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quinta-feira, fevereiro 27, 2025
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Nísia demite chefe da Enfermagem eleita pelos profissionais do Cardoso Fontes, e coordenadores entregam cargos

Em protesto contra a exoneração de Maria Fernanda Rocha de Souza Guia da coordenação do setor de Enfermagem do Hospital Federal Cardoso Fontes pela ministra da Saúde Nísia Trindade, entregaram os cargos os coordenadores da Enfermagem do Bloco Cirúrgico, do Centro Cirúrgico e do Centro de Terapia Intensiva Adulto. Documento comunicando a decisão foi enviado ao Ministério da Saúde, nesta quarta-feira, 12 de fevereiro, mesma data em que o ofício com a exoneração, assinado pela ministra, chegou à unidade.

Funcionária do Cardoso Fontes e diretora do Sindsprev/RJ, Christiane Gerardo criticou a decisão da ministra. “É um absurdo que um governo do PT esteja reivindicando a todo o momento o respeito ao processo democrático e criticando posturas antidemocráticas no país, e, internamente, com atos do Executivo, infrinja espaços democráticos de gestão que existem há mais de duas décadas”, disse, numa referência à eleição de gestores no Cardoso Fontes.

“Este é mais um episódio triste da gestão da Nísia Trindade à frente do Ministério da Saúde de Lula. Nem o governo Bolsonaro impediu a Enfermagem do Cardoso Fontes de eleger a chefia do setor. A eleição foi feita como um ato de resistência ao governo Bolsonaro”, lembrou.

A exoneração foi também denunciada no Congresso Nacional. Em pronunciamento na Câmara dos Deputados a deputada federal Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ), condenou a exoneração. “Foi um desrespeito ao processo democrático realizado pela equipe de enfermagem da unidade de saúde há mais de 20 anos. Nossa classe não aceitará nenhuma atitude arbitrária e desrespeitosa que retira dos profissionais da saúde o poder de escolher seus representantes em seus locais de trabalho”, afirmou em discurso em plenário.

Exoneração aumenta a crise gerada pela privatização – A entrega dos cargos aumenta a crise no Cardoso Fontes que começou com a entrada dos servidores federais em greve, ano passado, contra o fatiamento da rede federal e a sua terceirização, e se aprofundou com a entrega da unidade e também do Hospital do Andaraí à Prefeitura do Rio de Janeiro. Mesmo antes de assumir a gestão do Cardoso Fontes, o secretário de saúde do município, Daniel Soranz, passou a fazer visitas de madrugada à unidade, pressionando os servidores federais.

Assim que assumiu a gestão, Soranz anunciou a decisão de passar a administração do hospital de Jacarepaguá para a organização social SPDM, o que confirmava a denúncia dos servidores de que o fatiamento ocultava a privatização da unidade pelo governo federal, através da Prefeitura do Rio.
Novas denúncias davam conta de que gestores da SPDM passaram a assediar servidores federais. No final de janeiro, chegou a informação de que a SPDM pedira à ministra Nísia, a exoneração da Chefe da Enfermagem, eleita pelos servidores. Em assembleia em 27 de janeiro, os profissionais de saúde aprovaram documento repudiando a exoneração.

Outras deliberações da assembleia foram: desautorizar Maria Fernanda a proceder à própria exoneração — como forma de protegê-la de pressões pela entrega de seu cargo — e que os servidores em funções de chefia no Cardoso Fontes entreguem seus cargos, na hipótese de que Maria Fernanda fosse exonerada da coordenação de enfermagem pelo Ministério da Saúde. Mais duas importantes deliberações foram decretar assembleia permanente e consultar a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a legalidade de servidores efetivos estarem subordinados a entidades privadas como a organização social SPDM.

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