O Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro promoveu, nesta terça-feira (11), no auditório da Secretaria de Estado de Saúde, a posse de Daniele Moretti, como presidente da entidade, e de Alecir de Jesus, como suplente da presidência, ambos representantes do segmento dos usuários, para o período 2026-2027. A presidência do conselho passou do segmento gestor, ocupado pelo secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, para o segmento dos usuários, seguindo o princípio de alternância do SUS.
O evento contou com as presenças da deputada federal Enfermeira Rejane e dos deputados estaduais Lilian Bhering e Flavio Serafini, além dos diretores do Sindsprev-RJ, Ivanilda Alves, Maria Aparecida Vaz, Marta Meirelles, Cristina Venetilho e Osvaldo Sérgio Mendes.

O Conselho Estadual de Saúde é essencial para garantir o controle social do SUS. Atualmente, ele atua na fiscalização de gastos públicos, na organização das etapas preparatórias da conferência de saúde e no debate de pautas estruturais e concursos públicos para a melhoria da rede de atendimento
Daniele Moretti lembrou de sua primeira ação quando assumiu a presidência do Conselho Estadual de Saúde, em 2023. Segundo ela, a aproximação dos Conselhos municipais foi fundamental para o trabalho implementado.
“Na ocasião, me comprometi a desencastelar o conselho estadual e conseguimos estabelecer estratégias para chegar ao número máximo de municípios e assim manter um movimento contínuo. Agora, quero reforçar o trabalho. Abrir um canal, ouvir os conselhos municipais, estar mais próximo no dia a dia. Revendo os casos em que a composição não estiver adequada. Precisamos reforçar a correlação de poderes. Essa cultura precisa começar nos territórios porque a soberania começa nos territórios. Os profissionais de saúde e a secretaria de saúde, através de seus técnicos, precisam preparar nós usuários para debater os temas que forem convidados. Da mesma forma que os usuários precisam apresentar os limites de modelo de atenção para exercitar os profissionais e a gestão. E assim aumentar a escuta durante o evento”, comentou a nova presidente.
Daniele Moretti acrescentou que cada conselheiro precisa ser ambientado nos muitos problemas que o SUS enfrenta.
“Da gestão incorreta ao mal uso de verbas. De modelos que não escutam as pessoas até o racismo na saúde, LGBT fobia e tantas e outras discriminações vexatórias que a população sofre ao buscar o sistema. Precisamos ser vistos como um ser integral. E o SUS ainda não consegue atender uma pessoa integralmente. Queremos ser ouvidos e não enquadrados”, enfatizou.
Paulo Farias, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), chamou a atenção para o atual momento político.
“Muito orgulhoso pela posse da Dani. Queria muito que as autoridades presentes nos ouvissem. Estamos vivendo um momento importante. Queria dialogar sobre as expectativas que temos. Não dá para olhar para um horizonte, sabendo que vamos ter eleição para governo do Estado e nós, enquanto representação de trabalhadores e trabalhadoras do Estado do Rio de Janeiro, não vamos dialogar com esse momento”, ressaltou.
Paulo Farias destacou que a entidade apresentará reivindicações ao futuro governador.
“Entre elas, essa pauta da saúde. Não dá tempo para falar no pensamento da representação das Centrais Sindicais. Enquanto isso a gente vê trabalhadores da saúde sendo precarizados. Que foram transportados para ambientes virtuais. E leva as pessoas ao sofrimento. A promessa de modernização com a transferência da rede federal de saúde não veio. Não virá porque depende dessa minoria. Continue acreditando no SUS. Na valorização dos profissionais. Porque não existe outro caminho de fazer uma saúde melhor sem que os trabalhadores não sejam valorizados”, avaliou.
Cristina Maria Venetilho, diretora do Sindsprev-RJ, elogiou a nova presidente do Conselho Estadual de Saúde.
“Estamos aqui para saudar a nova gestão da Daniele Moretti. Nós, usuários do SUS, vamos pautar o que nos interessa: qual a política que vai ao encontro dos nossos anseios? Nós, do Sindsprev-RJ, sempre fomos lutadores do SUS. A gente acredita que o SUS é único e é nosso direito constitucional. E ele tem que ser exercido por ente público, feito por trabalhadores públicos. Porque o trabalhador concursado fica, no mínimo, 30 anos naquele serviço e nesses 30 anos vai adquirir conhecimento. Será avaliado e vai estar na luta. Nós, enquanto trabalhadores, lutamos contra o fatiamento da rede federal de saúde que não teve a sua história respeitada. Não vamos nos calar. Estamos aqui assumindo o nosso compromisso nessa luta e o Sindsprev estará junto de vocês. A nossa voz e a voz de vocês e a dos usuários vão fazer o SUS justo, universal e de qualidade”, destacou a dirigente sindical.


