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sexta-feira, março 6, 2026
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Atos deveriam exigir também o fim da reforma administrativa

O diretor da Assibge (Sindicato Nacional) e coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida Pública no Rio de Janeiro, Paulo Lindesay, disse avaliar que as manifestações de domingo (21/9) têm tudo para alcançar seus objetivos – barrar a PEC da Bandidagem e o projeto de anistia para os envolvidos no golpe de Estado de 8 de janeiro. Mas chamou a atenção para a ausência de um projeto que, se aprovado, terá também um impacto extremamente negativo para a vida da população: a reforma administrativa.

Na sua avaliação, o povo não vai às ruas contra a reforma administrativa por dois motivos: por não saber que será prejudicado pelas mudanças e porque diversas entidades sindicais e de outros segmentos da sociedade não convocam por se tratar de uma pauta de interesse do próprio governo, ao qual são ligadas.

“Acho que o Congresso Nacional deve recuar (da PEC e da anistia). Aqui no Rio, muita gente foi porque partidos, como o PT, e entidades ligadas ao governo, mobilizaram. Mas o mesmo não acontece com a reforma administrativa, mesmo sabendo que ela vai desmontar o serviço público ainda mais, tendo consequências drásticas em relação à maioria da população que depende do serviço público. E o motivo é simples: a reforma administrativa é pauta do governo federal”, afirmou.

Lindesay lembrou, no entanto, que a reforma é, também, uma pauta do setor financeiro, da extrema-direita, dos empresários, do terceiro setor e da grande midia corporativa.

“Outra questão que leva a esta falta de indignação da população é o comportamento da mídia, que trata a reforma de uma maneira falsa, como uma forma de acabar com o que chama de privilégios, como os super salários, que não existem entre os servidores federais do Poder Executivo, os mais impactados pela reforma. A mídia passa a ideia de que os servidores se colocam contra as alterações por questões corporativas, como se fôssemos os únicos atingidos, quando, na verdade, a reforma é o mais duro ataque aos direitos da população que é usuária do SUS, do ensino público, da previdência social e da assistência social”, denunciou.

Ele lembrou que a reforma vai manter o financiamento ao serviço público, mas passando a gestão do orçamento – mais de R$ 1 trilhão – para o setor privado. “É claramente uma forma de entregar o setor para o capital privado ampliar seus lucros, levando para o serviço público a lógica de funcionamento do setor privado, com o menor investimento possível dentro da lógica de priorizar a maior rentabilidade para os novos gestores”, disse.

Acrescentou que, dentro desta ótica, a reforma autoriza a contratação precária, sem concurso público, mais barata, propiciando indicações políticas, voltando à realidade anterior à Constituição Federal, promulgada em 1988. “Antes disto, não havia concurso, a contratação era feita pela CLT, dando espaço para indicações feitas por políticos. Sem concurso, a qualidade da mão de obra não estará assegurada, fazendo cair ainda mais a qualidade do atendimento”, frisou.

Lindesay adiantou que os projetos integrantes da reforma administrativa tiveram a sua tramitação suspensa momentaneamente em função da PEC da Bandidagem e do projeto de anistia. “Mas assim que estas duas questões forem resolvidas, a reforma vai voltar a tramitar novamente porque é do interesse do governo. As propostas de reforma estão num grupo de trabalho presidido pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), com quem o governo vem trabalhando diretamente”, lembrou.

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