O Sindsprev-RJ convida os servidores e servidoras da seguridade e do seguro social a participarem, neste domingo (27 de julho), da XI Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro. Como o mote “mulheres negras rumo a Brasília: contra o racismo, por justiça e o bem-viver”, a manifestação vai se concentrar inicialmente na Praça do Lido (Copacabana), a partir das 10h.
Organizada por movimentos de luta contra o racismo, a marcha das mulheres negras vai fazer referência à data de 25 de julho — Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha —, uma homenagem à resistência e às lutas das mulheres negras de todo o mundo contra os preconceitos racial e de gênero.
No Brasil, a data de 25 de julho é também uma homenagem a Tereza de Benguela, conhecida como “Rainha Tereza”, que viveu no século XVIII, no Vale do Guaporé (MT), e liderou o Quilombo de Quariterê. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, incluindo indígenas. Tereza foi morta após ser capturada por soldados.
O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e teve origem durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992. O evento reuniu mais de 300 representantes de 32 países para compartilhar suas vivências, denunciar as opressões e debater soluções para a luta contra o racismo e o machismo.

Violência e invisibilidade
A mulher negra é, ainda hoje, a principal vítima de feminicídio, das violências doméstica e obstétrica e da mortalidade materna, além de estar na base da pirâmide socioeconômica do país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que produz o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, confirmam essa triste realidade: das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, mais de 60% são negras.
Além disso, as mulheres negras convivem diariamente com a discriminação racial ainda vigente na formação social brasileira. E uma das consequências do racismo institucionalizado é a invisibilidade e a constante desvalorização enfrentadas pelas mulheres negras no mercado de trabalho e em vários outros segmentos da vida social.
“Sempre faremos referência às lutas das mulheres negras contra as opressões de todos os tipos, com destaque para as lutas contra o racismo. Esperamos que o maior número possível de servidores e servidoras esteja presente na manifestação do próximo domingo, em Copacabana”, afirmou Maria Ivone Suppo, dirigente do Sindsprev-RJ e servidora da saúde federal.
“De fato, a história das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas mostra que, em pleno século XXI, continuamos vivendo no século XVIII, pois o aumento dos feminicídios confirma que as mulheres negras são as que mais sofrem. É inadmissível que esse quadro tão violento continue acontecendo no Brasil, um país onde desde 2018 vem se intensificando um processo de fascistização e nazificação da sociedade”, analisou Osvaldo Mendes, dirigente da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ.

Cartaz de divulgação da Marcha das Mulheres Negras. Arte: Robert Jordino.


