Uma das funções de toda propaganda é a de simplificar a realidade e, assim, omitir complexidades existentes no mundo concreto. Complexidades que não podem ser resolvidas por meio de contos de fadas ou ilusionismos.
Na última quinta-feira (6/2), foi justamente isto o que aconteceu durante a cerimônia de reabertura da emergência do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), com presença de Lula (PT), Nísia Trindade (Saúde) e Eduardo Paes. Na ocasião, o Ministério da Saúde divulgou para a mídia e a sociedade informações equivocadas sobre a nova emergência, começando pelo grave erro de apresentar a emergência como se ela funcionasse de “portas abertas”, o que nunca foi verdade.
Tanto é assim que, passado o comício montado naquele dia 6/2, o próprio Grupo Hospitalar Conceição teve de se curvar aos fatos e distribuir um panfleto aos usuários do HFB, no qual explica que a emergência da unidade é, na verdade, uma emergência referenciada, e não uma emergência de portas abertas.
“O Hospital de Bonsucesso é uma unidade de alta complexidade com serviços especializados que não podem ter seus leitos determinados por uma porta de emergência aberta, sob risco de prejudicar os usuários que precisam desses atendimentos especializados. Em outras palavras, uma emergência referenciada, como a do HFB, é uma emergência regulada para atendimento especializado, como também é a emergência do Hospital Federal Cardoso Fontes, uma emergência que, por sinal, nunca esteve fechada, ao contrário do que inveridicamente afirmou o Ministério da Saúde”, criticou Cristiane Gerardo, dirigente do Sindsprev/RJ. Para ela, é lamentável que somente agora o Ministério da Saúde e o Grupo Conceição tenham editado o panfleto para orientar o fluxo correto de atendimento em casos de emergência, com busca de socorro na UPA ou no Samu.
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