No texto de apresentação da pauta de reivindicações, entregue nesta sexta-feira (30/1), em Brasília, ao Ministério da Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI), o Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional das Entidades das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) fazem uma crítica à falta de negociações efetivas por parte do governo nas seguidas campanhas salariais até aqui realizadas, citando trecho do livro em que o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, afirma que é preciso ter esperança, mas do verbo esperançar, não para ficar esperando passivamente, mas de fazer por onde alcançar o que se quer.
“Para facilitar (o entendimento) dividimos os pontos (da pauta) em categorias para ajudar nas discussões que deveriam ter ocorrido em 2024 e 2025, mas, infelizmente, não ocorreram na MNNP (Mesa Nacional de Negociação Permanente). Continuamos com a esperança, do verbo esperançar, (de) que conseguiremos efetivamente dialogar com o MGI, e avançar, principalmente nas pautas, que são políticas, como aconteceu com as pautas econômicas em 2025 e 2026”, afirmam no documento das reivindicações da campanha.
A citação é uma advertência ao governo para que neste ano deixe de lado a tática desrespeitosa de negar, e mesmo de não analisar, a pauta da campanha salarial, e de impor sua pauta, fazendo com que a negociação e a construção de uma solução conjunta possível, inexista de fato. Paulo Freire – já homenageado diversas vezes por ministros e pelo próprio Lula – em seu livro “Pedagogia da esperança: Um reencontro com a pedagogia do oprimido”, de 1992, faz referência à esperança, mas do verbo esperançar, de ir atrás, e não de esperar. Mas um esperançar que se constrói junto.
Ao contrário do governo, o educador, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho, defende a esperança como um ato de criação e ação, não de espera passiva, incentivando a luta pela transformação social em momentos de crise. “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança, do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo”, afirma.
Mais de 70 itens – A pauta entregue pelas entidades nacionais dos servidores federais é muito resumida, mesmo assim, traz mais de 70 itens, em sua maioria, pontos que sequer foram analisados pelo governo nas campanhas salariais de 2024 e 2025, além de novos incluídos nesta de 2026. Os mais de 70 itens, são desdobrados em outros, em 11 páginas.
No documento, entregue ao Secretário de Gestão de Pessoas e Gestão do Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo, os fóruns dos servidores relembram “que os pontos da pauta de reivindicações protocolada em 2024 e 2025 não tiveram resolução até o presente momento, por isso constam novamente da pauta apresentada em 2026, como itens pendentes, o que tem aumentado nossa frustração pela forma como o governo, em especial o MGI, tem tratado as demandas encaminhadas pelas entidades sindicais e das centrais”.
E arrematam: “Esperamos também que o MGI respeite o Regimento da MNNP, artigo 13, inciso II, §único, enviando a pauta com os pontos que serão discutidos em cada reunião, com antecedência mínima, para que as entidades sindicais possam se preparar para o debate dos pontos. Assim como ao final de cada reunião encaminhe a ata, na qual devem constar os pontos de pauta, um resumo da discussão e quais foram os encaminhamentos”.
Leia a pauta de reivindicações na íntegra, clicando no link abaixo.
OF_001-2026_PAUTA_REIVINDICACOES_MGI_-_FONASEFE-FONACATE-CENTRAIS_-_ass_assinado-1


