Com participação de representantes de mais de 200 entidades da sociedade civil que lotaram os três auditórios do Clube de Engenharia, no Centro do Rio, foi um grande sucesso o Ato Unificado em Defesa da Soberania Nacional realizado na noite desta segunda-feira (1º de setembro). Além de repudiar os ataques do governo Trump e da família Bolsonaro aos interesses brasileiros, o ato pautou as próximas mobilizações com viés democrático-popular e nacionalista que deverão acontecer para ampliar a luta em defesa da soberania nacional. No plano mais imediato, é este o caso do Grito dos Excluídos do próximo domingo (feriado de 7 de setembro), a partir das 9h, na esquina da rua Uruguaiana com avenida Presidente Vargas (Centro). Manifestação que também vai acontecer em muitas outras capitais brasileiras.
O ato unificado desta segunda (1/9) foi formalmente aberto pelo presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian. “O Brasil não aceita tutelas e imposições externas. Hoje reafirmamos que a soberania é inegociável. A mesma soberania que é uma bandeira do povo brasileiro. Hoje lançamos a semente de uma assembleia permanente pela soberania nacional”, afirmou, sob aplausos gerais do plenário.

O ex-deputado e ex-ministro José Dirceu fez uma das mais aplaudidas e festejadas falas da noite. “Expressamos repúdio à postura indecorosa do governo dos EUA, que tenta impedir o Brasil de cumprir o seu destino, um destino que temos de tomar em nossas mãos. Foi a própria globalização que possibilitou a criação do mundo do Sul Global com o Brics. O Brasil possui três condições fundamentais, que são a sua população, o seu território e o seu produto interno bruto, superior a 2 trilhões de dólares. O Brasil é também um país que possui soberanias alimentar e energética. Neste momento, o ataque feito ao nosso país nos une, o é que muito importante, pois a extrema direita quer destruir a democracia e submeter o Brasil. Precisamos mudar o Congresso Nacional porque não basta votarmos para presidente nas eleições. Precisamos também retomar as ruas. Vamos derrotar a tese da anistia e garantir a nossa soberania”, disse.
Numa fala também marcada por forte viés crítico, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) reforçou o apelo à mobilização. “Este é um ato que marca a escalada para as ruas e o do próximo dia 7 de setembro já está sendo convocado. Nós não somos colônia de ninguém e, para nós, soberania significa soberania cultural, tecnológica, energética, econômica e política. No Oriente Médio, precisamos bater palmas à resistência palestina e pelo fim do genocídio em Gaza, pois queremos a Palestina livre. Queremos que o sionismo apoiado pelo imperialismo norte-americano seja retirado da cena nacional. Queria dizer que precisamos cassar Eduardo Bolsonaro. Para nós, o deputado Glauber Braga fica, e Eduardo Bolsonaro sai. Finalizando, lembro que esta semana será a primeira vez que o Estado brasileiro dará uma resposta aos que tentaram golpear a nossa democracia”, frisou ela, em referência ao julgamento de Bolsonaro e apoiadores pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a aplaudida fala de Jandira, o plenário entoou os gritos de “Glauber Fica” e “Sem anistia”, este último em referência a Bolsonaro e os acusados de golpismo.

Entre outras personalidades, também compuseram a mesa do ato unificado desta segunda (1/9) a colunista Hildegard Angel; o presidente da ABI, Otávio Costa; o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; a presidente da UNE, Bianca Borges; o ex-ministro Roberto Amaral e a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).
Documento norteador do ato desta segunda (1/9), o ‘Manifesto pela Soberania Nacional’ foi lido durante a manifestação, após a execução do hino nacional. Como uma das centenas de entidades da sociedade civil signatárias do documento, o Sindsprev-RJ também esteve presente na manifestação, por meio de seus dirigentes.
“Foi muito importante a realização deste ano no Clube de Engenharia, um ato que sinalizou a necessidade de não mais permitirmos a volta do autoritarismo e das ameaças à soberania nacional em nosso país. Não podemos aceitar que a extrema direita, o governo Trump e a família Bolsonaro continuem atacando os interesses do nosso povo e do nosso país. Esta mobilização é tão importante como foi a luta pelas diretas já”, avaliou Sebastião José de Souza, dirigente do Sindsprev-RJ.
Entre outros pontos, o texto do Manifesto é assertivo ao afirmar que a soberania nacional está sob grave ameaça. “Interesses do governo de uma nação estrangeira buscam impor restrições à nossa economia, interferir em nossas instituições e ditar os rumos do nosso desenvolvimento. Infelizmente, com o incentivo e a colaboração de brasileiros, que traem nossa Pátria, em conluio com os agressores externos, atacando a Justiça de seu próprio País”, frisa o documento, em referência às sanções aplicadas pelo governo de Donald Trump (EUA) contra as exportações brasileiras e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).



