“Estamos aqui no INSS para nos manifestarmos sobre uma série de ataques movidos contra a previdência pública e também mostrarmos a importância do plebiscito que consulta os brasileiros sobre o fim da escala 6 x 1, a isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais e a taxação das grandes fortunas”. Em tom de desabafo, Carlos Vinícius Lopes — dirigente do Sindsprev-RJ e servidor do INSS — abriu a manifestação realizada na manhã desta quinta-feira (14/8), em frente à agência do INSS Niterói (Centro).
Organizada e convocada pelo Sindsprev/RJ, a manifestação foi a segunda realizada no mesmo local em menos de três meses — a primeira ocorreu em maio deste ano. A diferença em relação à manifestação anterior foi que, desta vez, a população teve mais um motivo para interagir com o sindicato: a urna para coleta de votos do plebiscito popular, disposta na entrada principal da APS Niterói Centro.
“Não aceitamos a privatização”, afirma dirigente do Sindsprev-RJ
“Queremos ver servidores e população de Niterói participando juntos do plebiscito, que trata de questões muito importantes, como o fim da desumana escala de trabalho 6×1 e a taxação dos super ricos. Também queremos denunciar a crescente precariedade dos serviços de previdência e saúde em nosso país. Serviços que precisam ser valorizados pelos governos e pela própria população”, explicou Maria Ivone Suppo, dirigente do Sindsprev-RJ em Niterói.

Também dirigente do Sindsprev-RJ na mesma cidade, Sebastião José de Souza (Tão) reforçou o apelo. “Lutamos pelo fim da escala 6×1 porque, ao descansar apenas 1 dia por semana, o trabalhador não tem tempo para nada. É por isso que lutamos por uma escala 5 x 2. Afinal de contas, o trabalhador precisa ter mais tempo para descansar, para estar com a família ou mesmo se qualificar. Quanto ao INSS, é preciso denunciar que, em 2026, haverá menos 870 milhões de reais no orçamento do instituto. E sobre a saúde, continuaremos denunciando o fatiamento das unidades federais, como ocorrido nos hospitais de Bonsucesso, Cardoso Fontes e do Andaraí. Não aceitamos a privatização”, frisou.
Reduzir jornada traz mais qualidade de vida e saúde
Aposentada e moradora do Morro do Estado (Niterói), Irineia de Souza Conceição aderiu ao plebiscito. “Eu hoje votei pelo fim da escala 6×1 porque ela é uma escala ruim para os trabalhadores. Acho que é preciso aumentar ainda mais a participação do povo nesse plebiscito. Onde eu moro, eu procuro mostrar que o fim da escala 6×1 será um benefício para todos os trabalhadores. Temos que aproveitar agora a voz que nós temos no plebiscito”, explicou.
Dirigente do Sindsprev-RJ e presidente do Conselho Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (CMS-RJ), Osvaldo Mendes destacou a qualidade de vida como questão central. “A escala 6×1 é absurda e traz implicações ainda mais graves para as mulheres, que têm ainda menos tempo para cuidar dos filhos e para o lazer. Então, é dever de todos os trabalhadores e trabalhadoras dizer não à escala 6×1 e também votar pela taxação das grandes fortunas. Os super ricos é que têm de pagar mais impostos, e não os trabalhadores. Reduzir a jornada sem redução de salário é fundamental para termos mais qualidade de vida e saúde”, afirmou.

“É importante que governo volte a fazer concurso no INSS”
Dirigente da Associação de Servidores da Saúde Municipal de Niterói, o advogado José Ricardo Lessa também convocou a população ao plebiscito. “Votem a favor da redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Isto é necessário para que vocês tenham dignidade e possam conviver mais com seus familiares. O fato de estarmos aqui na porta do INSS é simbólico, pois o INSS socorre o trabalhador quando ele tem necessidade de assistência previdenciária. É importante que o atual governo volte a fazer concurso no INSS e ofereça condições dignas de trabalho a seus servidores”, frisou. Diretor da mesma associação, José Luis Guerreiro afirmou a importância do plebiscito para conscientizar a população sobre a necessidade de reduzir a jornada. “Precisamos lembrar que não é só de trabalho que vivem homens e mulheres. A redução da jornada sem redução de salário vai gerar mais empregos e reduzir o adoecimento no trabalho, além de permitir aos trabalhadores e trabalhadoras se qualificarem e terem mais tempo de lazer”.

“No INSS, estamos com sistemas precários e lentos. Na semana passada nós não conseguimos atender os segurados. Nossas condições de trabalho são péssimas porque não temos materiais básicos, não temos cadeiras e nossos computadores são super antigos. Enfim, são condições muito precárias. Quanto ao plebiscito, eu acho muito importante e sou plenamente a favor do fim da escala 6×1. É uma escala que afeta o emocional dos trabalhadores”, ponderou Rosângela Pereira Santos, servidora do INSS há 40 anos.
Previdência pública é patrimônio da população brasileira
O fim da escala 6×1 também é o desejo de Cleison Oliveira, morador de São Gonçalo que votou no plebiscito quando passava em frente à APS Niterói. “Votei pelo fim da escala 6×1 porque é uma escala que não dá repouso ao trabalhador e, consequentemente, é muito cansativa. Se depender de mim, vou convocar mais pessoas a votarem no plebiscito para que a jornada 6×1 seja extinta”, disse.

“A falta de investimentos na previdência fez com que recentemente houvesse os descontos indevidos nas aposentadorias de aposentados e pensionistas do INSS. A previdência pública é um patrimônio histórico da população brasileira e não pode ser destruída. Infelizmente, existe um grande sucateamento no INSS, onde também não há concurso público. Diariamente, vemos agências sucateadas e sem condições de trabalho, agências onde o computador mais novo já tem 5 anos. Em 2026, no orçamento de 2,1 bilhões para custeio da previdência, haverá corte de 870 milhões. Isto tudo acontece para justificarem a privatização. Não podemos ficar alheios ao que está acontecendo”, concluiu Carlos Vinícius Lopes, no encerramento da manifestação.



