O assassinato de Marielle Franco foi com certeza um crime político. Mas um crime político que, ao ser praticado, também agravou as estatísticas de feminicídio no Brasil. Segundo dados pesquisados pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) e divulgados em dezembro de 2025, no ano passado houve 5.582 feminicídios consumados e tentados no país, resultando em uma taxa anualizada de 5,12 feminicídios por 100 mil mulheres. Os dados mostram ainda que 68,52% dos casos registrados foram consumados e 31,48% foram tentativas.
No Brasil atual, casos alarmantes de feminicídio continuam infelizmente ocorrendo todos os dias, e um dos mais chocantes aconteceu no início deste mês de fevereiro. No dia 4/2, quando andava em frente à Faetec de Quintino, na Rua Clarimundo de Melo, a agente comunitária de saúde Amanda Loureiro da Silva Mendes foi morta a tiros pelo ex-companheiro, Wagner Araújo, que não aceitava o fim de um relacionamento de 7 anos. Após o crime, Wagner fugiu a pé, mas foi localizado e preso em flagrante por feminicídio. Segundo a polícia, Wagner perseguia a vítima, que tinha uma medida protetiva contra ele. Amanda foi sepultada dois dias após o crime, sob clima de forte comoção.

“Eu estive no sepultamento de Amanda e conversei com os parentes dela. Foi uma comoção muito grande por causa de um crime bárbaro cometido por um indivíduo que não aceitava a separação. Mesmo com a medida protetiva, ele apontou um revólver e matou Amanda. É um absurdo que homens se achem donos das mulheres. São machistas, misóginos, racistas. Eu prestei solidariedade à família, em nome do Sindsprev-RJ e também como presidente do Conselho Municipal de Saúde do Rio de Janeiro”, afirmou Osvaldo Mendes, da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ.
Ato em janeiro também protestou contra feminicídios
Em janeiro deste ano, dirigentes do Sindsprev-RJ, militantes do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Coletivo de Mulheres do PSOL-RJ realizaram ato público em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), para exigir punição pelo assassinato de Julia Benette Rodrigues. Moradora de Duque de Caxias, Julia tinha 22 anos de idade e foi morta em 16 de dezembro do ano passado por José Victor Leite Gustavo, ex-namorado da vítima, que não aceitava a separação. O crime ocorreu na frente das duas filhas de Júlia, uma delas com apenas 1 ano e 5 meses. José Victor Leite Gustavo está preso e aguardando julgamento pelo feminicídio de Julia Benette Rodrigues.
Com faixas repudiando a violência contra as mulheres, os manifestantes postaram-se em frente à entrada principal do Tribunal de Justiça, na Av. Pres. Antônio Carlos (Centro), onde discursaram com a ajuda de um carro de som do Sindsprev-RJ. A maioria das falas alertou para o aumento sem precedentes no número de feminicídios no Brasil.


