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Multidão no Rio de Janeiro reage contra a PEC da Blindagem e a anistia aos condenados pelos atos golpistas

Debaixo de forte calor de 40 graus, uma multidão de cerca de 41,8 mil pessoas – segundo o Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common – participou da manifestação contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, neste domingo (21/9), em frente ao Posto 5 (Copacabana), no Rio de Janeiro.

A PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara em regime de urgência, prevê que qualquer abertura de ação penal contra parlamentar depende de autorização prévia, da maioria absoluta do Senado ou da Câmara. Pelo texto, os parlamentares têm 90 dias para decidir se autorizam ou não a investigação criminal contra um colega, a contar de quando o Supremo Tribunal Federal (STF) enviar o pedido ao Congresso.

O evento em Copacabana reuniu vários artistas da MPB. O ato fez parte do movimento “Frente Povo Sem Medo”, que convocou manifestações em 19 Estados.

Rejeição à PEC da Blindagem e à anistia para Bolsonaro e golpistas do 8 de janeiro é cada vez maior. Foto: Mayara Alves.

Os atos repudiaram a proposta de anistia para condenados por tentativa de golpe de Estado. Entre eles, o maior alvo dos protestos, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão.

A mobilização deste domingo (21) também foi feita por integrantes da base do governo no Congresso, bem como centrais sindicais, movimentos populares e outras organizações da sociedade civil. Eles desaprovam o que chamam de “PEC da Bandidagem”, devido ao potencial de suspender a apuração de crimes.

Vestidos de verde e amarelo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Djavan comandaram show, que contou ainda com Paulinho da Viola, Geraldo Azevedo, Ivan Lins, Frejat, Lenine, Paulinho da Viola, Geraldo Azevedo, Pretinho da Serrinha, Maria Gadú, Marina Sena e o grupo Os Garotin. Caetano abriu o show e foi logo dando o seu recado:
“A música popular do Brasil tem sido sempre um aspecto da cultura nacional, que apresenta enorme vitalidade. Então, não poderíamos deixar de responder aos horrores que vêm se insinuando à nossa volta”, disse Caetano.

Próximas mobilizações têm que focar a luta contra a anistia a golpistas do 8 de janeiro. Foto: Mayara Alves.

Em seguida, Caetano Veloso cantou “Podres poderes”, “Gente”, “Um índio”, “Alegria, Alegria” e “Desde que o samba é samba”. O artista puxou o coro “Sem anistia e com democracia” e cantou “Cálice” na companhia de Chico Buarque, Djavan e Gilberto Gil, contagiando o público.

Gilberto Gil lembrou que o Brasil já passou por momentos semelhantes em sua história. “Passamos por momentos parecidos sempre em busca da autonomia, o bem maior do nosso povo”, afirmou Gil.

O evento contou ainda com manifestação contra a intolerância religiosa e teve presença de blocos carnavalescos. Parlamentares de partidos de esquerda também participaram do ato. Entre eles, os deputados federais Lindbergh Farias (PT), Talíria Petrone (PSol), Chico Alencar (PSol), Henrique Vieira (PSol), Glauber Braga (PSol) e Jandira Feghali (PCdoB), além da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) e da vereadora Thais Ferreira (PSol).
Sebastião de Souza, diretor do Sindsprev/RJ, parabenizou o público e os artistas presentes ao ato contra a PEC da Blindagem. Segundo ele, foi uma oportunidade de o povo mostrar sua indignação.

“Fiquei muito comovido ao ver os mesmos camaradas de 57 anos atrás em cima de palanque, cantando as mesmas músicas, o mesmo repertório. Quero dizer que a luta é contínua. Na atual conjuntura, o mundo passa por uma postura de autoritarismo, haja vista as guerras em curso na Ucrânia com a Rússia, o massacre do povo palestino. O autoritarismo está tomando uma escala ainda maior. Mostramos hoje que aqui no Brasil será uma luta. A PEC da Blindagem, da Anistia para a cúpula de bandidos, é um absurdo. O autoritarismo vai pegando escala alarmante. Aqui no Brasil não é diferente. O povo tem medo de falar, mas mostrou hoje sua indignação”, comentou.

