que acaba com o serviço público e desvaloriza ainda mais o funcionalismo. O que devemos fazer para se contrapor a isto e evitar o pior?
Célia Maria de Souza – A população seria a massa de frente nesta luta, mas é com muita dificuldade que poderemos trazê-la para ocupar as ruas. Com isto, ainda somos poucos, mas eu acho que, mesmo assim, precisamos continuar tentando. Ao menos, já estamos fazendo a nossa parte. O que não pode mais continuar é esta situação absurda na rede federal. Se antigamente nós éramos o primeiro patrimônio da rede, hoje não somos valorizados.
Sindsprev-RJ – Que papel o Sindsprev-RJ poderá ter nesta luta em defesa do serviço público?
Célia Maria de Souza – Eu acho que o nosso sindicato ainda é o mais indicado para essa luta, e é por isto que a pelegada vem atrás pra tentar aparecer. O nosso papel é lutar sempre em defesa do serviço público, como faz o Sindsprev-RJ ao abrir caminho para as mobilizaçoes.
Sindsprev-RJ – Fale mais sobre a tua trajetória no serviço público. Você sempre trabalhou no Hospital Cardoso Fontes? Em quais funções e durante quanto tempo você atuou? Em que período você foi dirigente do Sindsprev-RJ?
Célia Maria de Souza – até me perdi nas datas porque sou aposentada há 8 anos, mas já em 1985 eu me sindicalizei e abracei a luta com o chamado do nosso sindicato. E comecei a ser representante dentro da unidade. Em seguida, trouxe a diretora Christiane Gerardo pra luta. Então, passei a diretora no núcleo do Cardoso Fontes, depois Regional de Jacarepaguá do Sindsprev-RJ. Tenho muita saudade das nossas lutas, principalmente as vitoriosas. Fui presa na luta da rede do INSS e não levei o meu prêmio que foi prometido na época, de que segurasse a luta mesmo mesmo recebendo voz de prisão. Eu aguentei o tranco e o julgamento junto ao nosso jurídico. Hoje estou afastada como dirigente, mas me mantenho filiada. Estou no momento vivendo a luta contra um câncer e suas metástases, mas estou na luta sem me entregar.


