Por ampla maioria, trabalhadores da saúde e do INSS aprovaram, em assembleia na tarde desta terça-feira (28/7), a desfiliação do Sindsprev/RJ da Federação Nacional (Fenasps). Em seguida, foi também aprovada a filiação do Sindicato à Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB).
Ao defender o desligamento da Fenasps, os diretores do Sindsprev/RJ, Christiane Gerardo e Rolando Medeiros, lembraram que a decisão da assembleia, na verdade, tornou oficial uma realidade que já existia há anos.
“A maioria que domina a diretoria da Federação há muitos anos excluiu a base do Rio de Janeiro das mesas de negociação da qual participa e das ações judiciais que move. Impede o Sindicato de participar e de sequer falar em seus congressos. Para que se tenha uma ideia, em plena greve da saúde federal, que representa 70% do Ministério da Saúde no Brasil, fomos impedidos de dar informes, em uma plenária nacional da Federação. A Fenasps mantém uma relação tóxica com o Sindicato, excluindo e prejudicando a nossa base e as nossas lutas, sendo nossa obrigação nos afastar desta entidade que não nos representa mais”, frisou a dirigente.
Rolando acrescentou que o Sindsprev/RJ e os servidores da saúde e do INSS que representa precisam de um espaço de representação que não têm, referindo-se à Fenasps. “Fomos impedidos de falar na Plenária Nacional da federação sobre a greve da saúde federal, repetindo o mesmo que aconteceu em congressos da entidade. A maioria da sua diretoria coloca os servidores representados pelo Sindicato de fora de todas as ações judiciais, prejudicando a nossa base. Participamos da fundação da federação; por isto mesmo, buscamos por diversas vezes o entendimento, inclusive em greves do INSS e da saúde, para que a federação nos representasse e não tivemos êxito. Fomos rejeitados e não temos razão para insistir em uma relação que já não existe”, disse.
O dirigente defendeu, ainda, a filiação à CSPB, “porque precisamos ter um espaço que não temos hoje e garantir uma entidade nacional que nos represente nas negociações nacionais com o governo”. O diretor do Sindsprev/RJ, Osvaldo Monçores, defendeu que o Sindsprev/RJ insistisse em cobrar da Fenasps a solução do impasse e que, somente não tendo sucesso nesta iniciativa, voltasse a discutir a desfiliação. Christiane Gerardo respondeu que a tentativa de diálogo vem sendo tentada há anos sem que haja sequer resposta por parte da Federação.
O diretor do Sindicato, Pedro Lima, cuja corrente política é minoritária na direção do Sindsprev/RJ, se absteve na votação da desfiliação. Fez o mesmo na da ida para a CSPB. Representando a corrente política Renascer, também minoritária na diretoria do Sindicato, Albirato Goudart, votou favoravelmente à desfiliação.
Como parte da proposta de filiação à CSPB, por iniciativa dos diretores Ivone Suppo, Osvaldo Mendes, Sebastião dos Santos e Sidney Castro, foi aprovada proposta de formação de uma Comissão do Sindsprev/RJ, que se reúna com a diretoria da CSPB para garantir a criação de uma Secretaria de Raça, Gênero e Etnia como parte da estrutura da confederação; e que a CSPB, em sua próxima eleição, represente em sua diretoria os segmentos da saúde, INSS e Funasa, na mesma proporção existente hoje no Sindsprev/RJ.