Ato em Copacabana teve trio elétrico onde, ao final, se apresentaram artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola e Ivan Lins. Foto: Mayara Alves.

O dirigente sindical exaltou a participação de grande número de negros na mobilização. O dirigente lembrou que na época da ditadura, o partido de esquerda não considerava o negro capaz de participar de uma mobilização.

“Hoje, vimos mais um exemplo de que o negro tem total conhecimento de luta de classe. Muito feliz com as mobilizações em todas as grandes capitais. E até discordo que aqui no Rio de Janeiro teve 41 mil pessoas. Eu calculei acima de 80 mil. Muito bom envolver a população como um todo. Porque política representa a nossa vida. Política é melhor comida na mesa, casa melhor, combate à violência. Porque, na realidade, nessa blindagem, eles estavam pensando não só no PL e na turma do Bolsonaro, mas em todos os bandidos.

Exemplo disso ocorre na Alerj, que tinha o TH, que está preso. Ele era o elo entre o Comando Vermelho e o parlamento . Se ele abrir a boca, e espero por isso, como delação premiada, ele vai envolver muita gente”, analisou.

Luis Antônio Hipólito, também diretor do Sindsprev/RJ, elogiou a presença de milhares de pessoas em repúdio contra a PEC da Blindagem e em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Manifestações confirmaram ser possível barrar propostas impopulares do Congresso Nacional. Foto: Mayara Alves.

“Estamos aqui nesse momento importante do nosso país. Milhares de pessoas levantando a bandeira da luta contra o imperialismo que quer acabar com os direitos dos trabalhadores e, mais uma vez, lutando contra um Congresso que trabalha única e exclusivamente contra o povo brasileiro. Represento aqui os trabalhadores da Saúde, represento as pessoas do lugar e do estado onde moro. Represento o Sindsprev/RJ, que está sempre levantando as nossas bandeiras em todos os protestos. Acho importante tudo que está acontecendo aqui. Na verdade, é o povo acordando e percebendo que a organização política desse país tem que mudar. Tem que ter algo mais para o povo brasileiro e menos para os privilegiados que são a minoria desse país”, enfatizou.

As manifestações se espalharam por outras capitais e cidades do país.

São Paulo

Em São Paulo, 42, 4 mil pessoas, segundo a USP, participaram do ato contra a PEC da Blindagem. Foi aberta uma bandeira gigante do Brasil, em repúdio ao ato ocorrido no 7 de Setembro, em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro abriram uma bandeira dos Estados Unidos também na Avenida Paulista.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) disse em entrevista a jornalistas que o ato é um recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a senadores.

“Hoje é um marco: a esquerda retoma o protagonismo. A consequência é que nós vamos apresentar exigências. Essa mobilização é um recado para o presidente da Câmara, Hugo Motta. Para que paute imediatamente a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro, que paute imediatamente o projeto de zerar o Imposto de Renda (proposta do governo que amplia a faixa de isenção)”, disse.

Vice-presidente nacional da CTB, Paulo Farias discursa no ato de Copacabana. Foto: Mayara Alves.

Uma bandeira do Brasil chamou a atenção. Em uma delas, havia o mote “sem anistia” no lugar do lema “Ordem e Progresso”.

Belo Horizonte

Manifestantes se reuniram na Praça Raul Soares, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O protesto foi convocado por movimentos sociais e centrais sindicais, com a adesão de artistas e lideranças políticas.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) avaliou o movimento em Belo Horizonte como uma demonstração de indignação popular contra a PEC da Blindagem. Para ele, a mobilização nas ruas envia uma mensagem clara ao Congresso.

“O povo acordou. O Brasil inteiro está indignado com a PEC da bandidagem e com a anistia para golpistas. Espero que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinta que o povo está sentado na cadeira dele”, disse o parlamentar ao Estado de Minas.

Salvador

O ato contra a PEC da Blindagem, em Salvador, contou com um trio elétrico comandado pela cantora Daniela Mercury, em frente ao Morro do Cristo, na Barra. O ator Wagner Moura puxou gritos contrários à anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro.
“Aqui na Bahia a extrema-direita não se cria. Nossa democracia botou pra lenhar. Sem bandidagem, sem anistia e sem esculhambação”, disse Moura.

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