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quinta-feira, março 5, 2026
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Cresce a corrente contra a extinção do Hospital Federal da Lagoa

A votação do plebiscito começou na última terça-feira (24/6) e termina nesta quinta (26/6). O objetivo é saber o que pensam servidores e pacientes sobre a extinção do Hospital Federal da Lagoa – que passaria a ser comandado pelo Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e voltado para a saúde da mulher, da criança e do adolescente. A apuração dos votos será realizada segunda-feira (30/6), a partir das 13h, na entrada principal do HFL.

Até o meio dia desta quinta-feira (26), quase duas mil pessoas haviam assinado a lista registrando o repúdio pela extinção da unidade hospitalar, referência no atendimento e exames de alta complexidade.

A diretora do Sindsprev/RJ Christiane Gerardo lamentou a iniciativa do governo Lula de acabar com o Hospital da Lagoa, prejudicando milhares de pessoas que se tratam na unidade.

“Querem trazer o Instituto Fernandes Figueira para o espaço do Hospital da Lagoa. É um perfil totalmente diferente. Não há como fazer a integração de dois espaços, de duas estruturas públicas que têm um perfil diverso. A proposta do governo, na verdade, é uma proposta que vai gerar desassistência de milhares de pacientes que fazem tratamento aqui, em especial os pacientes oncológicos’, analisou.

A dirigente acrescentou que o estado do Rio de Janeiro é o estado onde o paciente demora a ter acesso ao tratamento de câncer.

“A gente espera que o governo demova dessa decisão. Foram coletadas mais de duas mil assinaturas. Estamos também consultando o usuário, que é o principal interessado na permanência do Hospital da Lagoa, e a gente espera demover o governo dessa decisão”, enfatizou.

Osvaldo Sergio Mendes, também diretor do Sindsprev/RJ, adiantou que o resultado do plebiscito será arrolado, através de documento, e entregue ao Ministério da Saúde.

“Nosso objetivo é mostrar para o governo a importância do Hospital da Lagoa para usuários e profissionais da saúde. Esperamos que o governo respeite o SUS, a Constituição e o Conselho de Saúde desse país”, ressaltou o dirigente.

Roseani Villela, enfermeira e diretora do Sindsprev/RJ, compara o plebiscito com o ditado “A voz do povo é a voz de Deus”.

“Se o Ministério da Saúde não escutar a população, não sei mais o que fazer. Sou servidora do Hospital de Bonsucesso e já passei pelo processo de fatiamento. O meu hospital foi o primeiro a ser fatiado. Está hoje na mão do Grupo Conceição. Isso foi a pior coisa que aconteceu porque o Ministério da Saúde falava de uma eficiência desse grupo e na prática a gente vê que isso não funcionou. O hospital está caindo ladeira abaixo. Como já aconteceu lá com a gente, eu não desejo isso a mais ninguém. Estou aqui unindo forças para lutar pelo não fatiamento do Hospital da Lagoa, do Hospital de Ipanema e do Hospital dos Servidores do Estado. Que são os três hospitais que ainda resistem”, disse, indignada.

Robson Jordino, servidor da Vigilãncia em Saúde e diretor do Sindsprev/RJ, disse que demorou a entender a intenção do governo de extinguir o Hospital da Lagoa.

‘É um sentimento de tristeza acompanhar esse desmonte da rede federal de saúde. O Hospital da Lagoa, para os profissionais de saúde e, principalmente, para os usuários, é de suma importância para o Rio de Janeiro. Causa estranheza ver a grandeza desse hospital que não vai mais atender milhares de pessoas carentes. Estamos aqui para protestar. Não vamos deixar”, disse.

Claudio Oliveira, diretor de políticas sociais do Sindsprev/RJ, disse que acompanha com perplexidade o processo de fatiamento das unidades hospitalares do Rio de Janeiro.

“Difícil de acreditar que um hospital referência no tratamento de alta complexidade pode ser extinto. Uma unidade que tem um ambulatório com diversas especialidades. A gente acredita que teremos um resultado positivo com a realização desse plebiscito”, prevê.

Enilton Felipe, da direção do Sindsprev/RJ, lembrou que o sindicato luta contra o fatiamento da rede federal de saúde desde o anúncio dessa medida pelo governo.

“Acreditamos que a solução para a rede federal seja a reestruturação, e não o fatiamento. Porque com essa medida os hospitais cairão nas mãos de Organização Sociais, que só têm interesse financeiro, ao invés de melhorar os serviços para a população. Acreditamos numa rede federal pública inteiramente gratuita para a população. E é isso que a gente defende: concurso público, reestruturação e não ao fatiamento”, concluiu.

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