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quinta-feira, março 5, 2026
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Marcha das Mulheres Negras diz não ao racismo e a todas as formas de discriminação

A 11ª edição da Marcha das Mulheres Negras ocupou a orla de Copacabana na manhã do último domingo (27 de julho), data em que a vereadora Marielle Franco completaria 46 anos de idade. Com o tema “Mulheres negras rumo a Brasília: contra o racismo, por justiça e o bem-viver”, a marcha reuniu coletivos e movimentos de luta contra o racismo oriundos de todo o Estado do Rio e da capital fluminense. O Sindsprev/RJ se fez presente por meio de sua Secretaria de Gênero, Raça e Etnia.

Representando o governo Lula (PT), a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, participou da manifestação, que teve apresentações culturais afro-brasileiras e homenageou personalidades negras, como Lélia Gonzalez, uma das maiores intelectuais e ativistas da luta contra o racismo no Brasil. Filósofa e antropóloga falecida em julho de 1994, Lélia foi uma referência central em estudos de gênero, raça e classe no Brasil e no mundo. Foi também referência como autora do feminismo negro no país.

Marcha homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Foto: Karen Gadrét.

“Mulheres Negras do RJ: Igualdade, Equidade e Respeito”.

Com início na Praça do Lido, a marcha se transformou numa passeata até a Praça Almirante Júlio de Noronha, ao lado da Pedra do Leme. A manifestação deste domingo foi preparatória para a II Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontecerá dia 25 de novembro deste ano, em Brasília.

Durante a manifestação, dirigentes do Sindsprev/RJ usaram algumas faixas para marcar sua presença, com destaque a que trouxe os seguintes dizeres: “Mulheres Negras do RJ: Igualdade, Equidade e Respeito”.

“A marcha é importante por mostrar a grande insatisfação das mulheres negras com a discriminação e os altíssimos índices de feminicídio que ocorrem no Brasil, onde nunca se matou tanto as mulheres como agora. E isto acontece porque existe um Estado que tem o homem e a mulher negra como seus maiores inimigos. Então, fazer a marcha é fundamental para mostrar o que está acontecendo, que é uma herança do processo de escravidão no país. Infelizmente, sob o governo Lula (PT), nada mudou em relação a esses problemas. Não houve avanço algum”, afirmou Osvaldo Mendes, dirigente da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ.

Denúncias de casos de racismo e feminicídio também marcaram a marcha deste ano. Foto: Karen Gadrét.

Séculos de invisibilização, preconceito, machismo e exclusões

“A Marcha das Mulheres Pretas, realizada no último domingo [27/7], foi mais um marco importante na trajetória de resistência e afirmação dessa luta histórica. Estar presente foi, ao mesmo tempo, inspirador e doloroso. Inspirador pela força, beleza e coragem de cada mulher preta que caminhou. Doloroso porque, mais uma vez, ficou evidente o quanto a equidade e o respeito ainda estão distantes da nossa realidade. A luta das mulheres pretas não é recente. Ela é marcada por séculos de invisibilização, preconceito, machismo, violências e exclusões. Ainda assim, seguimos. Mas é preciso dizer com franqueza: senti falta de apoiadores. Faltaram os que se dizem aliados. Faltaram os que discursam nas redes, mas se ausentam nos espaços onde a presença é realmente necessária”, pontuou Neusa Beringui, dirigente do Sindsprev-RJ.

Entre as organizações presentes, participaram da marcha representantes do Fórum Estadual das Mulheres Negras e do Movimento Negro Unificado (MNU).

Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Um dos temas referenciados na marcha do último domingo (27) foi o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. Comemorada dia 25 de julho, a data é uma homenagem à resistência e às lutas das mulheres negras de todo o mundo contra os preconceitos racial e de gênero.

Sindsprev-RJ soma-se à luta das mulheres negras do Rio de Janeiro. Foto: Karen Gadrét.

No Brasil, o dia 25 de julho é também uma homenagem a Tereza de Benguela, conhecida como “Rainha Tereza”, que viveu no século XVIII, no Vale do Guaporé (MT), e liderou o Quilombo de Quariterê. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, incluindo indígenas. Tereza foi morta após ser capturada por soldados.

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e teve origem durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992. O evento reuniu mais de 300 representantes de 32 países para compartilhar suas vivências, denunciar as opressões e debater soluções para a luta contra o racismo e o machismo.

Violência e invisibilidade

Manifestação foi preparatória para a II Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontecerá dia 25 de novembro deste ano, em Brasília. Foto: Karen Gadrét.

A mulher negra é, ainda hoje, a principal vítima de feminicídio, das violências doméstica e obstétrica e da mortalidade materna, além de estar na base da pirâmide socioeconômica do país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que produz o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, confirmam essa triste realidade: das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, mais de 60% são negras.

Além disso, as mulheres negras convivem diariamente com a discriminação racial ainda vigente na formação social brasileira. E uma das consequências do racismo institucionalizado é a invisibilidade e a constante desvalorização enfrentadas pelas mulheres negras no mercado de trabalho e em vários outros segmentos da vida social.

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